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quarta-feira, 8 de julho de 2026
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Projeto NAVIO: Nova etapa garante mais qualidade de vida à população ribeirinha de MS

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Oferecer mais qualidade de vida à população ribeirinha é um dos propósitos do Projeto NAVIO (Navegação Ampliada para a Vigilância Intensiva e Otimizada) que, nesta segunda-feira (12), dá início a mais uma fase. Os navios de Assistência Hospitalar ‘Tenente Maximiano’, de Apoio Logístico Fluvial ‘Potengi’ e o de Transporte Fluvial ‘Paraguassu’ saem de Ladário rumo ao tramo norte do Rio Paraguai, do município de Ladário até Cáceres, no Mato Grosso. Para esta etapa, a SES/MS (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) conta com a participação da SES/MT (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso).

Mato Grosso do Sul prestará atendimento apenas para a população do estado. Estão previstos 1.000 atendimentos, entre médico, odontológico, distribuição de medicamentos, vacinação e trabalho de educação em saúde, além da distribuição de 200 filtros de barro doados para a melhoria da qualidade da água desses ribeirinhos, uma parceria entre a SES/MS e Sistema OCB/MS (Organização das Cooperativas Brasileiras no Mato Grosso do Sul).

Para o secretário de Estado de Saúde, Dr. Maurício Simões, o projeto vai além da realização de diagnósticos, ele também oferece à população medidas de tratamento e prevenção de doenças, principalmente, as infectocontagiosas.

Projeto NAVIO: Nova etapa garante mais qualidade de vida à população ribeirinha de MS

“Em parceria com a Organização das Cooperativas do Brasil, em uma ação de ESG, estamos distribuindo 200 filtros de barro, pois já na primeira viagem do navio identificamos que ao oferecer uma simples solução como um filtro de barro poderemos cercear a evolução de doenças parasitárias por falta de água potável adequada. Desta forma, vimos com muita satisfação os primeiros resultados e continuaremos investindo para aperfeiçoar este projeto, trazendo soluções em saúde para nossas populações ribeirinhas”, garante Simões.

“Em uma parceria com a SES/MS buscamos através de doações das cooperativas – são mais de 130 cooperativas que temos aqui no Mato Grosso do Sul – fazer uma verdadeira ação em prol dos ribeirinhos para atendermos a essa demanda sanitária. Adquirimos 200 filtros para levar água potável a essa população através do Projeto NAVIO”, enalteceu o presidente da OCB/MS, Celso Régis Ramos.

Conforme a coordenadora de Saúde Única da SES, Danila Frias, nessa segunda fase do projeto será iniciada a coleta de material de animais para análise.

“Nessa viagem temos novidade, vamos começar a fazer coleta de material de animais, estávamos coletando apenas fezes do ambiente e agora vamos coletar outros tipos de amostras de aves domésticas e de equídeos, trabalhando desta forma, a busca de patógenos nestas espécies”, explica Danila.

Para o Comandante do 6º Distrito Naval, Vice-Almirante Iunis Távora Said, estabelecer e manter parcerias e acordos com órgãos e instituições, a fim de melhorar a prestação de serviços públicos à sociedade, é uma das principais missões da Marinha do Brasil. “Não importa a região, o nosso trabalho será, hoje e sempre, defender as riquezas nacionais e proteger a nossa gente. Aqui na Fronteira Oeste, na vertente de proteger a nossa gente, a Marinha dedica-se, em especial, à população ribeirinha, por serem aqueles que dependem, para sua subsistência, de nossos rios e mares”.

Projeto NAVIO: Nova etapa garante mais qualidade de vida à população ribeirinha de MS

O Comandante do Navio de Assistência Hospitalar ‘Tenente Maximiano’, Capitão-Tenente Igor Luiz de Freitas Cobellas, afirma que a tripulação está se preparando para o atendimento aos ribeirinhos nessa nova fase do projeto.

