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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Editorial “Dia do Índio” por Clesio Ribeiro

2009-04-22 13:18:00

A demarcação de terras é o principal tema para reflexão no Dia do Índio. Isso porque envolve diretamente os interesses das demais comunidades, dos chamados ‘brancos’. Há pelo menos um ano, esse assunto vem ganhando proporções muito preocupantes no nosso Estado e, principalmente, na nossa região sul. A aproximação entre os dois povos (integralização) como defendem alguns especialistas no assunto, ficou mais distante após esse impasse. Enquanto essa questão não for resolvida, a convivência pacífica e integralizada fica mais distante.

De um lado, existe o romantismo da situação: um povo que habitava essas terras há centenas de anos e que hoje vive confinado em pedaços de terras, crianças que morrem por desnutrição, suicídios, alcoolismo, vícios, prostituição e a vontade de ter uma vida melhor. Do outro, as ações concretas que vêm sendo desenvolvidas. E é aí que encontramos muita hipocrisia e interesses obscuros.

Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do país, com quase 70 mil índios que vivem em 74 aldeias em 28 municípios. Amambai e vários municípios da região são habitados por grande parte dessa população; portanto, são municípios onde o assunto merece muita atenção e, principalmente, precisam de ações concretas que visem melhorar a vida dessas comunidades. A primeira região no ranking nacional é Amazonas e a terceira é Roraima.

A Funai (Fundação Nacional do Índio) foi criada em 1967 para definir políticas de proteção às comunidades indígenas brasileiras. De lá para cá, foram demarcados alguns pedaços de terras para que as comunidades vivessem em paz e, junto com órgãos públicos, como governos Federal e Estadual e municípios, vem desenvolvendo ações de cunho social (mais por força dos governos Estadual e Municipal, do que por uma ação integrada), mas não consegue avançar na questão da independência indígena.

O sistema mantém o índio sempre tutelado e totalmente dependente. Tão dependente que, nesta questão da demarcação de terras, os principais interessados (os índios) não sabem realmente o que isso poderá trazer de benefícios (se é que trará). Mais terras não quer dizer mais qualidade de vida. Interesses obscuros cercam essa questão indígena e muitas organizações se intitulam defensoras da causa, de forma irresponsável, provocando cada vez mais o distanciamento entre os dois povos (brancos e índios). A questão indígena precisa ser tratada com mais clareza, com mais união de todo mundo e sem interferência de aproveitadores.  O 19 de Abril perde importância diante de tantas questões que precisam ser solucionadas ao longo dos outros 364 dias do ano.

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