2009-07-10 09:48:00
O País do Futuro
Pobre Brasil! A corrupção está vencendo a honradez por goleada. O país do futuro sempre à espera de virar super-potência ficou reduzido a, que vergonha, uma pedra pesada no caminho do desenvolvimento. A democracia expulsou os generais da ditadura, mas desgraçadamente os substituímos por outras excrescências, como PC Farias, Delúbio, Dirceu, Palocci, Renan e Sarney e que tais.
Todos os países têm seus corruptos, mas a tragédia brasileira é que, à ladroagem, somam-se a incompetência, o mau gosto e o egoísmo das chamadas classes dirigentes. Além, é lógico, da nossa lendária passividade, nossa incapacidade de nos indignar, assistindo essa chusma de farsantes que riem da nossa cara e da nossa impotência diante de seus desmandos. O que terá acontecido com o povo brasileiro para que tenhamos sido condenados a tamanho castigo? Por que ainda votamos nesses sanguessugas? Por que ainda toleramos um presidente conivente com todas as safadezas que foram cometidas diante de seu nariz e que simplesmente protegeu os safardanas?
Bem disse o senhor Esperidião Amin, que foi por duas vezes governador de Santa Catarina e prefeito de Florianópolis por duas ocasiões, além de senador. Político experiente, é conhecido também como um irônico frasista. Mas, certamente, sua melhor frase é a seguinte: “O pior atentado que se pode cometer contra Lula, além de alvejá-lo com um mortífero dicionário, é atirar-lhe uma Carteira de Trabalho.”
Traduzindo: se o presidente da República, que deveria dar o exemplo, é um semianalfabeto e tem aversão ao trabalho, o que se pode esperar do povão?
Por essas e outras é que durante as minhas recentes férias, fiz questão de não ler jornal ou assistir ao noticiário na televisão, para ver se eu dava um tempo, uma folga para meu “estado de espírito”. Mas, mesmo assim, foi inevitável ouvir um ou outro comentário a respeito do que anda acontecendo nesse Brasil Varonil, sobretudo em Brasília, a capital mais emporcalhada do planeta. Esses retalhos de notícias que ouvi não chegaram a ofuscar minha alegria de rever amigos e parentes no Rio e em São Paulo, mas me deixaram ciente de que eu teria muito que ler e escrever na minha volta ao trabalho, especialmente sobre a bandalheira que há anos se instalou no Senado.
No momento, estou me atualizando e tentando entender o que se passa no Senado. Por enquanto, sei o que já sabia há mais de trinta anos: José Sarney é um escroque de alta qualidade. Enriqueceu na política e nem é preciso ser muito inteligente para saber como.
A questão é que a Política Nacional, com menção honrosa para o presidente da República, é formada, em sua maioria, por uma súcia de indivíduos desclassificados, cujo objetivo é espoliar o pobre contribuinte. Talvez a maioria não saiba, mas mais de um terço do que produzimos e ganhamos vai para o bolso desses malandros.
Cada vez que compro uma fatia de mortadela ou tomo um cafezinho, sinto um Genoíno ou um Renan botando a mão no meu bolso, surrupiando o pouquinho que ainda me restou.
Mas se me falta dinheiro, me sobra indignação e desprezo por essa chusma de malfeitores que se apossou do Brasil. E a minha vergonha de ser brasileiro, cada dia aumenta mais. E não adianta alguém vir me dizer que se não estou satisfeito que me mude daqui. Não tenho mais idade e nem saúde para isso. Só restou a vontade.
Democracia!?!?
Em artigo para o Estado de S. Paulo no último dia 6, o filósofo Dennis Rosenfeld é bem claro na sua exposição: “O ‘golpe’ hondurenho foi feito sob injunção do Supremo Tribunal do país com o apoio do Legislativo.” O presidente foi deposto por desrespeito à Constituição, por se agarrar ao que a América Latina tem de pior: os arcaicos princípios antidemocráticos do sr. Chávez. E a diplomacia do Brasil, que se arvora em defensoria da democracia, presta vassalagem à ditadura cubana, nada diz sobre a carnificina no Sudão e está cheia de rapapés com o tirano líbio. É o “tupi or not tupi” de Oswald de Andrade que mais uma vez, tristemente, vem à tona.
Como sempre, o senhor Rosenfeld nos dá mais uma demonstração de equilíbrio e sabedoria. A verdade é que a palavra “democracia” vem sendo usada sistematicamente para justificar atos nada republicanos ou desabonadores. Chega de embromação!