2008-10-24 15:16:00
A crise internacional deve mesmo afetar uma das principais bases da economia brasileira – o agronegócio. Os reflexos já começam a ser sentidos, sobretudo no caso da indústria sucroalcooleira, a nova aposta para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já está atrasando a liberação de recursos para a construção de usinas. Outros projetos a serem financiados com recursos de fundos internacionais podem estar ameaçados, caso a economia não se normalize nos próximos meses.
Ao todo, segundo o governo do Estado, Mato Grosso do Sul tem 43 projetos de usinas, previstos para inauguração até 2018.
A crise preocupa até mesmo o berço da indústria da cana-de-açúcar, que é a região de Sertãozinho, em São Paulo. Produtores que formam a cadeia produtiva de agroenergia e de biocombustíveis de São Paulo se reúnem hoje em Sertãozinho para discutir com autoridades, lideranças e economistas a situação real da crise do setor, que já dá sinais de desaceleração de investimentos.
A queda no preço do petróleo e os pedidos de recuperação judicial de duas das maiores indústrias produtoras de etanol de milho dos Estados Unidos (Gate Way Ethanol e Greater Ohio Ethanol), aumentaram o grau de preocupação dos usineiros. Eles alegam que já vivem uma situação de inadimplência em razão dos baixos preços praticados nos mercados de açúcar e álcool nas duas safras mais recentes.
Em Dourados, o agropecuarista Celso Dal Lago disse nesta quinta-feira que a liberação de recurso do BNDES para a construção da Usina Dourados está atrasada. Ele constrói a usina para moer três milhões de toneladas de cana por ano, em Itahum, em sociedade com a Unialco, que já opera no interior de São Paulo. “É uma situação que nos deixa preocupados”, diz Celso. Na opinião dele, os projetos que dependem de recursos internacionais estão em situação muito mais problemática e devem ficar em compasso de espera.
A situação é critica em toda a cadeia do agronegócio, segundo Dal Lago. “Vai pegar todos os setores, não só o sucroalcooleiro, mas também a soja e o bovino”, diz sobre a crise. Mas, ele acredita que, se o mercado normalizar, todos os 43 projetos podem sair do papel. “O Estado tem terra e estrutura para isto; a cana está sendo plantada. O que está faltando mesmo são os recursos para as indústrias”, ressalta. Para construir uma usina do porte da de Dal Lago (médio/grande) são necessários em torno de R$ 400 milhões.








