2008-10-29 14:48:00
O costume de se fazer churrasco no fim-de-semana está muito mais dispendioso ao campo-grandense. Nos últimos 12 meses, os cortes de carne bovina acumulam inflação de até 73,42%, conforme o IPC/CG (Índice de Preço ao Consumidor de Campo Grande) calculado pelo Nepes (Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais) da Anhanguera/Uniderp. Apenas em outubro, o preço da carne subiu até 7,28%. Entre os fatores que impulsionam a alta está a maior demanda mundial pelo produto – de janeiro a setembro, as exportações de carne bovina por Mato Grosso do Sul atingiram avanço de 765%.
A costela foi o corte que mais encareceu nos últimos 12 meses. Em novembro do ano passado, o consumidor de Campo Grande pagava o preço médio de R$ 3,65 pelo quilo da costela. Neste mês, o produto passou a pesar quase o dobro no carrinho do consumidor, sendo comercializado pela média de R$ 6,33. Apenas nas três primeiras semanas de outubro, a costela registrou alta de 7,28%, passando de R$ 5,90 (primeira semana do mês) para R$ 6,33 (terceira semana).
A agulha é o corte que apresenta a segunda maior inflação. Essa carne era vendida, em média, por R$ 5,61 em novembro passado e chegou a R$ 9,35 em outubro deste ano. A diferença relativa é de 66,67%. O preço médio da agulha era de R$ 8,92 no início do mês – a inflação, nessas últimas três semanas, é de 4,82%.
O campo-grandense também está sentindo, no bolso, a diferença no preço do fígado, que registra a terceira maior inflação em 12 meses, de 63,21%. Esse percentual resulta da diferença entre o valor médio deste mês (R$ 6,92) e o de novembro de 2007 (R$ 4,24). No entanto, desde o fim de setembro, esse corte começou a sofrer deflação. O preço médio de setembro era de R$ 7,22. Agora, o consumidor encontra fígado pelo valor médio de R$ 6,92. A queda é de 4,16%.
Os outros cortes que registraram inflação acentuada nos últimos 12 meses são: paleta (59,23%), músculo (54,90%) e peito (49,59%).
DEMANDA MUNDIAL – Conforme análise do professor Celso Correia de Souza, coordenador do Nepes, a alta do preço da carne se relaciona à maior demanda mundial pelo produto sul-mato-grossense. “Como Mato Grosso do Sul está exportando muito mais, sobra menos produto para atender a demanda interna. O resultado é a inflação da carne”. Ele também afirma que o evento da aftosa reduziu o rebanho do estado em razão da morte de muitas matrizes. “E ainda não conseguimos repor o plantel”, analisa.
A análise do coordenador do Nepes faz jus aos números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Conforme o Ministério, as receitas de Mato Grosso do Sul oriundas das exportações de derivados de bovino chegam a superar a casa dos 700% na comparação entre janeiro a setembro desde e do ano passado.
O produto que registrou o maior avanço nas exportações foi o fígado de bovino. De janeiro a setembro do ano passado, o Estado exportou US$ 80.367 em fígado. Neste ano, nos mesmos meses, a receita acumulada com as vendas externas desse produto chega a US$ 695.564. A variação resultante é de 765,48%.
A carne desossada de bovino (congelada) apresenta avanço relativo de 451,98% no volume arrecadado com as exportações. Em 2007, no período de janeiro a setembro, a receita total das vendas externas desse produto foi de US$ 45.838.988. Nos mesmos meses deste ano, as exportações de carne desossada de bovino somaram US$ 253.023.757.