“Estamos nos preparando para a segunda missão do Projeto de Navio, que é a navegação ampliada para vigilância intensiva e otimizada, uma parceria importante, que envolve Marinha do Brasil, Fiocruz e Secretaria de Estado de Saúde do Mato Grosso do Sul para atender as populações ribeirinhas. Nossa missão agora irá se dirigir ao tramo norte do Rio Paraguai, onde iremos atender os ribeirinhos de toda a calha norte do Rio Paraguai, saindo de Ladário e finalizando os nossos atendimentos no município de Cáceres, Mato Grosso”.

O retorno das embarcações ao município de Ladário está previsto para o dia 14 de março.

Para a próxima viagem rumo ao tramo sul do Rio Paraguai – trecho entre os municípios de Ladário e Porto Murtinho – está prevista a inserção de coleta de amostras em animais de produção – equídeos, bovinos, suínos, aves domésticas, caprinos e ovinos – e também em animais domésticos, cães e gatos. Também estão sendo solicitadas as devidas autorizações para realização de coletas em animais silvestres, por ser um projeto de Saúde Única.

“A vigilância não pode ocorrer apenas na população humana, mas também no ambiente e nos animais”, finaliza Danila.

Durante a primeira fase do projeto, realizada no tramo sul, foram prestados cerca de 500 atendimentos médicos e odontológicos, incluindo exames, vacinação e a distribuição de medicamentos.

Projeto Navio

O Projeto NAVIO (Navegação Ampliada para a Vigilância Intensiva e Otimizada) é uma parceria firmada entre a SES/MS (Secretaria de Estado de Mato Grosso do Sul), Marinha do Brasil e a Fiocruz Minas (Fundação Oswaldo Cruz de Minas Gerais) para a instituição de uma vigilância genômica para a população ribeirinha.

O projeto, que tem por objetivo o estudo e monitoramento da saúde de populações ribeirinhas do Pantanal e das mudanças climáticas e seus impactos na saúde pública, visa atender a população, fazer a busca e a vigilância de patógenos no cunho de Saúde Única, analisando patógenos com impacto na saúde humana, animal e ambiental.

Projeto NAVIO: Nova etapa garante mais qualidade de vida à população ribeirinha de MS

Para o pesquisador da Fiocruz Minas, idealizador e coordenador do Projeto NAVIO, Dr. Luiz Alcântara, o projeto tem o objetivo de atender as populações ribeirinhas da região, investigando em escala de Saúde Única e, dessa maneira, dando suporte às doenças causadas por patógenos nessas populações. “Esse é um projeto One Health – Saúde Única – que visa não somente investigar os patógenos emergentes e reemergentes nessas populações, mas também os patógenos que estão nos animais, no meio ambiente – água e esgoto – e bem como nos vetores e carrapatos no ambiente em que essas populações convivem”.

Possui duração de 5 anos e teve início no dia 25 de novembro de 2023 na rota entre Ladário e Porto Murtinho. Para o projeto, a Marinha do Brasil disponibilizou três navegações: o Navio de Assistência Hospitalar ‘Tenente Maximiano’, o Navio de Apoio Logístico Fluvial ‘Potengi’ (possui laboratório montado, inclusive de biologia molecular) e o Navio de Transporte Fluvial ‘Paraguassu’ (acomoda a tripulação; será montado um novo laboratório para a realização de análise de amostras de água, de fezes e outros tipos de testes).

Parcerias

Além da SES/MS, Fiocruz Minas e Marinha, o projeto conta com o apoio da SES/MT, LACENs (Laboratório Central de Saúde Pública) de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná, alunos e professores do Programa de Pós-Graduação de Doenças Infecciosas e Parasitárias da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), pesquisadores da Fiocruz Mato Grosso do Sul, universidades federais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Ouro Preto, Universidades Estaduais de Mato Grosso do Sul e de Feira de Santana da Bahia, Embrapa, OPAS/OMS (Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde), Ministério da Saúde, Loccus, Biomanguinhos, IBMP (Instituto de Biologia Molecular do Paraná), prefeituras de Ladário, Corumbá e Porto Murtinho, Instituto Erasmus de Roterdan da Holanda, Universidade de Stellenbosch da África do Sul, Universidade de Sidney da Austrália e Sistema OCB/MS.

