2008-09-06 11:49:00
Criado há mais de 20 anos em Mato Grosso do Sul, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) tem a missão de realizar o policiamento ostensivo itinerante, preventivo e repressivo, em toda a área de fronteira seca do Estado com os países vizinhos Paraguai e Bolívia, abrangendo mais de 1.500 quilômetros de área de atuação.
Com sede na cidade de Dourados, no sul do Estado, o departamento está subordinado à Superintendência de Ações de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). É composto por policiais militares, na sua maioria, e também civis. A Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) funciona em anexo ao DOF e é responsável pela realização dos trabalhos de polícia judiciária da unidade.
Dentre as atividades desenvolvidas pelo DOF, destacam-se o patrulhamento ostensivo em áreas rurais dos municípios fronteiriços, combatendo o narcotráfico, contrabando, descaminho, furtos e roubos de veículos e cargas, abigeato (furto e roubo de gado) e os crimes peculiares à região, como os assaltos às propriedades e proprietários rurais, falsa comunicação de crime, como o “golpe do seguro”, entre outros.
Tendo como países vizinhos a Bolívia e o Paraguai, grandes produtores mundiais de cocaína e maconha, respectivamente, Mato Grosso do Sul acaba se tornando rota do tráfico de drogas e contrabando. As drogas e as mercadorias são despachadas por vias aéreas e terrestres, tendo como destinos finais nacionais os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, sendo que algumas cidades sul-mato-grossenses são utilizadas como entrepostos.
O coronel Joel Martins dos Santos, diretor do DOF, explica que, com a aplicação da Lei do Tiro de Destruição, vulgarmente chamada de Lei do Abate, que passou a vigorar em outubro de 2004 e permite às autoridades militares a derrubada de aeronaves consideradas suspeitas que adentram o território brasileiro, os traficantes mudaram as estratégias de transporte, passando a utilizar mais o transporte terrestre do que o aéreo.
Para não levantar suspeitas, os traficantes utilizam veículos de pequeno porte, e até bicicletas, realizando várias viagens, tática conhecida como “tráfico formiguinha”. “Fizemos um levantamento minucioso que determinou os pontos críticos de passagem desses produtos, sejam em estradas vicinais ou rodovias federais e com base nessas informações realizamos as operações de combate à criminalidade”, relata o coronel Joel Martins dos Santos.
O DOF conta também com o apoio operacional de aviões e helicópteros utilizados para o monitoramento de pistas de pouso, estradas vicinais, clareiras em matas e aeroportos clandestinos para fiscalização. Pelo ar, é possível localizar veículos pesados em estradas ermas: “no ano passado descobrimos 15 carretas carregadas de pacotes de cigarro contrabandeados escondidos em uma clareira na mata”, diz o coronel.
Estatísticas
No combate ao narcotráfico, somente no ano de 2007, até o dia 30 de novembro, o DOF apreendeu 14 toneladas e 114 quilos de cocaína, 32 mil esferas de haxixe, 22 quilos de pasta-base e quase 16 mil pedras de crack. Mais de 150 pessoas foram presas e indiciadas por tráfico de drogas pelo DOF e 30 veículos foram apreendidos transportando drogas; 39 armas de fogo foram apreendidas e 36 veículos foram recuperados após furtos ou roubos, quando estavam sendo levados para os países vizinhos.
Em relação ao contrabando, quase 12 mil CDs, mais de nove mil DVDs, mais de 190 mil pacotes de cigarros, 760 quilos de alho, 23.640 pneus, sete toneladas de grãos, mais de 58 metros cúbicos de madeira e quase 600 toneladas de agrotóxicos foram apreendidos este ano.
Os números das apreensões de drogas são relativamente maiores do que os anos anteriores. Exemplo disso é que em 2005 foram apreendidas poucos mais de oito toneladas de maconha; em 2006, pouco mais de sete toneladas e 600 quilos; e este ano foram 14 toneladas.
Recordes
Graças aos levantamentos do setor de inteligência, investigações e às ações de intensa fiscalização, o DOF realizou as duas maiores apreensões de drogas ao longo de sua história em 2007. Em julho foram apreendidas mais de cinco toneladas de maconha que estavam escondidas em caminhão tanque que ia de Coronel Sapucaia para o interior de São Paulo. Em setembro, foram apreendidos mais de 40 quilos de cocaína, em uma caminhonete que seguia de Corumbá para Campo Grande. Da Capital, a droga seria levada para os grandes centros urbanos do País.
“É um trabalho árduo e intenso, porém compensador. É muito importante contarmos com a ajuda da população, que pode utilizar o disque-denúncias, através do fone 0800 647 6300”, afirma o coronel.