O avanço das chuvas sobre o Sul do país aumenta a atenção em torno da safra de trigo, que atravessa uma fase importante de desenvolvimento. O excesso de umidade nos próximos meses pode afetar o rendimento das lavouras e a qualidade dos grãos, já que a colheita costuma começar em outubro.
A Ampere Consultoria vê com preocupação o cenário no Paraná e no Rio Grande do Sul, estados que concentram a maior parte da produção nacional. Segundo a agrometeorologista Amanda Balbino, anos de El Niño elevam o risco de perdas de produtividade e, principalmente, de qualidade. O fenômeno, que começa neste mês, tende a aumentar a frequência de frentes frias e favorecer volumes maiores de chuva.
As previsões indicam acumulados acima de 70 milímetros na segunda quinzena de julho entre o Rio Grande do Sul e o centro-sul do Paraná. No estado paranaense, situações semelhantes já causaram prejuízos. Em 2015, as chuvas durante o florescimento e a colheita reduziram a produção em cerca de 8% frente à safra anterior, conforme a Conab. Em 2023, o volume ficou aproximadamente 17% abaixo do potencial inicial, com perdas ligadas ao avanço de doenças e à chuva persistente na colheita.
No Rio Grande do Sul, a safra de 2015 também sofreu com o excesso de umidade. Houve germinação dos grãos ainda na espiga, queda no peso e aumento das impurezas. Em várias áreas, a qualidade ficou abaixo do padrão industrial, enquanto a produtividade caiu de 40 a 60 sacas por hectare, nas lavouras colhidas em setembro, para cerca de 15 sacas nas áreas colhidas após as chuvas intensas de outubro.
A consultoria destaca que o impacto pode ir além do volume produzido. A umidade favorece doenças, dificulta a colheita e amplia a ocorrência de grãos ardidos e germinados, prejudicando a comercialização.










