2008-10-31 05:41:00
Trabalhadores rurais sem-terra prenderam fiscais do governo e ameaçaram queimar terras de brasiguaios (produtores agrícolas brasileiros) nesta quinta-feira (30) em mais um episódio de tensão no Paraguai.
Um grupo de camponeses reteve três agentes fiscais, dois policiais e o motorista de uma comitiva que tentou intervir em um conflito entre camponeses e colonos brasileiros em Yasy Cañy, perto da cidade de Capiibary (cerca de 350 quilômetros ao nordeste da capital Assunção).
Os fiscais e os agentes foram libertados duas horas depois. A Promotoria de Curuguaty, à qual pertencem os agentes, informou que espera a chegada de reforço policial para iniciar a busca dos responsáveis.
O Ministro do Interior, Rafael Filizzola, anunciou que viajará nas próximas horas à região após uma reunião com José Ledesma, o governador do Departamento (Estado) de San Pedro, centro do país e a área mais conflituosa.
O governador apóia as reivindicações camponesas e afirmou que muitos fazendeiros brasileiros não respeitam as leis ambientais e cultivam soja "até na estrada".
Brasiguaio – O empresário catarinense Tranquilo Fávero, um dos principais produtores agrícolas do Paraguai, pediu justiça às autoridades e disse que o sítio o qual os camponeses ameaçam queimar está cheio de trigo, milho e outros grãos, com um investimento de US$ 5 milhões.
"Quero justiça, estou no Paraguai há 40 anos. Acho que estou fazendo algo de bom", afirmou Fávero a emissoras de rádio, ao criticar os sem-terra.
Os camponeses argumentam que, no passado, grandes extensões de terra foram cedidas ou arrendadas a pessoas não submissas à reforma agrária, entre elas brasileiros, e que, além disso, as plantações mecanizadas, como a da soja, destroem as florestas e poluem o meio ambiente.
A fazenda ameaçada de Fávero fica no distrito de Capiibary. Na região, os sem-terra tentam impedir o início da semeadura de soja da colheita 2007-2008.
Governo – Em resposta de apoio aos brasiguaios, o presidente em exercício Federico Franco afirmou que "o governo garante o direito à propriedade privada e o direito dos produtores a semear em suas terras. Além disso, está tomando todas as medidas condizentes para tornar efetivo esses direitos".
A nota oficial destaca que "a violência não é nem será aceita sob nenhum conceito como um mecanismo para reivindicar direitos ou exigir soluções".
Por outro lado, garante que o governo "fará cumprir todas as normas ambientais, cuja vigência reivindicam os movimentos camponeses e outras organizações sociais".









