2008-11-25 13:46:00
Os sul-mato-grossenses mais pobres moram na região sul, na faixa de fronteira com o Paraguai. Nessa região, concentram-se os piores índices relativos à educação, ao trabalho, à renda, à infância e à moradia, conforme o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social). O termômetro usado pelo Ministério para mensurar a miséria é o IDF (Índice de Desenvolvimento Familiar), cujo resultado foi divulgado nesta segunda-feira (24). Dos sete municípios com IDF abaixo de 0,5, seis situam-se no sul do Estado e/ou na divisa com o Paraguai. Na média geral, Japorã e Paranhos, no extremo sul, são os mais pobres entre os mais pobres.
O IDF é montado a partir do Cadastro Único, que traz informações sobre as famílias assistidas pelo Bolsa Família. Esse índice varia de zero (situação muito ruim) a um (situação muito boa) e considera cinco variáveis: vulnerabilidade das famílias, acesso ao conhecimento, acesso ao trabalho, disponibilidade de recursos, desenvolvimento infantil e condições de habitação. Com índices baixos nessas variáveis, Paranhos e Japorã registram IDF de 0,44, o pior de Mato Grosso do Sul. Os demais municípios com IDF abaixo de 0,5 são: Ponta Porã (0,46), Tacuru (0,46), Coronel Sapucaia (0,48), Aquidauana (0,48) e Amambai (0,49).
Os pouco mais de 11 mil habitantes de Paranhos, cidade a 470 quilômetros de Campo Grande, convivem com os piores índices, apresentados por Mato Grosso do Sul, em relação a trabalho e desenvolvimento infantil. Japorã, numa distância semelhante da Capital (472 quilômetros) e com uma população pouco superior a 7 mil pessoas, tem a moradia mais precária do Estado. Essas duas cidades dividem com Selvíria, Sete Quedas, Ponta Porã, Aquidauana, Miranda, Japorã e Jaraguari os piores resultados para cada variável.
Em se tratando de acesso a conhecimento, Japorã (0,23), Paranhos (0,27) e Sete Quedas (0,25) tem os menores índices. Esse item considera a presença de analfabetos oo pessoas com menos de quatro anos de estudo na família. Como Japorã e Paranhos, Sete Quedas se situa no extremo sul do Estado, fazendo divisa com o Paraguai.
A situação de acesso a trabalho – quantidade de pessoas ocupadas com rendimento acima de um salário mínimo –, é muito crítica em Paranhos, Ponta Porã e Porto Murtinho. Essas cidades (as duas últimas também são fronteiriças) têm uma quantidade ínfima de pessoas empregadas e com carteira assinada. Os três municípios têm índice de acesso a trabalho de apenas 0,01.
A escassez de recurso também atinge outras partes do Estado que não o sul e a fronteira. Conforme o MDS, Aquidauana, região central, e Selvíria, no leste, têm os piores índices em relação à disponibilidade de recursos – esses índices são, respectivamente, de 0,44 e de 0,48.
A infância é mais sofrida em Paranhos e em Miranda (região oeste). Segundo o MDS, essas duas cidades têm índice de 0,64 em se tratando de desenvolvimento infantil.
Na avaliação do MDS, a situação de habitação mais crítica tem lugar em Japorã (com índice de 0,44 nesse item), em Jaraguari (0,50), no centro, e Itaquiraí (0,53), no sul.
Nenhum município de Mato Grosso do Sul tem IDF igual a 1,0. O maior índice é de 0,58 e pertence à Itaporã. O IDF da Capital é 0,55.