Kamilla Ratier, Comunicação SES

Fotos: Rodson Lima, Comunicação da SES

R$ 5 bilhões! Vai sair do nosso bolso toda a grana para o financiamento das eleições municipais

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Dinheiro, Real Moeda brasileira

Anota no caderninho aí. Vai custar R$ 5 bilhões o financiamento das campanhas dos políticos nas eleições para prefeito, vice-prefeito e vereador neste ano. Por que esse dinheiro não sai do bolso dos candidatos? Porque é muito mais fácil, em nome da democracia, o financiamento público entrar no nosso bolso.

Passageira de ônibus que seguia com maconha para Goiânia é presa pelo DOF em Amambai

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Policiais militares do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) prenderam na manhã desta segunda-feira (12) na MS-289, em Amambai, uma mulher de 18 anos por tráfico de drogas.

Os militares realizavam um bloqueio policial na rodovia, área rural do município, quando deram a ordem de parada a um ônibus de passageiros, que fazia o itinerário entre Coronel Sapucaia e Amambai.

Os 4,2 quilos de maconha estavam na mochila da mulher. Questionada sobre o ilícito disse que pegou a droga em um hotel da cidade e que entregaria na cidade de Goiânia. A ocorrência foi registrada e entregue na Delegacia da Polícia Civil em Amambai. O prejuízo estimado ao crime foi de R$ 9,6 mil.  

A ação envolvendo os policiais do DOF aconteceu dentro do Programa Protetor das Fronteiras e Divisas, parceria da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) com o MJ (Ministério da Justiça e Segurança Pública) e da Operação Ágata Fronteira Oeste II, em parceria com o Exército Brasileiro.

O DOF mantém um canal aberto direto com o cidadão para tirar dúvidas, receber reclamações e denúncias anônimas, através do telefone 0800 647-6300. Não precisa se identificar e, a ligação, será mantida em absoluto sigilo. O serviço funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Siga o DOF no Instagram: @dofpmms.

Proteção de culturas com nanotecnologia

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Foto: Divulgação

Em um avanço recente, a tecnologia de sequenciamento de DNA descobriu o culpado da doença da vassoura-de-bruxa da mandioca: o gênero de fungos Ceratobasidium. A tecnologia de nanoporos de ponta utilizada para essa descoberta foi inicialmente desenvolvida para rastrear o vírus COVID-19 na Colômbia, mas é igualmente adequada para identificar e reduzir a propagação de vírus vegetais.

Os resultados, publicados no Scientific Reports, auxiliarão fitopatólogos do Laos, Camboja, Vietnã e Tailândia a proteger a valiosa colheita de mandioca dos agricultores. “No sudeste asiático, a maioria dos pequenos agricultores depende da mandioca. Suas raízes ricas em amido formam a base de uma indústria que sustenta milhões de produtores. No entanto, na última década, a doença da vassoura-de-bruxa da mandioca tem atrofiado as plantas, reduzindo as colheitas a níveis que mal permitem aos agricultores afetados ganhar a vida”, disse Wilmer Cuellar, Cientista Sênior da Aliança de Bioversidade e do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT).

Desde 2017, pesquisadores da Aliança de Bioversidade International e do CIAT incorporaram a nanotecnologia às suas pesquisas, especificamente através da tecnologia de sequenciamento de DNA/RNA Oxford Nanopore. Essa ferramenta avançada fornece informações sobre os mistérios mais profundos da vida vegetal, identificando com precisão patógenos como vírus, bactérias e fungos que afetam as culturas.

“Quando se descobre qual patógeno está presente em uma cultura, pode-se implementar um método de diagnóstico adequado, buscar variedades resistentes e integrar esse diagnóstico nos processos de seleção de variedades”, afirmou Ana María Leiva, Pesquisadora Sênior da Aliança.

