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sábado, 13 de junho de 2026

Editorial `Papel da imprensa´ por Clesio Ribeiro

2008-10-24 13:16:00


O caso do seqüestro e morte da jovem Eloá gerou uma discussão sobre o papel da imprensa na cobertura de casos como esse. A senadora Marisa Serrano (PSDB) pediu uma audiência no Senado para discutir o assunto. Ela quer que representantes da mídia, ao lado de psiquiatras e psicólogos, debatam os limites que devem ser impostos nesse tipo de cobertura. Durante as 100 horas que durou o episódio, alguns canais de televisão fizeram plantão em frente ao local e transmitiram ao vivo. O desfecho do caso foi trágico.

O termo imprensa vem desde o século XV, quando Johannes Guttenberg inventou a prensa móvel e que a partir do século XVIII foi usada para imprimir jornais, que eram os únicos veículos jornalísticos existentes. De meados do século XX para cá surgiram outros meios de comunicação como o rádio, a televisão e a internet. O termo imprensa foi mantido para todos os meios de comunicação. E quando um segmento da imprensa comete um deslize, há uma generalização.

Mas falando sobre o caso do seqüestro de Santo André, alguns segmentos da imprensa, e cabe aqui destacar a Rede Record de Televisão, exageraram no trabalho de cobertura. Deram muito destaque ao caso, mantendo equipe de jornalistas permanente, com transmissão ao vivo, emitindo opiniões em seus programas e, que certa forma, contribuíram para pressionar o desfecho. No apartamento onde ocorreu o seqüestro, com certeza havia televisão ou rádio que levavam as notícias para o seqüestrador e as vítimas, aumentando assim a aflição. Além de pressionar uma ação rápida da polícia. As negociações foram prejudicadas.

Uma empresa de comunicação é um segmento comercial como outro qualquer. Tem suas obrigações trabalhistas, suas despesas operacionais e seus cuidados com os clientes e produtos. Para se manter no mercado é preciso trabalhar com responsabilidade e produzir algo que chame a atenção do leitor. O setor da imprensa vive de audiência. O problema é que nem sempre essa busca pela audiência é benéfica para a formação da opinião pública e de uma sociedade mais organizada.

Os desafios da imprensa são grandes. Não há liberdade de expressão, nem democracia, sem uma imprensa livre, que possa abordar quaisquer temas, mas claro, com responsabilidade. O papel do editor é buscar o equilíbrio permanente entre a excelência e integridade de suas publicações e a saúde econômica e financeira de sua empresa. Deslizes acontecem. No caso do seqüestro de Santo André, o excesso da mídia pode ter contribuído sim para um final trágico. Mas é um assunto a ser amplamente debatido. A proposição da senadora Marisa é plausível.

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