22.2 C
Amambai
quinta-feira, 9 de julho de 2026

O triste fim da suinocultura em Amambai

2009-07-20 11:09:00

Antonio Luiz

No final do mês passado, alguns suinocultores do sul do Estado louvaram o governador André Pucinelli pela criação do programa “Leitão Vida”, que é apenas uma reedição do programa “Leitão Ouro”, idealizado e criado no governo Pedrossian  junto com a Associação Sul-mato-grossense de Produtores de Suínos, quando o presidente era o suinocultor amambaiense Cláudio Agostini. Realmente este programa tem seus méritos e tem colaborado efetivamente em alguns aspectos da suinocultura sul-mato-grossense, sobretudo aos criadores integrados – aqueles que criam matrizes de grandes companhias, como a Sadia ou a Seara. Mas, no geral, o programa não auxilia em nada os suinocultor, segundo o produtor amambaiense Claudir Agostini,  há 19 anos no mercado.

Essa introdução serve para alertar a comunidade amambaiense de que dentro de muito pouco tempo não haverá mais criações de suínos no município e teremos que importar, o que efetivamente terá como consequências um provável desabastecimento e o encarecimento do produto.

Agostini garante que dentro de mais ou menos oito meses terá liquidado seu criatório, hoje composto de 160 matrizes. A razão é simples: apesar de obter excelente produtividade na sua atividade, Agostini amarga prejuízos todos os meses nos últimos tempos. Tem sido obrigado a desviar dinheiro de outras atividades para cobrir o déficit causado pelos suínos. Mesmo assim, ainda mantém uma dívida altíssima junto a fornecedores, pois o valor da pauta – valor que o Governo estipula para a taxação de ICMS – é muito superior ao valor que se consegue no mercado. E a isenção, que seria o beneficio do programa “Leitão Vida”, não é considerada em outros estados. Ou seja, o estado que mais consome, o mais importante e o mais rico, que é São Paulo, simplesmente não compra do Mato Grosso do Sul, pois não mantém convênio de ICMS. No mesmo caso encontram-se o Paraná e quase todos os estados da federação, exceções feitas a Minas Gerais e Goiás, que compram muito pouco ou quase nada.

Atualmente a pauta estabelecida pelo Governo do Mato Grosso do Sul é de R$ 225,50 para vendas interestaduais. No entanto, o produtor consegue vender por cerca de R$ 180, um diferencial 25 por cento menor.

Em alguns estados, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os governos estabeleceram até pauta zero, para que o produto fosse comercializado e os produtores não tivessem prejuízos.

Mas não é apenas o sr. Claudir Agostini que, com o coração partido, liquidará sua criação. Outros poucos que restaram seguirão o mesmo caminho. Dos mais de vinte criadores, todos endividados,  que haviam no município, não ficará um. Talvez apenas o empresário Carlos Alberto Signori, o ‘Chico do Ki-Carne’, que deverá manter uma pequena criação apenas para suprir seu supermercado.

Para completar a série de infortúnios dos pobres suinocultores, ainda chamaram a tal Gripe A (H1N1) de ‘gripe suína’ – que nem é tão letal como se apregoou no início – o que somente serviu para desacreditar a população em relação à carne suína, o que acabou por causar mais problemas aos produtores.

É o triste fim de um ciclo.

Leia também

Edição Digital

Jornal A Gazeta – Edição de 09 de julho de 2026

Clique aqui para acessar a edição digital do Jornal...

Enquete