A nanotecnologia, essencialmente, é a ponte entre o que vemos e o que mal podemos imaginar. Essa inovação abre uma janela para o mundo microscópico da vida vegetal e dos patógenos, redefinindo a forma como entendemos e combatemos as doenças que afetam as culturas.

Baile de Aleluia será realizado no dia 30 de março em Tacuru

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Foto: Divulgação

Redação

Tacuru se prepara para o ‘Baile de Aleluia’, marcado para o dia 30 de março, sábado, a partir das 23h. O evento contará com as apresentações musicais de Ball & Wagner e Jhony Lopes.

Os convites para o baile já estão disponíveis, com preços diferenciados: o primeiro lote está sendo comercializado por R$ 30,00, enquanto o segundo lote tem o valor de R$ 40,00. Para mais informações e aquisição de ingressos, os interessados podem entrar em contato com Lídio Dure pelo telefone (67) 99647-4599.

Além disso, os convites também podem ser adquiridos na Cantina do Clube dos Servidores Públicos Municipais de Tacuru. Para facilitar o pagamento, está disponível a opção de realizar a transação através do Pix, utilizando o CNPJ 01.341.125/0001-48.

Mais de 5.500 pessoas morreram nas rodovias federais em 2023, maior número em seis anos

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O número de mortos em acidentes de trânsito nas rodovias federais brasileiras em 2023 foi o maior dos últimos seis anos, aponta levantamento da PRF (Polícia Rodoviária Federal) enviado ao R7. A soma de vidas perdidas chegou a 5.621, o que representa um aumento de 3,34% em relação ao registrado em 2022.

O total de acidentes também subiu: foi de 64.547 para 67.658 — alta de 4,82% em relação ao ano passado. A quantidade de feridos aumentou 7,33% em comparação a 2022: passou de 72.971 para 78.322.

Confira a série histórica:

O estado que registrou mais acidentes em 2023 foi Minas Gerais — foram 8.988 somente nas estradas federais. Em seguida, aparecem Santa Catarina, com 7.791 registros, e Paraná, com 7.085 batidas. Os menores números absolutos de acidentes foram registrados no Amazonas (105), no Amapá (144), em Roraima (144) e no Acre (225).

Prevenção de acidentes

O coordenador-geral de Segurança Viária da PRF, Jeferson Almeida, alerta que “os acidentes nas estradas ocorrem, na maioria das vezes, por alta velocidade, ultrapassagens irregulares e falta de atenção humana, e são agravados por fatores como a falta de cinto de segurança e o uso do capacete para motociclistas”.

O policial rodoviário federal dá dicas para evitar acidentes, principalmente, em períodos de estradas cheias, como o Carnaval. “Pedimos ao motorista que ele tenha bastante cuidado e atenção ao trafegar pelas rodovias. Respeite a sinalização, mantenha distância do veículo que vai na frente e tenha sempre uma conduta que mostre preocupação com o bem-estar dele e das pessoas que trafegam próximas.”

Almeida ressalta que o motorista parado em blitz deve manter a calma e parar o automóvel de imediato. “Se está com o veículo irregular, o correto é não pegar a estrada. Caso pegue a estrada com alguma irregularidade de trânsito e for abordado, deve parar imediatamente, porque, se não para, coloca em risco a vida dele e dos policiais envolvidos, que precisam dar início a uma abordagem diferenciada”, avisa.

O agente da PRF alerta para o perigo da mistura de direção e bebida. “Se a pessoa sair para beber, deve deixar o carro em casa. Não pode sair para consumir bebida alcoólica dirigindo de forma alguma.”

Segundo ele, é preciso ao menos “uma boa noite de sono” para o organismo se recuperar quando há ingestão de bebida alcoólica. “O tempo necessário para o corpo se recuperar do álcool varia de pessoa para pessoa, depende do organismo, da massa corporal, mas recomendamos que a pessoa descanse, se hidrate e durma bem antes de pegar o volante”, diz Almeida.

