2008-10-31 10:13:00
É cada vez maior o número de menores – adolescentes e pré-adolescentes – viciados em drogas na fronteira Ponta Porã/Pedro Juan Caballero. A conclusão é possível diante do crescimento dos casos atendidos pelo Conselho Tutelar de Ponta Porã. Os conselheiros, em trabalho conjunto com a Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude, socorrem famílias que se encontram “reféns” dos filhos viciados, que furtam, vendem objetos, eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos para adquirir drogas, tornando-se quase sempre violentos quando não conseguem obter o que querem.
Infelizmente, na maioria destes casos a ação é quase que inócua, já que mesmo sendo encaminhado para tratamento, se o menor não tiver desejo próprio de abandonar o vício, ele acaba fugindo do tratamento e volta para casa, muitas vezes mais revoltado ainda. Ou, foge para lugares incertos e não sabidos. Por outro lado, têm crescido também as situações em que os próprios menores procuram o Conselho Tutelar, para pedir ajuda, porque querem deixar as drogas.
Ontem, a conselheira tutelar Iraci Garcia disse ao Jornal da Praça que, através da Promotoria de Justiça, eles têm conseguido encaminhar um número cada vez maior de jovens para tratamento em Campo Grande, onde permanecem internados na Clínica Recomeçando. Ali, os menores recebem tratamento psiquiátrico e psicológico, medicamentos adequados, alimentação orientada por nutricionista, preparador físico e o acompanhamento de médicos especializados.
MAUS TRATOS
Nos meses de junho e julho, quando o número de casos foi maior, o Conselho Tutelar chegou a registrar o atendimento e 8 menores viciados em drogas. É lógico, que a maior parte dos problemas neste setor nem chega ao conhecimento do órgão. A maior preocupação é com os menores de rua, que chegam a somar 15 a 20 jovens, “todos paraguaios”, como afirma a conselheira, jogados pelas praças e ruas de Ponta Porã.
Eles são vítimas de maus tratos no próprio seio familiar e acabam fugindo de casa. À noite, se forem encontrados perambulando pelas ruas de Pedro Juan Caballero, são mal tratados pela polícia. “Por isso, ficam do lado brasileiro da fronteira, onde se sentem menos vulneráveis”, comenta a conselheira.
“Mas, o problema parece não ter remédio. A gente recolhe, encaminha para o CREAS – Centro de Referência de Assistência Social – onde recebem banho, roupas limpas, alimentação e oportunidade de desenvolver atividades educacionais e recreativas. Basta dar uma piscada de olhos e eles desaparecem e voltam para as ruas. Quando é possível, são encaminhados ao Consulado do Paraguai em Ponta Porã. De lá, da mesma forma, logo logo estão nas ruas outra vez”, completou Iraci Garcia.
TRÁFICO
Outro número alarmante e que vinha preocupando o Conselho Tutelar, mas parece ter sido alvo e uma redução considerável nos últimos meses, foi registrado em maio último. “Foi uma avalanche de prisões de menores (todos paraguaios) servindo de mulas para o tráfico de drogas. Levando pequenas quantidades de cocaína ou crack, acabavam apreendidos pela polícia. Como não podem ficar sob custódia, a gente socorria e encaminhava para o Consulado para serem reconduzidos ao Paraguai. Em poucos dias, lá estavam os mesmos menores fazendo o chamado tráfico formiga, outra vez”, lamentou a conselheira tutelar.
ESTUPROS
O mês de outubro, que tem hoje o último dia, também chamou a atenção do Conselho Tutelar pela quantidade de estupros de menores. Cem por cento dos casos envolvendo membros da família, na maioria padrastos e até pais biológicos, vislumbra uma alarmante degradação do conceito familiar e a necessidade urgente da intensificação de programas sociais que recuperem o alicerce da família, a fim de que situações como essas não se repitam, pelo menos não com tanta freqüência”, concluiu.