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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Amambai: Crise mundial também se reflete em Financeiras

2008-10-03 10:15:00

Suzana Machado

A crise financeira nos Estados Unidos, com reflexos no mundo todo, acertou em cheio o setor de empréstimos consignados, que já há alguns anos vêm sendo muito utilizados no Brasil.

Na capital sul-mato-grossense, algumas corretoras de crédito estão demitindo funcionários e buscando outras alternativas para superar o momento delicado.

Em Amambai, os reflexos da crise também estão sendo sentidos pelas empresas que trabalham com empréstimos financeiros, principalmente os consignados (com desconto na folha de pagamento).

De acordo com Carlos César da Silva Santos, que trabalha na Credbai, alguns bancos suspenderam as atividades relacionadas ao setor de empréstimos, esperando pelas decisões que estão sendo tomadas nos E.U.A, como o pacote de ajuda financeiro de US$ 700 bilhões, aprovado nesta quarta-feira pelo Senado dos Estados Unidos.

“A crise nos afetou sim; prova disso foi a diminuição no movimento, que se acentuou mais no mês passado, quando a crise estourou mesmo”, acrescenta Carlos César.

Segundo Carlos César, o empréstimo consignado acabou se tornando a menina dos olhos do setor de crédito. “O empréstimo consignado é bom para todo mundo. É uma operação praticamente sem riscos para os bancos, porque é descontado direto da fonte, ou seja, da folha de pagamento. Outro fator atrativo são os juros, que podem chegar até 2% ao mês, bem mais baixos do que outros tipos de crédito, onde o cliente pode chegar a pagar de 8% a 10% ao mês.”

Para Carlos César, as conseqüências dessa crise poderão ser medidas com mais precisão para o setor em Amambai no mês de outubro. “Outubro vai ser o termômetro. Vamos ver como o mercado vai reagir com as decisões tomadas nos E.U.A. durante esta semana. Mas o balanço que dá para se fazer até o momento é que, já no mês de setembro, sentimos uma queda de 40% na movimentação financeira da empresa.”

“Alguns bancos já estão trabalhando com a redução do número de parcelas nos empréstimos; eles não estão querendo realizar nenhuma operação a longo prazo e como no empréstimo consignado os juros são tabelados, os banqueiros estão trabalhando na tentativa de aumentar a taxa de juros, também, como outra forma de tentar sustentar o mercado”, ressalta Carlos César.

O empréstimo consignado (com desconto na folha de pagamento) é destinado a funcionários de órgãos públicos, aposentados e pensionistas do INSS e para funcionários de empresas privadas, regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). “As parcelas de pagamento vão de 48 a 60 meses e o desconto na folha pode ser de até, no máximo, 30% do salário que a pessoa recebe. Nossos clientes aqui mesmo nem se interessam por outro tipo de empréstimo, uma vez que os mesmos possuem taxas de juros bem mais elevadas que os consignados.”

A empresa em que Carlos César trabalha está há cerca de 3 anos e meio no mercado. “Teve uma época em que houve um aumento de financeiras em atividade no município; chegaram a ser oito funcionando no mesmo período. Porém, atualmente este número deve ter reduzido em 60%; acredito que isso também seja um reflexo da crise, que já vem acontecendo há cerca de um ano, mas que chegou ao extremo no mês de setembro.”

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