Conservação das rodovias

O Brasil tem 67.612 km de estradas federais, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2023. O levantamento mostra que 37,1% da extensão da malha federal estão em estado de conservação bom ou ótimo, e que 62,9% das estradas estão em estado regular, ruim ou péssimo.

Mercado de bioestimulantes pode passar dos US$ 5 bilhões

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De acordo com um relatório recentemente compilado pela Market.us, espera-se que o tamanho do mercado de bioestimulantes ultrapasse US$ 5,6 bilhões até 2033. Esse valor representa um aumento significativo em relação aos estimados US$ 2,7 bilhões em 2023. O crescimento previsto equivale a uma taxa composta de crescimento anual de 7,5% de 2024 a 2033.

Os autores do relatório afirmam que o mercado de bioestimulantes tem experimentado um crescimento substancial, impulsionado pela transição global para a agricultura sustentável. “Os agricultores estão progressivamente reconhecendo as vantagens da combinação de bioestimulantes com fertilizantes convencionais, motivados por regulamentações ambientais rigorosas. Esforços contínuos de pesquisa e desenvolvimento estão resultando em formulações inovadoras para aumentar a eficácia dos bioestimulantes, atendendo à crescente demanda por soluções ecologicamente corretas.”

O relatório apresenta algumas conclusões relevantes sobre o mercado de bioestimulantes. No que diz respeito aos princípios ativos, destaca-se o segmento de base ácida, que mantém uma posição robusta com uma participação de mercado de 49%. Além disso, ao analisar os segmentos com base no tipo de cultivo, observa-se a presença significativa em categorias como cultivos em linha e cereais, frutas e hortaliças, gramados e ornamentais, entre outros. Notavelmente, o segmento de culturas em linha e cereais alcançou a maior participação nas receitas em 2023, atingindo 62%.

Otexto também aborda fatores que influenciam o crescimento do mercado de bioestimulantes. A ascensão da agricultura biológica e a preferência crescente por práticas sustentáveis emergem como impulsionadores significativos desse crescimento. No entanto, o texto ressalta que processos regulamentares rigorosos muitas vezes desencorajam novos participantes, enquanto os custos elevados de pesquisa e desenvolvimento atuam como barreiras à entrada, efetivamente restringindo o potencial de crescimento do mercado.

A demanda crescente por práticas agrícolas sustentáveis, especialmente em países em desenvolvimento, também é destacada como um fator que promove a adoção de práticas de precisão, digitalização e tecnologias baseadas em dados, impulsionando, em última instância, o crescimento do mercado.

Fundect investe R$ 4,7 milhões em bolsas de pós-graduação para internacionalização

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Foto: Leandro Benites

Em ação inédita a Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) em parceria com o Confap (Conselho Nacional das Fundações de Amparo a Pesquisas) e o GCUB (Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras) lançou esta semana um edital com o objetivo de conceder  bolsas de mestrado e doutorado a estudantes estrangeiros para os Programas de Pós-Graduação das Instituições de Ensino Superior (IES) do Estado.

Com um investimento de R$ 4,7 milhões, a Chamada Especial Fundect 01/2024 – Programa GCUB de Mobilidade Internacional – GCUB-Mob oferta 34 bolsas com o propósito de impulsionar a internacionalização universitária e fortalecer a cooperação internacional entre universidades de Mato Grosso do Sul e as instituições congêneres de outros países.

“Editais como este são importantes para a troca de informações, conhecimento e para a atração de talentos a Mato Grosso do Sul, para que a gente avance ainda mais na ciência, tecnologia e inovação”, destaca Márcio de Araújo Pereira, diretor-presidente da Fundect.

Entre as universidades participantes dessa Chamada, associadas à GCUB, estão a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), com a oferta de 17 bolsas de doutorado, e a UGFD (Universidade Federal da Grande Dourados), com nove bolsas de doutorado e oito de mestrado. Os estudantes estrangeiros já foram selecionados por meio do Edital GCUB-Mob Nº 001/2023, coordenado pelo CGUB, em Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu das universidades sul-mato-grossenses que participaram do programa.

