O café colhido no Brasil pode ser vendido em reais, mas seu preço conversa o tempo todo com o mercado global. Em maio de 2026, o Cepea apontou queda de 8,7% na média mensal do café arábica, pressionada pelo avanço da colheita brasileira. Mas o mesmo produto também reage a dólar, estoques internacionais, clima em outros países produtores e contratos negociados em bolsas externas.
Produtos exportáveis têm preço formado por paridade internacional. Isso significa que o produtor compara quanto receberia vendendo no mercado interno com quanto poderia receber exportando. Se o dólar sobe, o preço em reais tende a ficar mais atraente para exportação; se a oferta mundial aumenta, os preços podem cair; se há quebra de safra em outro país, o Brasil pode vender mais caro.
O Cepea informou que o café arábica teve média de R$ 1.653,92 por saca de 60 kg em maio de 2026, queda de R$ 157,95 por saca, ou 8,7%, frente a abril. A pressão veio do avanço da colheita da safra 2026/27 no Brasil. Em junho, o Cepea relatou que chuvas em regiões produtoras interromperam quedas no café arábica, porque atrapalharam a colheita e reduziram pontualmente a oferta. O peso do mercado externo aparece também na soja e na carne: em maio, o agro exportou US$ 16 bilhões, a China comprou perto de 40% do total, e a soja em grãos foi o principal produto exportado pelo setor.
Um acontecimento fora do Brasil pode mexer no preço do alimento aqui dentro porque vários alimentos brasileiros competem no mercado global. Uma demanda maior da China por soja ou carne, uma quebra de safra de café em outro país, uma mudança no dólar ou uma queda nos estoques internacionais altera o preço de referência. O efeito chega ao produtor primeiro e depois pode alcançar indústria, varejo e consumidor.
Quando o mercado externo paga mais, parte da produção tende a seguir para fora, e o preço interno passa a disputar com o preço de exportação. Para o produtor, isso pode significar receita maior, principalmente quando o dólar está alto. Para quem compra no supermercado, porém, o efeito pode ser o contrário: carne, café ou derivados da soja ficam mais caros mesmo que tenham sido produzidos aqui. Ou seja, em produtos exportáveis, o preço no Brasil não depende apenas da oferta nacional, mas também de quanto o mundo está disposto a pagar por eles.








