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sábado, 9 de maio de 2026

Venezuela ameaça usar força pela escassez de alimentos

2008-01-22 08:46:00

O governo da Venezuela se vê atingido pela escassez de alimentos básicos, como leite e pão, e ameaça expropriar aqueles que não obedeçam à regulação de preços, apontada pelos produtores como a principal causa do desabastecimento.

O presidente Hugo Chávez reinaugurou no domingo uma usina processadora de leite e mandou um aviso aos produtores: quem vender acima do preço regulado "é um traidor e será tratado como tal", disse.

"Se um produtor se negar a vender o leite para a usina do governo para vendê-lo mais caro para particulares, expropriaremos a fábrica e se tivermos de usar o Exército, usaremos", disse o presidente em seu programa de rádio e TV Alô, Presidente.

"Não é com ameaças que se conseguirá um aumento da produção, e sim dando apoio", disse à agência de notícias France Presse o presidente da Federação Nacional de Pecuários, Genaro Méndez.

O desabastecimento de produtos básicos, como açúcar, ovos, carne bovina e de frango, aumentou substancialmente no último ano.

Segundo a empresa de pesquisas Datanálisis, a escassez desses produtos aumentou de 20% para 25% em 2007, e o ex-ministro da Fazenda Rodrigo Cabezas reconheceu que em alguns locais chega a 60%.
Isso se soma à alta dos preços internacionais de alguns produtos, especialmente o leite, com um aumento do consumo interno, segundo especialistas.

O problema da escassez de alimentos, que ao longo dos anos tem sido cíclico na Venezuela, já começa a ser percebido como uma falha do governo, mais que dos produtores ou comerciantes.
"Mais de 40% da população acredita que o governo é responsável pelo problema", afirma Luis Vicente Leíon, da Datanálisis,

Apesar de o governo ter criado há três anos a rede de mercados populares Mercal, que vende alimento subsidiado, a persistência do desabastecimento levou o presidente Chávez a ordenar que a estatal Petróleos da Venezuela lançasse uma filial encarregada dos alimentos.

A nova empresa se propõe a distribuir 800 toneladas de mercadorias todos os fins de semana em 30 pontos de venda em todo o país.

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