2008-11-25 07:01:00
Os 29 produtores de abacaxi do assentamento Juncal, 26 quilômetros a noroeste de Naviraí, devem completar o primeiro ciclo de produção e realizar a colheita no final do ano. Mesmo sem saber qual será a produtividade, todos demonstram satisfação com os possíveis resultados e já falam em expandir o plantio de 25 mil para 80 mil mudas.
Os colonos investiram R$ 0,12 por muda da variedade Smooth Cayenne e agora esperam receber cerca de R$ 2,50 a R$ 3,00 em venda direta ao consumidor ou negociar a venda por atacado, no comércio de Naviraí e região. O custo das mangueiras para a irrigação ficou na média de R$ 550 a R$ 1 mil por produtor. A maioria plantou 500 ou mil pés, e alguns chegaram a cultivar três mil.
O engenheiro agrônomo da Agraer, Jorge Falcão Petroni afirmou que a produtividade média esperada para cada hectare fica entre 50 a 90 toneladas.
“Se hoje em Naviraí, nos caminhões, se vende dois abacaxis por R$ 5, é só multiplicar R$ 2,50 por 50 mil, e poderemos ter R$ 125 mil por hectare de renda bruta, mas se a venda for feita a R$ 1 por unidade, com entrega direta ao consumidor naviraiense, para o produtor do assentamento Juncal, pode se dizer que o produto esteja sendo bem vendido”, considera.
Falcão explicou que a escolha da variedade Smooth Cayenne é devido a três fatores. “Em primeiro lugar, ela não tem espinhos e facilita o manejo, e porque pode ter frutos com até dois quilos de peso (com a variedade Pérola se consegue aproximadamente 1,2 quilo), além de que é resistente a doenças”.
O produtor José Viana brinca ao dizer que está “arrependido”. Ele explica que é porque só adquiriu mil pés. “Eu deveria ter comprado logo cinco ou seis mil pés, mas agora eu só vou pedir à quantidade que possa completar cinco a seis mil pés, pois o Falcão já explicou que cada muda multiplica por duas ou até três vezes”.
Ele disse que preferiu o plantio menos tradicional (o adensado é de fila dupla), porque mesmo com a ocupação de um espaço maior, pode fazer melhor o manejo.
Sem dificuldades, a aposentada Maria Feitosa, 60 anos, acidentada, mas ainda com dores freqüentes na coluna, trabalha só e está contente com os mil pés que plantou, em fila única. O produtor Cosmo Rodrigues da Silva, que plantou em fila dupla, disse que “não há muito trabalho e não houve registros de problemas como a fuzariose e a coxonilha”.
O trabalho que vem sendo realizado pelos assentados e pelo engenheiro-agrônomo é o de prevenção. Alguns produtores utilizaram duas adubações (foliar e/ou granulado). José Viana disse que só utilizou adubação foliar, com três litros (preço de aquisição – R$ 25 por litro) e a adubação orgânica.
Segundo Falcão, para haver a produção comercial é necessário suprimento de água, principalmente durante o crescimento e a formação do fruto. O sistema de plantio pode ser o de fileira simples ou dupla, com disposição das plantas em triângulos, e o espaçamento escolhido pela maioria dos produtores é de 0,90 metro x 0,30 x 0,40, com população de até 37 mil pés por hectare.
Embora o plantio em Naviraí foi iniciado em janeiro de 2007, Falcão deixou claro aos produtores que a melhor época para plantio é entre maio e junho, embora destaque que o plantio pode acontecer em qualquer época do ano. O ciclo de produção depende da irrigação e a colheita pode acontecer entre 14 e 24 meses.
O engenheiro agrônomo do Idaterra, Jorge Falcão Petroni, disse que tem recomendado o plantio de brotos (filhotes), ao invés da coroa, para auxiliar na prevenção contra doenças (fusariose) e pragas (acaro, colchonilha e outras). Ele comentou que nacionalmente, a maior preocupação dos produtores de abacaxi é com o surgimento da broca do fruto.
Falcão já está programando novas reuniões com os produtores, para recapitular o repasse de informações sobre a adubação e aplicação de defensivos agrícolas, necessários para o plantio da segunda safra, a partir do início do próximo ano.







