2008-04-16 21:37:00
Os preços do álcool no Brasil têm caído nas últimas três semanas, já que os produtores de cana deram início a uma colheita recorde. Além disso, o mercado global de biocombustíveis cresce mais lentamente do que o esperado, disseram analistas.
Conforme o debate alimentos versus combustíveis aumenta em todo o mundo, a indústria do Brasil afirma que seu álcool pode ajudar a aliviar a pressão sobre os preços dos alimentos, se os países reduzirem as barreiras comerciais e adotarem o biocombustível de cana, que não compete com os alimentos.
Mas apesar dos esforços dos brasileiros, as exportações estão aquém das expectativas da indústria. Elas totalizaram cerca de 3,1 bilhões de litros em 2007/08, ante 3,4 bilhões no ano anterior.
"Um mercado externo de álcool poderia corrigir o atual desequilíbrio de preço (no mercado interno). Mas como esse mercado externo de biocombustíveis ainda não existe, não conseguimos lidar com o excesso", disse Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).
Os carros flex podem absorver o excedente, mas a preços que não são sustentáveis, segundo a indústria.
Durante a maior parte de 2007, os preços do álcool anidro, misturado à gasolina vendida no Brasil, ficaram 14,5% abaixo do ano anterior. Os preços do álcool hidratado, usados nos flex, ficaram em média 15,9% mais baixos.
O combustível caiu cerca de 7% desde meados de março, já que os produtores começaram a colher a nova safra, que deve atingir um recorde.
Analistas e produtores estimam que, como na temporada passada, a crescente produção deve ultrapassar a demanda em 2008, apesar de o consumo continuar a registrar recordes.
"A oferta mais do que compensou (o aumento na) demanda. E isso provavelmente vai se repetir (em 2008/09)", disse Julio Maria Borges, diretor da consultoria Job Economia.
Os baixos preços internacionais do açúcar, devido ao excesso de oferta, estão contribuindo com o aumento na produção de álcool, já que as usinas destinam mais cana para a produção do biocombustivel.
"Foi um ano de grandes ofertas, apesar da demanda (alta). As expectativas de exportações maiores não se materializaram. Esse álcool continua aqui", disse Mirian Bacchi, pesquisadora de cana da Cepea/Esalq.
Safra recorde – A safra 2008/09 de cana do Centro-Sul, que começou a ser colhida em março, deve ser 12% maior do que na temporada anterior. Ainda mais cana deve ser usada para a produção de álcool, já que os preços do açúcar continuam sem atratividade e 30 novas usinas de álcool entrarão em produção.
Mas um aumento das exportações para os Estados Unidos ainda neste ano pode dar suporte aos preços, disse Rodrigo Martini, consultor da empresa de gerenciamento de risco FCStone. Ele afirmou que os preços do álcool estão subindo no mercado norte-americano e podem absorver o excesso do Brasil.
"A partir de junho, quando começar a temporada de férias nos EUA, é possível que o Brasil possa ter uma janela de oportunidade", disse Martini.
A Unica também acredita que as exportações de álcool do Brasil vão subir nesta temporada, com apoio do aumento dos preços no mercado dos EUA. Martini disse ainda que, apesar do aumento nos EUA, as exportações brasileiras não são viáveis agora, especialmente considerando a recente apreciação do real contra o dólar.




