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sábado, 13 de junho de 2026

Educação pós-moderna, por Rogério Lemes

2012-05-09 03:15:00

A Escola é uma instituição permanente que desempenha uma função social importantíssima: a formação de cidadãos críticos com habilidades para atuar em instituições, entidades e empresas interagindo, eficientemente, na resolução de conflitos de forma racional e humanizada.

A Escola também é o primeiro espaço conflitante de interações individuais. Até os primeiros anos de vida de uma pessoa os ensinamentos familiares são repassados de maneira impositiva, com intuito de que, em situações adversas, o indivíduo tenha condições suficientes de, pelo menos, garantir sua sobrevivência, na pior das hipóteses. A convivência com as diferenças é uma das principais causas de reações violentas e traumáticas para os atores sociais em desenvolvimento.

Algumas manifestações são externas, em forma de agressões físicas. Outras são verbais; invisíveis, aparentemente. Porém, todas elas têm por finalidade valorar e sobrepor o etnocentrismo subjetivo, devidamente influenciado pelo modelo cultural recebido na infância e reproduzido ao longo das interações sociais.

Os alunos dos anos 80, por exemplo, são muito diferentes dos alunos atuais, por vários motivos: o estilo musical; as concepções cosmológicas; a gastronomia; a percepção de tempo e espaço; o modo de consumo; o método de aprendizagem e tantos outros fatores que se transformam com o ‘tempo’. No entanto, uma questão importante para se pensar não é um modelo classificatório ou comparativo, colocando aqueles superiores a estes, mas sim, sobre o significado de conceitos conhecidos como “educação” e “emancipação” que temos hoje.

Em sistemas governamentais despóticos, a Escola sempre foi considerada subversiva e ameaçadora à ordem pública. No espaço do conhecimento e do saber os alunos, teoricamente, gozam de liberdade para produzir novos conhecimentos, de forma a promover ingerências na dinâmica social, transformando-a para melhor. Esses alunos, ao passo que adquirem conhecimento, naturalmente, questionam (ou deveriam) as ações estatais, principalmente, com os gastos do dinheiro público.

Nem sempre tais posicionamentos dissidentes, por mais bem intencionados na garantia de benesses coletivas, são vistos com bons olhos por aqueles que estão no poder. Muitos foram e continuam sendo sufocados pelo discurso de um “mundo melhor”. Outros perderam a coragem e não contribuem mais para a construção e aprimoramento da Justiça, enfraquecendo o espaço público.

A aculturação de um sistema acumulativo de bens materiais, em todas as manifestações da pós-modernidade, formata o pensamento dos indivíduos de forma a valorizar mais a ‘informação’ do que o ‘conhecimento’. A rapidez das informações impulsiona a supervalorização da “identidade-eu”, que individualiza e classifica pela quantidade do acúmulo material, independente da formação escolar. Um bom fator para pensarmos a evasão escolar e os consideráveis índices de reprovações de bacharéis em todo o Brasil.

ROGÉRIO FERNANDES LEMES
Sociólogo – Reg. MTE nº. 163/MS
e-Mail: [email protected]

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