2008-11-05 12:49:00
Um grupo de trabalhadores rurais sem-terra estavam desde ontem a noite acampados em frente à sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) de Campo Grande e agora pela manhã invadiram o prédio. Eles protestam contra o que chamam de lentidão e descaso do governo federal para com a reforma agrária.
Em nota distribuída à imprensa os sem-terra ligados à CUT (Central Única dos Trabalhadores ), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura) dizem que a reforma agrária deve ser um programa público de governo para combater a concentração da propriedade da terra.
“Através da desapropriação e da indenização aos fazendeiros [o governo] organiza assentamentos, distribui a terra para famílias de trabalhadores e assim democratiza o acesso a terra, que é um bem da natureza e que deve estar a serviço de toda população, para gerar emprego, moradia, saúde, educação, produzir alimentos saudáveis, dar vida digna as famílias e não apenas servir uma minoria”, diz a nota.
Cerca de 500 sem-terra ocupam o Incra. Segundo Ronildo Lopes, um dos líderes do movimento, de um assentamento em Nova Alvorada do Sul, não há previsão para desocupar o prédio. Ele espera que os processos de aquisição e distribuição de terra sejam agilizados.
O superintendente do Incra, Flodoaldo Alencar, disse que não cabe mais a ele solucionar o caso. Ele considerou “abuso” a ocupação e aguarda que os sem-terra se manifestem. A única sala que ainda não foi invadida é a do superintendente; as demais estão ocupadas pelos sem-terra.
Os sem-terra levaram colchões, redes, barracas, preparam suas refeições na cozinha ou lancham na cidade.
Dados dos sem-terra dão conta que, desde dezembro do ano passado o Incra está paralisado, não houve avanço na gestão de Flodoaldo, que substituiu Luiz Carlos Bonelli (ligado ao PT) no cargo.
“Não foi assentada sequer uma família, enquanto que a meta era de assentar 4.360 famílias em 2008. Centenas de famílias estão em áreas de pré-assentamento esperando de um a dois anos o parcelamento da área por parte do Incra”.
Os sem-terra listam uma série de reivindicações: agilidade no processo de desapropriação e assentamento, parcelamento das áreas adquiridas pelo Incra, sobretudo o Complexo Santo Antônio; agilidade na liberação e aplicação dos créditos para aplicação, apoio, fomento e Pronaf; construção e recuperação de casas nos assentamentos, assistência técnica, entre outros.