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domingo, 14 de junho de 2026

Editorial `Crise´ – por Clesio Ribeiro

2008-10-28 12:51:00

A crise mundial é o assunto econômico do momento em todo o Brasil. Nas ruas de Amambai também não é diferente. Do produtor rural ao vendedor de churrasquinho na praça, existe a preocupação com os efeitos da crise que se iniciou nos Estados Unidos e se alastra pelo mundo todo. O dólar em alta seria um bom atrativo para o comércio da fronteira, do lado brasileiro. Mas a escassez de dinheiro e o crédito com juros mais altos faz retrair o consumo.

Dizem que a mídia costuma exagerar quando o assunto é crise econômica. No entanto não é culpa da mídia a divulgação da crise mundial. Os comentários feitos por gente gabaritada no assunto, vinda lá dos Estados Unidos, fizeram derrubar bolsas em todo o mundo. Na última sexta-feira (24) declarações do ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Alan Greenspan,  dizendo que os Estados Unidos vivem um “tsunami creditício”, se referindo à falta de crédito, fez cair bolsas da Ásia, da Europa, de Nova Iorque e do Brasil.

Em Amambai, conversando com comerciantes dos mais variados ramos, observamos que a crise está sendo provocada principalmente pela falta de crédito. Um exemplo são as garagens de revenda de veículos novos e usados, que nos últimos anos se beneficiaram com a facilidade do crédito. A maioria dos carros vendidos é financiada; e com os juros altos e o crédito escasso, o consumidor anda meio sumido.

O Brasil experimentou um crescimento enganoso nos últimos anos, movido pelas facilidades de crédito. Qualquer um que tem o nome limpo na praça conseguia, até poucos meses atrás, fazer um financiamento no banco ou nas instituições financeiras. Em Amambai, vários pontos comerciais oferecendo empréstimos foram abertos. Muita gente endividou-se além da conta e agora terão dificuldades para saldar suas dívidas.

Se há alguns anos o brasileiro se acostumou a gastar o dinheiro que não era dele, agora, perdurando essa crise mundial que afeta também o Brasil, ele terá que reaprender a poupar, economizar e a gastar com cautela o que tem no bolso. Se persistir esse juro alto, acima de 2,5% e 3% ao mês para pessoas físicas, o mercado vai ficar desaquecido até que as pessoas comecem a saldar suas dívidas já contraídas.

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