2007-10-17 20:25:00
Pelo menos 300 aves morreram em uma das praças do Conjunto União, em Campo Grande na manhã desta quarta-feira, dia 17. A suspeita é de envenenamento. Moradores do local ainda estão chocados com a cena e tentam entender o porquê das mortes. “É impossível prever quem faria uma coisa dessas”, afirma o comerciante Pedro Rodrigues 63 anos, 20 deles alimentando pássaros no local.
A PMA (Polícia Militar Ambiental) esteve na praça, localizada na Rua Paulo Hídeo Katayama, e recolheu cerca de 200 pássaros, outros 100 estavam mortos em residências, pontos comerciais, na escola e na associação comercial do bairro. “Recolhemos amostras e enviamos para análise, mas a suspeita é de envenenamento”, explicou o sargento da PMA Wladmir Cândia. O militar reiterou que este tipo de fenômeno não acontece de forma natural. Entre os pássaros mortos estão pombas caseiras, silvestres e canários. A estimativa é de que o problema tenha atingido até 500 aves.
No local onde houve maior concentração de pássaros mortos, Rodrigues deposita todos os dias cerca de 15 quilos de milho, 4 quilos de sementes de girassol e frutas diversas. Os pássaros estavam acostumados à abundância de alimento que na manhã desta quarta pode ter sido contaminado propositadamente. Sob a árvore usada para depositar as sementes e frutas foi encontrada uma substância de cheiro forte, semelhante a carne em decomposição. “Isso só pode ser agrotóxico. Trabalhei 20 anos com esse produto, mata até tatu”, sugere Manoel Pereira dos Santos, 72 anos.
Além da surpresa em encontrar tantos pássaros mortos, os moradores querem uma explicação porque as árvores que abrigam os pássaros são de uma fruta comestível por humanos, o jambo. “Se fosse época, as crianças passariam aqui e comeriam. Não dá para prever tamanha covardia e atrocidade. Os passarinhos caíam em pleno vôo”, diz Francisco Everton, 56 anos. Para evitar a ingestão dos alimentos por outros animais os moradores usaram uma lona e cobriram os produtos. O local vai passar por uma limpeza da Sesop (Secretaria Municipal de Obras Públicas).
Rodrigues explicou que vai continuar alimentando os pássaros, mas deseja que as investigações tenham efeito porque teme pelos animais e crianças do bairro. Ele explicou que há cerca de 2 meses foi orientado pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonozes) a parar de fornecer alimento para os animais depois que foi alvo de uma denúncia anônima. “Ah, disseram que altera e podem até causar doenças. Tem gente que reclama do barulho pela manhã, mas passarinho não faz mal para ninguém”.
A PMA encaminhou o caso para a Polícia Civil, que vai investigar as mortes. Se ficar comprovado envenenamento e a polícia encontrar o culpado, este estará sujeito a pena de 1 a 4 anos de prisão e multa.