Confira mais informações da Chamada Especial Fundect 01/2024 – Programa GCUB de Mobilidade Internacional – GCUB-Mob aqui.

‘Carnaval Mais Seguro’: PM reforça policiamento durante o período de Carnaval em MS

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A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul está reforçando o policiamento durante as festividades do Carnaval. O reforço teve início na quinta-feira (8) e se estendendo até dia 14 de fevereiro, quarta-feira. A Operação “Carnaval Mais Seguro” tem como objetivo garantir a tranquilidade social durante as festividades.

A estratégia adotada visa a segurança dos participantes, bem como a prevenção aos crimes de furtos, roubos, agressões e coibir práticas ilegais, como o porte de armas, o tráfico de drogas e a perturbação da tranquilidade pública.

‘Carnaval Mais Seguro’: PM reforça policiamento durante o período de Carnaval em MS

Além disso, a PMMS está focada na fiscalização do cumprimento das leis de trânsito, especialmente relacionadas ao consumo de álcool, direção perigosa e excesso de velocidade, que são preocupações frequentes durante o carnaval.

Na Capital e no interior do Estado serão empregados o máximo de efetivo possível, sejam policiais militares integrantes dos setores administrativos, como os operacionais dos batalhões de área, centros de formação e unidades especializadas.

Cidades como Campo Grande, Corumbá e Bonito receberão atenção maior em virtude da alta concentração de pessoas, direcionando os esforços da polícia militar para garantir um ambiente seguro e harmonioso.

A PMMS destaca que está com duas campanhas para este Carnaval. A “Carnaval Mais Seguro”, visando a segurança dos foliões e “Não é Não e Ponto Final”, uma iniciativa no combate ao crime de importunação sexual e conscientização dos foliões.

Comunicação da PMMS

Supercopa do Brasil feminina: CBF confirma datas e horários das semis

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A Diretoria de Competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou as datas e horários das semifinais da edição 2024 da Supercopa do Brasil de futebol feminino. A próxima etapa da competição que abre a temporada do futebol feminino terá início na próxima quarta-feira (14).Supercopa do Brasil feminina: CBF confirma datas e horários das semisSupercopa do Brasil feminina: CBF confirma datas e horários das semis

A partir das 19h (horário de Brasília) de quarta, o Avaí/Kindermann mede forças com o Cruzeiro no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis. Um dia depois, a partir das 16h15, o Corinthians recebe a Ferroviária em seu estádio em Itaquera.

O Corinthians garantiu sua vaga ao derrotar o Internacional por 4 a 2 em pleno estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre. Já a Ferroviária teve que superar o Flamengo por 6 a 5 nas disputas de pênaltis para permanecer viva na competição. O jogo disputado no estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador (Rio de Janeiro) foi para as penalidades máximas após um empate sem gols nos 90 minutos.

Já o Cruzeiro se garantiu nas semifinais após superar o Real Brasília por 1 a 0 no último sábado (10), enquanto o Avaí avançou ao superar o Fluminense por 3 a 1 na sexta (9).

Paris 2024: seleção feminina de basquete não consegue vaga

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Não será em Paris que o basquete feminino brasileiro voltará a marcar presença em uma edição de Jogos Olímpicos. Após derrota para Alemanha por 73 a 71 na noite deste domingo (11) pela última rodada do Torneio Pré-Olímpico no ginásio do Mangueirinho, em Belém (Pará), a equipe comandada pelo técnico José Neto está fora do megaevento esportivo que será disputado na Cidade Luz.Paris 2024: seleção feminina de basquete não consegue vagaParis 2024: seleção feminina de basquete não consegue vaga

Mesmo contando com a vantagem de atuar em casa, o Brasil não conseguiu vencer nenhum de seus compromissos na competição: diante da Austrália (derrota na última quinta-feira por 60 a 55), da Sérvia (revés no sábado por 72 a 65) e da Alemanha.

Com isso, a seleção feminina de basquete vê aumentar o seu período de ausência em uma edição de Jogos Olímpicos. A sua última participação foi em 2016, no Rio de Janeiro. Em Tóquio, em 2020, o Brasil também esteve ausente.

