2008-11-21 14:50:00
“Deu no New York Times”
Vocês se lembram daquele episódio em que um correspondente americano publicou uma matéria a respeito do hábito que o presidente da República, senhor Luiz Inácio Lula da Silva, tem de ingerir grandes quantidades de bebidas alcoólicas? O Lula ficou tão possesso com a reportagem, por sinal verdadeira, que tentou expulsar o repórter do país, numa medida inconstitucional – até porque ele é casado com uma brasileira – e arbitrária, própria dos anos da ditadura militar. O nome do jornalista é Larry Rohter e ele trabalhava como correspondente no Brasil para o New York Times, o jornal mais importante do planeta.
Atualmente, Rohter está vivendo
Na edição do Manhattan Connection no canal GloboNews de domingo passado, Rohter participou da mesa e num português correto e quase sem sotaque, explicou a matéria que tornou-se a principal – indesejada, segundo ele – da sua vida.
Sabedor de que sou “vidrado” nesse tipo de leitura, meu irmão, que mora
Para “lavar a honra” do presidente, foi finalizado um acordo em que o jornal não recuou um milímetro, mas saudou o fim do impasse. Como a fraqueza do presidente e do governo ficou evidente, o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, que, como servidor público, deveria defender os interesses do povo brasileiro e não do governo, quebrou o acordo e divulgou, antes do prazo estabelecido, que Larry Rohter havia se “retratado”, medida que o repórter sempre negou peremptoriamente e continua negando.
Na sua análise, Rohter admite que o presidente tenha ficado bravo com a matéria e realmente tentou expulsá-lo do Brasil. Mas, segundo ele, esse não foi o principal motivo e, sim, vários outros. Uma das razões foi a investigação que o repórter fazia sobre o assassinato do prefeito de Santo André, em janeiro de 2002 e até então não esclarecido. Realmente, é um enigma que a polícia ainda não tenha elucidado esse caso ou, na pior das hipóteses, tenha abafado por ordem de dirigentes petistas. Outra coisa que incomodou os petistas foi a descoberta de um esquema montado nas prefeituras administradas pelo PT para desviar dinheiro para o caixa dois da campanha presidencial, além de muitas outras falcatruas.
Acho que, meio desiludido, o americano encerra o capítulo afirmando que em termos morais e éticos, o Brasil não avançou, graças à convicção do PT de que o fim justifica os meio e que ele, ainda que de um modo muito pequeno e breve, tenha sido vítima disso.
Como sabemos, vivemos uma época de mentiras e bravatas.









