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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Periscópio `Renan II, O Retorno´ – por Antonio Luiz

2008-11-07 21:41:00

Renan II, O Retorno – A revista Veja desta semana traz uma reportagem cujo teor é o incontido desejo do senador e “pecuarista” alagoano, Renan Calheiros, de voltar aos holofotes do poder. Tivéssemos políticos mais sérios e Renan não teria sido apenas desalojado da presidência do Senado, mas defenestrado do Congresso por quebra do decoro parlamentar. Mesmo tendo um currículo respeitável de acusações, como corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, exploração de prestígio e sonegação fiscal, Renan ainda se sente leve e solto para alçar novos vôos, até porque conta com a conivência de boa parte dos seus pares, especialmente do senhor José Sarney, aquele que é senador pelo Amapá sem nunca ter vivido lá. Coisas desse Brasil varonil cujo brado retumbante da população indignada nunca é ouvido.

Segundo o jornalista Chico Bruno, “Para entender o que se passa entre os senadores Renan Calheiros e José Sarney é preciso retroceder a janeiro de 2003, quando ambos disputavam a cadeira de presidente do Senado. A solução encontrada pelo xerife do governo Lula, à época, José Dirceu, foi celebrar um acordo de cavalheiros. Sarney presidiria o Senado nos dois primeiros anos da era Lula e Calheiros os dois últimos. Feito o acordo, nenhum devia nada ao outro. Até que em dezembro de 2005, o senador José Sarney necessitou dos préstimos de Renan, que ocupava a cadeira de presidente do Senado. Era um favorzinho besta, dar velocidade à perda do mandato do senador João Capiberibe, que tinha tido a ousadia de sair em socorro do governador do Maranhão, José Reinaldo, para que o Senado aprovasse um empréstimo engavetado por Sarney, quando presidente no biênio 2003/2004.

Pensando no futuro, Renan aquiesceu ao pedido de Sarney. Em velocidade de fórmula 1, o alagoano atendeu à risca a solicitação. Capiberibe foi sumariamente expurgado da Casa, apesar dos protestos de mais de cinco dezenas de senadores, que queriam dar o direito de defesa, ao senador do Amapá, compatível com as desconfianças do ato perpetrado no STF, pois o presidente Nelson Jobim votou contra o réu para desempatar a questão, quebrando uma norma secular.

Posto isso, está claro que Sarney ficou devendo uma a Calheiros. Ao surgir o Caso Mônica, o senador alagoano bateu à porta da mansão do maranhense e apresentou a fatura. Era chegada a hora do pagamento.

Sarney pagou a fatura, ajudando Renan a escapar da cassação do mandato. Claro que foi uma operação difícil, que requereu convencer o Planalto e o PT da necessidade de manter Renan no Senado.

Em sessão secreta, facilitadora do cumprimento da absolvição, Renan e Sarney ficaram quites. Um não devia nada ao outro. Eles zeraram o jogo novamente.

Agora, com a vitória do PMDB nas eleições municipais, os dois estão juntos na empreitada de aumentar suas participações pessoais no governo Lula, preferencialmente abocanhando a Infraero e o Ministério da Justiça, numa operação que passa pelo deslocamento de Jobim das Selvas para o lugar de Tarso e a colocação de Aldo Rebelo, amigo-irmão de Renan, no lugar de Jobim das Selvas.

Um plano engenhoso, no qual a eleição para a presidência do Senado é apenas pano de fundo para as pretensões de Renan e Sarney”. 

E assim caminha a nossa nação para seu futuro grandioso. 

Índio Sacana – O índio Jones Crixi, mais conhecido como Caru, da Aldeia Cayabi, em Juara/MT, ‘sem-vergonhamente’ vendeu os votos da sua aldeia para o candidato a prefeito Alcir Paulino, que venceu as eleições. Depois tentou negociar com o outro candidato, Oscar Bezerra, que gravou uma das conversas entre o índio e sua secretária. Denunciado, Caru foi intimado e prestou depoimento ao Ministério Público, onde confessou ter vendido votos e detalhou os pormenores. Ele prestou depoimento na Polícia Federal no dia 13 de outubro, onde contou em detalhes como negociou os votos e pediu proteção da Funai por temer pela sua vida. Segundo o índio, o comprador dos votos de sua tribo não iria gostar das denúncias feitas e costuma matar, palavras dele denunciando o deputado estadual José Riva, padrinho político do candidato que comprou os votos.

Pois bem, o índio está em Brasília sobre os cuidados da Funai. Ele não responderá pela sua safadeza, pois é inimputável. Ele pode cometer delitos, mas não pode ser responsabilizado por eles. Uma vergonha da legislação brasileira.

O processo está correndo como batata quente nas mãos do Judiciário. Um mês depois da eleição e ninguém pega a coisa para investigar. Parece que estão todos com medo das coisas que o índio contou. Até o juiz sumiu da cidade.

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