Brasil supera Argentina e conquista Copa América de futsal

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Com direito à vitória sobre a Argentina na grande decisão, o Brasil conquistou a Copa América de futsal pela 11ª vez na história, após triunfo de 2 a 0 no ginásio Cop Arena Oscar, em Luque (Paraguai) na noite do último sábado (10).Brasil supera Argentina e conquista Copa América de futsalBrasil supera Argentina e conquista Copa América de futsal

A conquista da Copa América, alcançada com uma campanha perfeita (com 100% de aproveitamento), garantiu à seleção brasileira a classificação para a Copa do Mundo da modalidade, que será disputada em setembro no Uzbequistão.

Em uma partida muito parelha, o Brasil abriu o placar com Pito, ainda no primeiro tempo, enquanto Rafa Santos deu números finais ao placar já nos últimos momentos da etapa final.

“Tenho apenas a agradecer a todos. Estávamos um pouco engasgados, já tínhamos perdido para a Argentina em três mata-matas. Então hoje nós merecíamos. Jogamos um pouco que nem eles, fizemos o gol e nos defendemos. Agora é comemorar que esse time merecia essa vitória, esse título”, declarou Pito.

Seleção brasileira perde para Argentina e fica fora dos Jogos de Paris

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O futebol masculino brasileiro está fora da próxima edição dos Jogos Olímpicos, que serão disputados em Paris (França) em 2024. A ausência do Brasil, atual bicampeão na modalidade (na Rio 2016 e em Tóquio 2020), foi confirmada na noite deste domingo (11), após derrota de 1 a 0 para a Argentina no estádio Brígido Iriarte, em Caracas (Venezuela), em partida válida pela última rodada do quadrangular final.Seleção brasileira perde para Argentina e fica fora dos Jogos de ParisSeleção brasileira perde para Argentina e fica fora dos Jogos de Paris

Como o Pré-Olímpico oferece apenas duas vagas para os Jogos de Paris, o Brasil permaneceu sem possibilidades de garantir a classificação após ser superado pelos hermanos. Isto porque a equipe canarinho ficou na 3ª posição, com apenas 3 pontos. Já a Argentina alcançou 5 pontos, ocupando momentaneamente a liderança e confirmando a classificação para Paris, quando falta ainda a disputa da partida entre o 2º colocado Paraguai (com 4 pontos) e a lanterna Venezuela (com 1 ponto).

Esta é a primeira vez nos últimos 20 anos que o Brasil fica fora de uma edição dos Jogos Olímpicos, após a ausência em Atenas em 2004.

A vitória da Argentina neste domingo foi garantida graças a gol de cabeça de Gondou, marcado aos 32 minutos do segundo tempo após cruzamento do lateral Barco.

Sol, nebulosidade e possibilidade de chuva são destaque nos dias de Carnaval

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A previsão para esta segunda (12) e terça-feira (13) de Carnaval indica tempo com sol e variação de nebulosidade. Ainda, de acordo com o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), existe a possibilidade de pancadas de chuvas em algumas áreas do estado e, pontualmente, podem ocorrer tempestades acompanhadas de raios e rajadas de vento.

Tais instabilidades ocorrem devido a aproximação de uma frente fria, aliado ao deslocamento de cavados. Além disso, a atuação de uma área de baixa pressão atmosférica e a disponibilidade de calor e umidade favorecem a formação de nuvens e chuvas no estado.

Em Campo Grande, a mínima prevista é de 23°C enquanto a máxima pode chegar aos 30°C. Em Grande Dourados, os termômetros registram valores entre 22°C e 33°C. Na região Sul-Fronteira, Ponta Porã amanhece aos 22°C e atinge 31° no período da tarde. Anaurilândia, no Leste, apresenta variação entre 24°C e 34°C.

No Sudoeste, Porto Murtinho tem mínima de 24°C e máxima de 32°C. Os termômetros em Corumbá e Aquidauana marcam 24°C no início do dia e atingem os 30°C e 31°C, respectivamente.

