2008-07-12 11:39:00
Suzana Machado
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta quinta-feira (10), que a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,74% em junho, maior índice para o mês, desde 1996, quando o IPCA havia subido 1,19%.
De acordo com dados do IPCA, nos últimos 12 meses os reajustes chegaram a uma média de 6,06%, aproximando-se do teto superior à meta – 6,50% -, estipulada pelo Banco Central. Mas na prática, em alguns casos, os reajustes de alguns produtos superaram os 6,06%.
É o caso do setor de materiais de construção, onde produtos, desde o básico até o acabamento, sofreram alta de 10 a 15%. “Houve um aumento bem maior do que foi colocado na pesquisa. Na realidade houve um reajuste de mais de 10%, principalmente com relação ao valor do cimento e do tijolo”, ressalta Zenilda Moreira Silveira, responsável pelo setor de compras de uma empresa de materiais de construção de Amambai.
Em meio ao aumento dos preços, restam poucas opções para as empresas na tentativa de agradar o bolso do consumidor. “No caso dos materiais de acabamento, ainda temos a opção de trabalhar com marcas mais baratas, mas já com o básico, não temos como fazer a mesma coisa. O reajuste também acaba influenciando na diminuição das vendas. Não temos como aumentar o número de prestações para os clientes porque as indústrias também não facilitam para nós.”
De acordo com Zenilda, no mês de junho o preço do milheiro do tijolo chegou a sofrer reajuste duas vezes. “Em maio vendíamos o milheiro do tijolo por R$ 312,00; atualmente o valor, a prazo, chega a R$ 399,00.”
O cimento, que custava R$ 17,50 no início do ano, atualmente é vendido a R$ 21,50 (a prazo) e R$ 19,50 (à vista).
O setor alimentício também teve altas significativas somente neste primeiro semestre de 2008.
Para o empresário Carlos Alberto Signori, o aumento da inflação deixa os empresários da área em uma situação constrangedora. “Chegamos a ter reajuste na tabela de preços de um mês para o outro de 30%, índice bem acima dos 6,06%. Alimentos como o arroz, o feijão e o trigo, tiveram uma pequena diminuição em seus valores no início de julho. Com relação ao valor da carne, antes pagávamos R$ 60,00 na arroba; atualmente pagamos R$ 90,00, o que significa um aumento de aproximadamente 50%”, explica o empresário, que ressalta ainda que o valor da carne no Mato Grosso do Sul, mesmo com esse preço da arroba, pode ser considerado um dos mais baixos do país. “Tenho clientes de cidades do Paraná que compram carne conosco. Aqui, o quilo do Filé Mingnon gira em torno de R$13 a R$14; no Paraná chega a custar o dobro.”
De acordo com Carlos Alberto, a cesta básica teve um aumento significativo em maio e junho. “No início de julho o valor de alguns produtos deu uma recuada e de outros se manteve estável.”
Na opinião do empresário, o governo acaba escravizando o produtor, com o intuito de diminuir o valor dos produtos que integram a cesta básica.
No mês de junho os produtos industrializados tiveram reajuste de 8% a 15% em seus valores. “Além da elevação dos preços, enfrentamos também outro problema: o da tributação alta, em comparação com o país vizinho [Paraguai] e os outros estados. Aqui a tributação chega a 15,1%, enquanto no Paraná e em São Paulo fica em torno dos 7%; e 90% dos produtos que adquirimos são oriundos desses estados”, acrescenta Carlos Alberto.
Tanto reajuste afeta diretamente o bolso do consumidor; porém ele não é o único que sofre com o problema. Na tentativa de encontrar um ponto de equilíbrio entre os aumentos e a disponibilidade financeira de seus clientes, os empresários do ramo alimentício acabam tendo que trabalhar com uma margem de lucro bem reduzida. “Diminuímos nossa lucratividade, trabalhando com margens de lucro bem reduzidas. Nós, aqui, compramos o óleo de soja no atacado por R$ 2,80 e vendemos a R$ 2,87. O empresário perde muito, mas temos que entender que o consumidor não tem muito dinheiro disponível diante dos aumentos. No início do ano o arroz custava de R$ 6 a R$ 7, variando de acordo com a marca e o tipo. Atualmente os valores estão entre R$ 7 e R$ 11. Já o feijão custava, no início de 2008, de R$ 1 a R$ 2; hoje é vendido de R$ 3 a R$ 4, mas o quilo já chegou a custar R$ 6.”
Para Ilma Miranda, professora, o consumidor tem que aprender a administrar seu dinheiro diante da situação. “Atualmente o pouco, o básico, já dá uma diferença grande. Acho que o consumidor tem que administrar bem o seu dinheiro, saber onde comprar e o que comprar.”
Setores menos atingidos – O setor de confecção é um dos que menos sentiu os reajustes. “A indústria de roupa foi uma das que mais cresceu. Por enquanto não tivemos grandes aumentos; a expectativa fica para a próxima estação, onde pode ocorrer algum reajuste”, acrescenta Marcos Calixto de Mattos, gerente de uma loja de confecção do município.
Itamar Fernandes, gerente de uma loja de calçados, também afirma que os reflexos da inflação poderão ser sentidos pelo setor com a chegada do verão. “No verão esse acréscimo pode ficar notável. Há a possibilidade de ocorrer um reajuste bom nos preços, mas por enquanto nossas vendas continuam normais.”