2009-03-03 14:20:00
Oito dos 78 municípios sul-mato-grossenses não possuem um delegado próprio da Polícia Civil. Pior que isso: em cinco cidades, além de não ter delegado, não há por lá nem sequer uma delegacia. Embora pequenas, juntas essas regiões contam com cerca de 55 mil habitantes.
O diretor do Departamento de Polícia do Interior DPI), o delegado Marcelo Vargas, disse que o comando da instituição se “vira como pode” para escapar da necessidade.
Ele informou que um concurso público vai selecionar 35 delegados até dezembro deste ano. “Ainda assim, o quadro de delegados deva ficar defasado. Hoje trabalhamos com 50%, 60% do efetivo ideal”, disse o diretor.
Para ele, Mato Grosso do Sul precisaria de ao menos 300 delegados e ainda assim trabalharia no “limite”. Hoje, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, o Estado possui 225 delegados na ativa. Não possuem delegacias essas regiões: Novo Horizonte do Sul, Alcinópolis, Figueirão, Laguna Caarapã, e Paraíso das Águas, esta última ainda na condição de distrito e com processo em andamento para se tornar município.
Sem delegados, listam as cidades de Iguatemi, Inocência e Sete Quedas.
Em Inocência, atuam na região um juiz e um promotor de Justiça, mas a localidade não possui nenhum delegado.
O magistrado só toca um processo criminal, quando provocado pelo promotor. E o promotor, só começa a agir numa investigação, quando o delegado prepara o inquérito policial, num caso de assassinato, como exemplo. Isto é, sem delegado não há investigação. Marcelo Vargas admitiu que a deficiência retarda a apuração criminal, contudo ele suaviza o episódio ao garantir que nenhum crime deixa de ser apurado.
Delegados se deslocam por trechos de até 200 quilômetros quando acionados para cuidar da segurança dos municípios sem delegados.
Em Inocência a situação deve ser reparada logo, segundo Vargas. Contudo, o delegado que vai para lá atua hoje em Santa Rita do Pardo, cidade que vai ficar sem o seu delegado.
“Isso é bastante complicado, mas ainda assim as diligências têm sido aplicadas”, disse o policial. Em Laguna Caarapã, cidade situada a 295 quilômetros de Campo Grande, dois policiais civis cumprem expediente numa sala apertada do prédio da Polícia Militar.
O município possui cerca de 6 mil habitantes e um delegado aparece por lá só quando é registrado um caso tido como grave.
Em Iguatemi, a 460 quilômetros de Campo Grande, na fronteira com o Paraguai, a situação é igual para os 15 mil habitantes.
Lá, só um agente cuida da segurança. Duas semanas atrás uma paróquia da cidade fora invadida, o padre agredido e os criminosos levaram R$ 32 mil, como relata material publicado em notícias relacionadas, logo abaixo. Até agora, os bandidos não foram localizados.










