2008-11-26 08:43:00
Suzana Machado
Quem nunca ouviu dizer que a música é a linguagem universal? Acredito eu que raros são os seres que conseguem viver sem ela, cada um no seu estilo e segmento.
Se ouvir já é muito bom, imagina trabalhar, viver da música. Infelizmente, existem pessoas ainda que não encaram a arte como um trabalho, uma real profissão, fator que atrapalha um pouco aqueles que se dedicam, amam e tiram dela seu sustento.
Geralmente essas pessoas têm contato com a música cedo, na maioria das vezes por influência da própria família. Muitos precisam sair de casa e procurar novos horizontes, onde as oportunidades de trabalho sejam melhores.
Roberto Riveros se encaixa nessas duas características. O paraguaio, natural de Belén, cidade próxima de Concepción, no país vizinho, trabalha com música há mais de 20 anos.
Há oito anos em Amambai, ele, o irmão Victor e Raul formam o Grupo Íris. “O contato com a música vem de família. Meus tios também tocavam, aprendi logo cedo a ter paixão por essa arte. Minha família mudou-se para Assunção, onde cantávamos em um restaurante. Lá conhecemos um brasileiro, daqui de Amambai, que nos disse que aqui poderia ser bom em termos profissionais pra gente. Foi então que nos mudamos para o município.”
Segundo Roberto, a diferença não foi tão impactante. “Tivemos que aprender o idioma local, cantar em ‘portunhol’, mas em termos musicais a diferença não foi tão grande, porque, por estar na região de fronteira, as influências são praticamente as mesmas.” E aproveitando a mistura cultural, Roberto colocou um brasileiro no grupo. “Ele canta as músicas regionais e eu fico mais com as paraguaias mesmo – polcas -, as da minha terra.”
Para Roberto, no Brasil o trabalho que eles desenvolvem é mais valorizado. “No Paraguai, por exemplo, não existe nenhum incentivo por parte do governo. Aqui nós já encontramos esse apoio, até mesmo porque chegamos numa época de política, então fazíamos muitas apresentações em comícios, o que nos ajudou muito para que as pessoas nos conhecessem em um curto espaço de tempo.”
A família de Roberto continua morando em Assunção, e de acordo com o músico, ficar longe deles não é nada fácil. “Além da troca de hábitos, ficar longe dos familiares é complicado, por isso precisa-se de muito esforço.”
Roberto faz a função de empresário do grupo também, que batalha cada vez mais por espaço. “Uma das coisas que sentimos falta é de alguém que entenda da área para nos empresariar. Fica meio complicado quando não se tem uma pessoa assim; a gente acaba tendo que fazer tudo e às vezes não sobra tempo para esse trabalho maior de divulgação da nossa música.”
Para Roberto, os músicos do município deveriam se unir mais para fortalecer o segmento. “Além de achar que as autoridades devem olhar mais para essa área cultural na cidade, acredito que os próprios músicos devem se unir mais para fortalecer o setor; temos que valorizar o que é nosso, o que é daqui.”
No Paraguai, quem protege os músicos é Santa Cecília e a data se comemora em dia diferente. Aqui no Brasil, o Dia do Músico foi comemorado no último dia 22. “Sou o típico músico; respiro música o todo tempo, sempre ligado. Procuro me reciclar, ver as novidades, isso é importante, fundamental.”
O Íris toca de tudo um pouco, mas o forte do grupo é o bolero, as polcas paraguaias, as cachacas, além dos outros estilos regionais.
“Para se manter no mercado é necessário ter muito jogo de cintura e se dedicar. Ensaiamos pelo menos três vezes na semana, na minha casa mesmo.”
De acordo com Roberto, o Grupo começa a investir num estúdio, que além de ajudá-los, poderá ser utilizado por outros músicos do município. “Temos em casa um local para os ensaios, um estúdio modesto, mas temos nossos próprios equipamentos, som e iluminação. Estamos montando um outro estúdio, mais completo, que também ficará à disposição dos outros músicos de Amambai. Acredito que este será mais um incentivo para a classe, e será o local em que, além dos nossos ensaios, faremos também nossas gravações.” O Grupo tem intenção de lançar um CD em breve, composto em sua maioria por canções inéditas, de autoria dos próprios integrantes, que também compõem.
Além de se apresentar em quase todo o Estado, o Grupo já esteve em São Paulo. “Sabemos que São Paulo é o coração do Brasil e sonhamos que nossa música chegue em outros locais do Brasil e para isso sabemos que o caminho melhor é a capital paulista. Mas por enquanto estamos construindo por aqui, procurando sempre nos firmar no mercado local.”
No Grupo, Roberto canta e toca violão, Victor é tecladista e Raul também faz voz e violão. O telefone de contato do Íris é o (67) 9632-4079.