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terça-feira, 26 de maio de 2026

Protesto contra portarias da Funai movimentou Amambai

2008-09-06 11:42:00

Vilson Nascimento

Centenas de pessoas, entre elas representantes da classe dos produtores rurais, da classe empresarial, da classe política e de entidades e seguimentos sociais de Amambai tomaram as ruas do centro da cidade na manhã desse sábado (6) para protestarem contra as portarias da Funai (Fundação Nacional do Índio) que autoriza a realização de estudos antropológicos em Amambai e mais 25 municípios do Estado em Mato Grosso do Sul.

A manifestação que aconteceu de forma pacífica e com grande adesão popular, apesar do clima frio, teve início às 8h da manhã e foi promovida pelo Sindicato Rural de Amambai em parceria com a ACIA (Associação Comercial e Empresarial de Amambai) e com respaldo da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul).

Durante ato público, produtores e representantes de seguimentos ligados ao agronegócio, principal fonte que movimenta a economia de Amambai e toda a região, fizeram explanações sobre o grande impacto econômico que o município, toda a região e o Estado sofrerão com a questão das demarcações para transformar terras, hoje cem por cento produtivas em reservas indígenas e terras improdutivas como ocorre atualmente com as áreas já destinadas à reserva indígena em toda a região.

Os manifestantes também fizeram questão de deixar claro, durante o ato, que o problema das demarcações não é exclusivamente da classe produtora que irá perder suas propriedades, cujas posses são legitimadas por documentação, mas de toda a sociedade de Amambai e região, já que as demarcações vão provocar o aumento desenfreado do desemprego, tanto no campo como na cidade, já que o comércio e boa parte da classe empresarial de Amambai e municípios da região sobrevivem por conta do agronegócio.

“Foi muito boa a passeata. Apesar do clima, tivemos um grande número de adesão. Surtiu o efeito que desejávamos”, disse o presidente do Sindicato Rural de Amambai, Christiano Bortolotto ao informar que outras manifestações dessa natureza deverão ocorrer nos próximos dias.

Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Amambai, Rodrigo Selhorst, a grande participação popular no ato que culminou com uma marcha a pé pelo centro da cidade, reflete a grande preocupação da população em relação à questão e diante a ameaça iminente de um colapso na economia local, caso as demarcações de fato ocorram. 

Região já vive clima de incerteza, diz Famasul

Durante ato público, que também foi realizado simultaneamente em outros municípios da região atingida pelas portarias, entre eles Iguatemi e Tacuru, a Famasul distribuiu panfletos alertando sobre os prejuízos que a região já vem sofrendo.
Segundo o órgão, as portarias da Funai já estão trazendo incerteza, insegurança e instabilidade para toda a sociedade Sul-mato-grossense.

De acordo com a Famasul negócios já foram cancelados, a desvalorização imobiliária já é realidade e contratos já foram interrompidos por conta da questão. Ainda de acordo com a Famasul “o terror” e os riscos de perda de suas propriedades fazem com que o produtor deixasse de investir e o setor produtivo ficasse estagnado.

Veja, na avaliação da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, a dimensão da área preiteada pela Funai para ser transformada em aldeias indígenas e o impacto que essas demarcações representarão para a economia do Estado.

Segundo a Famasul os 26 municípios representam;

* 22% da área territorial de Mato Grosso do Sul
* 1/3 da área economicamente aproveitável
* 28% da produção do Estado
* 60% da produção de alimentos
* 37% das exportações de MS
* 25% do Produto Interno Bruto (PIB) de MS
* 12.650 estabelecimentos econômicos
* 21% da mão de obra do Estado
* 16% da massa salarial de Mato Grosso do Sul

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