2013-05-23 14:15:00
A mobilização é a forma que produtores rurais, políticos e empresários locais estão encontrando para pressionar o governo federal para impedir que o processo de demarcação continue em Mato Grosso do Sul. Duas reuniões em Amambai trataram sobre o assunto essa semana. A primeira aconteceu na segunda-feira, 20, às 19h30, no Thatersal do Parque de Exposições; e a segunda reunião aconteceu na Associação Comercial e Empresarial de Amambai (Acia), na terça-feira, às 19 horas.
Embora os produtores rurais avaliem que as mobilizações realizadas até agora – audiências públicas locais, mobilização em Campo Grande e em Brasília -, obtiveram resultados positivos, é importante não se acomodar. Até agora nada de oficial foi divulgado pelo Governo Federal, suspendendo ou revogando as medidas adotadas pela Funai (Fundação Nacional do Índio) em relação aos estudos demarcatórios. “Não existe nada de oficial sobre qualquer medida de suspensão sobre demarcação”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Amambai, Diogo Peixoto.
A reunião realizada com produtores rurais no parque de Exposições reuniu cerca de 300 produtores. O prefeito de Amambai, Sergio Barbosa e representantes do Legislativo estiveram presentes. Além de atualizar as informações sobre as demarcações e medidas que foram tomadas até agora, a reunião também serviu para mobilizar ainda mais os produtores. Uma das medidas foi levantar recursos para custear as despesas com as mobilizações, como viagens e alimentação.
ACIA
O mesmo foco foi tratado na reunião realizada na Acia na terça-feira. Com a presença do prefeito Sergio Barbosa e do presidente da Câmara, Carlinhos Nascimento, os empresários ouviram na Acia uma explanação sobre os impactos da demarcação na economia local e vídeos que mostram desapropriações em outras localidades do país e o drama vivido pelas famílias de produtores que tiveram que deixar suas propriedades à força. O caso da localidade Suia Missu, no Mato Grosso é o que chama mais a atenção. Cerca de 4 mil famílias foram obrigadas, diante de uma determinação judicial, a desocupar a área em dezembro de 2012.
O produtor rural e empresário de Amambai, Christiano Bortolotto é o presidente da Comissão de Assuntos Fundiários da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e falou aos empresários na Acia na última terça-feira. “Não existe nenhuma medida oficial tomada que suspenda os processos de demarcações em Mato Grosso do Sul e os prejuízos serão imensuráveis para toda a região”, afirma. Segundo Bortolotto alguns municípios da região podem perder mais de 50% do seu território para a demarcação. Amambai, por exemplo, tem cerca de 30 a 40% de sua área territorial na mira da demarcação.
Um exemplo do prejuízo econômico que esse processo causa nos municípios é a falta de investimentos. Bortolotto afirma que a localidade Três Barras em Amambai, onde é para ser instalalada uma usina de álcool, está dentro da área em estudo demarcatório, e com isso o município pode dar adeus ao sonho de ter instalada a sua usina de álcool, que geraria milhares de empregos e impulsionaria o desenvolvimento local. “É preciso que haja mobilização de todos. Não somos contra os índios, mas contra esse processo que não respeita as leis do País”, disse Bortolotto.









