2007-07-06 17:41:37
Saí fora Renan!
Todos os brasileiros, mais ou menos informados, sabiam que a composição da Câmara de Deputados em Brasília era um ninho de ratazanas, com as devidas exceções regulamentares.
Lá tem de tudo: corruptos aos borbotões, ladrões, sonegadores e até assassinos. Já a idéia que fazíamos do Senado era um pouco mais branda, pois talvez achássemos que aqueles vetustos senhores eram homens sérios e bem intencionados. São apenas (será?) oitenta um, três por cada estado. Ledo engano. São tão ou mais facínoras do que seus colegas da Câmara. Tendo como mestre de cerimônias o presidente da casa, Renan Calheiros, transformaram o Senado num circo, com vários picadeiros, mas com mais de 180 milhões de palhaços. Nós, o povo brasileiro.
A pantomima armada para “livrar a cara” do senador Renan Calheiros é uma das páginas mais vergonhosas da história da República. A teimosia do acusado em não se levantar da cadeira da presidência para se defender como homem é até entendível já que o pilantra falsificou notas, GTAs e toda sorte de documentos para se defender. Talvez tivesse sido melhor para ele aceitar a acusação de que um lobista pagava a pensão alimentícia de sua filha, ao invés de cometer o estelionato. Mas Renan nunca prestou e não seria agora que mudaria. O que mais impressiona em todo esse episodio vergonhoso é a inércia de alguns senadores e a veemência dos acólitos de Renan. Enquanto homens sérios como Jefferson Peres, Demóstenes Torres, Pedro Simon, Sérgio Guerra e até o Suplicy tentam dar alguma dignidade àquele circo os senadores Almeida Lima, Romero Jucá, Wellington Salgado, Valdir Raupp, Ideli Salvati (sempre ela) e o execrável Leomar Quintanilha tentam de todas as formas, sujas inclusive, defender o indefensável. Manobraram para devolver para a Mesa Diretora o processo contra Renan e se deram mal. A Mesa não acolheu e reenviou ao Conselho de Ética para as investigações que já deveriam estar terminadas e relatadas.
O distinto público já não suporta mais esse espetáculo deprimente, bancado às suas custas , com uma das maiores cargas tributárias do planeta e os canalhas se multiplicando no Congresso.
Na sessão de terça-feira Renan leu um comunicado afirmando que não renunciaria e tentou chamar a “ordem do dia” para comandar uma sessão que provasse que ele mantém a normalidade institucional da Casa. À revelia de Renan, pedindo sucessivas “questões de ordem”, o plenário debateu a situação política dele, que assistiu a um bombardeio de críticas.
Durante duas horas, a autoridade de Renan foi contestada por colegas dos mais diversos partidos, que se revezaram na tribuna para dizer que a crise política instalada no Senado abala a imagem da instituição e causa constrangimento a todos.
Dos 16 senadores que usaram o microfone, pelo menos 14 deixaram o presidente do Congresso na berlinda, disparando o mesmo recado: ele perdeu as condições políticas para permanecer no cargo, apesar das tentativas de dar um clima de normalidade às sessões.
O torto
O presidente da República tem uma tendência mórbida de defender bandidos, ladrões e peculatários. Em 1998 quando não tinha cargo eletivo algum, era somente o eterno candidato à presidência, foi até o Espírito Santos dar uma força a o “líder” dos sem-terra José Rainha Junior,que estava sendo julgado por homicídio e com sua presença exerceu pressão sobre os jurados que absolveram o réu.
Chegando à presidência, da mesma forma como trocou a cachaça Tatuzinho por whisky escocês, trocou também a categoria dos bandidos que apóia, estes estão mais “colarinho branco”. Cito três dos mais importantes como exemplo: Roberto Jefferson, José Dirceu e Antonio Palocci.
Agora tornou-se defensor do senador Renan Calheiros atolado até as orelhas, na acusação de ter suas contas pagas por um lobista.
O presidente não teve pejo, no afã de defender o correligionário indefensável, em atacar a Polícia Federal PF e o Ministério Público acusando-os de levar à execração pública acusados antes do julgamento .
Esqueceu Lula do delgado da PF Edmilson Bruno que, em setembro de 2006, prendeu um grupo ligado ao PT com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria usado para a compra de um dossiê contra tucanos. Sendo por esse motivo execrado pelo Partido dos Trabalhadores e punido pelo governo. Imaginem só, Bruno teve a ousadia mostrar provas que envolviam amigos do presidente que freqüentavam a Granja do Torto.
A residência presidencial promoveu no último final de semana a sua festa junina, nada mais apropriado que o nome “Arraiá do Torto”, em matéria de ética o presidente da República quase sempre está do lado torto. Quando não está “torto” por motivos etílicos.