A agricultura passa por mudança estrutural, marcada pela busca por sistemas menos dependentes de químicos e mais conectados à biologia do solo. A avaliação é de Jacques Dieu, especialista em Agricultura Regenerativa, para quem o agro vive sua transição mais profunda em um século, com a biologia ganhando espaço antes dominado pela química.
Durante décadas, a Revolução Verde consolidou um modelo em que o solo foi tratado como suporte físico, enquanto fertilizantes sintéticos e defensivos assumiram papel central nas lavouras. Segundo a análise, esse processo reduziu a atenção à biodiversidade subterrânea e contribuiu para solos degradados, custos altos e dependência de insumos importados.
Na visão de Dieu, a inovação relevante não está na criação de moléculas sintéticas, mas em compreender e potencializar a inteligência biológica do solo. A agricultura regenerativa surge como mudança de mentalidade, na qual o produtor deixa de organizar sua estratégia em torno do controle de problemas e passa a planejar a produção a partir da vida no sistema.
A regeneração é apontada como caminho para reconstruir bases produtivas e econômicas da fazenda. Em solos saudáveis, com microrganismos ativos, a fixação biológica de nitrogênio e a solubilização natural de fósforo podem reduzir a necessidade de adubos químicos. Sistemas regenerativos melhoram a estrutura do solo, ampliam a retenção de água e elevam a tolerância das plantas a secas.
Com uso mais eficiente de insumos e ferramentas biológicas de precisão, o produtor pode ampliar a margem líquida. Para ganhar escala, a transição depende de pesquisas em sistemas vivos, crédito, seguros e investimentos na descarbonização das cadeias.










