As chuvas intensas e os alagamentos que atingem diferentes regiões do Brasil trazem impactos que vão além dos danos materiais. Durante esse período, aumentam os riscos de infecções relacionadas ao contato com água contaminada, principalmente em áreas com enchentes, acúmulo de lixo e problemas de saneamento.
Entre as principais doenças no período de chuvas está a leptospirose, uma infecção que continua causando casos graves no país. De acordo com o painel epidemiológico do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 2.103 casos de leptospirose até 23 de setembro de 2025, com 164 mortes confirmadas (Ministério da Saúde, Situação Epidemiológica da Leptospirose, atualizado em 23/09/2025).
Além disso, poças de água acumulada também favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, enquanto áreas alagadas podem esconder objetos contaminados que aumentam o risco de acidentes com possibilidade de tétano.
Como o contato com água de chuva pode transmitir doenças
A leptospirose é uma das principais doenças transmitidas pela água durante períodos chuvosos. A infecção acontece pelo contato com água ou lama contaminada pela urina de animais, principalmente ratos, que carregam a bactéria Leptospira.
Esta pode entrar no organismo por meio de cortes, ferimentos ou pequenas lesões na pele. Além disso, a exposição prolongada da pele íntegra à água contaminada ou o contato com mucosas, como olhos e boca, também permite a penetração do microrganismo, conforme descrito pelo Ministério da Saúde.
A ocorrência da doença está relacionada principalmente a problemas de infraestrutura urbana, como falta de saneamento, acúmulo de resíduos e alta circulação de roedores infectados.
Por isso, andar descalço em poças d’água, atravessar enchentes ou limpar locais atingidos pela chuva aumenta os riscos. As enchentes facilitam a disseminação da bactéria e aumentam a chance de surtos.
Outra preocupação comum no período chuvoso é a dengue. O mosquito Aedes aegypti se reproduz em recipientes com água parada, onde deposita seus ovos. Em condições favoráveis de temperatura e disponibilidade de água, o ciclo completo do mosquito, do ovo ao adulto, ocorre em média entre 7 e 10 dias, segundo o Ministério da Saúde.
Já o tétano pode surgir após acidentes durante enchentes. Objetos perfurocortantes contaminados pela bactéria Clostridium tetani podem ficar escondidos pela água, aumentando o risco de ferimentos durante a limpeza de áreas alagadas ou retirada de entulhos.
Leptospirose: sintomas que aparecem depois do temporal
Os sintomas da leptospirose podem variar bastante, desde quadros leves até manifestações graves que exigem internação. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem dias após o contato com enchentes ou lama contaminada. Na fase inicial, os sintomas mais comuns incluem:
- Febre;
- Dor muscular, principalmente nas pernas;
- Dor de cabeça;
- Falta de apetite;
- Náuseas e vômitos;
- Cansaço intenso;
- Dor nas articulações.
Também podem surgir diarreia, tosse, sensibilidade à luz, dor nos olhos e vermelhidão nos olhos.
Nos casos mais graves,a doença pode evoluir para a síndrome de Weil, complicação caracterizada pela tríade de icterícia de tonalidade intensa, insuficiência renal e hemorragia, mais comumente pulmonar, conforme descrito pelo Ministério da Saúde. Além disso, também podem ocorrer problemas respiratórios importantes, com sangramentos pulmonares e dificuldade para respirar.
Qualquer sintoma após contato com água de enchente ou solo alagado deve ser avaliado por médico imediatamente; não aguarde piora do quadro.
Quando procurar médico e por que não esperar melhorar sozinho
Ao suspeitar de leptospirose, a recomendação é procurar atendimento de saúde. Nos casos leves, o acompanhamento pode ocorrer sem internação, enquanto situações mais graves exigem avaliação hospitalar para reduzir o risco de complicações.
Além da leptospirose, o contato com água e solo contaminados em áreas de enchente também favorece infecções por protozoários como giardíase e amebíase. Para essas condições, o metronidazol figura entre os antiparasitários previstos no Guia de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Ministério da Saúde, sempre sob prescrição médica.
É importante salientar que nenhum medicamento deve ser usado sem prescrição médica. A automedicação em casos de leptospirose e infecções similares pode mascarar sintomas e agravar complicações renais e hepáticas.
Alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de contaminação. A prevenção das doenças no período de chuvas depende principalmente de evitar o contato com água contaminada e reduzir os fatores que favorecem a transmissão. Entre as principais medidas estão:
- Evitar pisar descalço em poças, lama ou áreas alagadas;
- Usar botas e luvas de borracha ao limpar locais atingidos pela chuva;
- Manter caixas d’água fechadas e higienizadas;
- Evitar o acúmulo de água parada em recipientes, prevenindo criadouros do mosquito da dengue;
- Descartar corretamente o lixo;
- Guardar alimentos adequadamente.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Ao apresentar sintomas após exposição a áreas alagadas, procure imediatamente uma unidade de saúde e informe o histórico de contato com enchentes.
Fonte: Divulgação