Coxim, na região Norte, tem 22°C pela manhã e chega aos 30°C nos horários mais quentes. Na região do Bolsão, Paranaíba tem mínima de 22°C e máxima de 30°C, enquanto os valores variam entre 24°C e 33°C no município de Três Lagoas.

Sol, nebulosidade e possibilidade de chuva são destaque nos dias de Carnaval
Sol, nebulosidade e possibilidade de chuva são destaque nos dias de Carnaval

Heloisa Duim, Programa de Estágio Supervisionado

Bastidores do Carnaval: os trabalhadores que constroem a folia no Rio

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Foto: Reprodução TV Brasil

Quando chega o momento de desfilar na Sapucaí, um item é fundamental para os integrantes de uma escola de samba: os calçados. Ninguém quer chegar ao fim da avenida, depois de mais de uma hora de apresentação, com bolhas e dores nos pés. Além do conforto, é levada em consideração a beleza da peça, principalmente para estrelas que atraem mais olhares, como passistas, musas e destaques.Bastidores do Carnaval: os trabalhadores que constroem a folia no RioBastidores do Carnaval: os trabalhadores que constroem a folia no Rio

Pedro Alberto, Sapateiro. Bastidores do Carnaval: os trabalhadores que constroem a folia no Rio.Sapateiros, ferreiros, figurinistas, entre outros, são parte essencial da festa. Foto: Reprodução TV Brasil
Pedro Alberto produz sapatos há 60 anos – Reprodução TV Brasil

Nesse ponto é que entra em cena o sapateiro Pedro Alberto, que há 60 anos produz sandálias para diferentes agremiações do carnaval carioca. Salto, palmilha, plataforma. Tudo é feito por ele, que se orgulha de construir um material sólido e seguro, reforçado para evitar qualquer tipo de problema no Sambódromo. Certa ocasião, a sandália de uma rainha de bateria quebrou no meio do desfile e tentaram acusar Pedro. Prontamente, várias pessoas se colocaram em defesa do sapateiro e avisaram que o produto quebrado não tinha sido feito por ele.

Uma reputação construída há décadas, desde que era pequeno e aprendeu o ofício na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, onde Pedro nasceu e vivia com a família.

“Eu tinha 7 anos. Levava almoço para o meu pai e conheci uma senhora no ponto do ônibus. Aí, ela pediu para eu levar almoço para o marido dela na fábrica de sapatos. Comecei a ganhar meu dinheirinho, fui olhando aquele negócio na fábrica e gostando”, lembra Pedro Alberto. “Quando eu tinha 9 anos e meu irmão, 11, um senhor começou a ensinar para a gente. Mais ou menos com 10 anos, eu já montava uma traseira de sapato, e o meu irmão montava a frente do sapato”.

Quando perdeu o pai, Pedro Alberto decidiu ir para o Rio de Janeiro em busca de mais oportunidades de trabalho, para ajudar a família. Tinha 15 anos na época. Com a ajuda de amigos, produziu calçados para integrantes do bloco Cacique de Ramos e depois passou a Portela. Foi na escola que se tornou mais conhecido e virou um dos principais sapateiros. Apesar do sufoco, acumulou experiência, clientes e um nome de prestígio. Gosta de reforçar que produziu as sandálias das três últimas rainhas do carnaval que foram campeãs.

Chegou a montar uma fábrica, que fazia entre 2 e 3 mil pares em um mês. Hoje, o trabalho é diferente. Um negócio menor, com seis pessoas na equipe, mas com clientela especial e produção personalizada.

“Na Beija-Flor, por exemplo, eu tenho 20 e poucos anos de trabalho. Faço até hoje os sapatos e botas dos mestres-sala e porta-bandeiras. Dificilmente, vou sair das escolas de samba. A Imperatriz foi a última campeã. A sandália da rainha de bateria foi feita aqui, também dos mestres-sala e porta-bandeiras. A presidente mandou fazer muito sapato aqui. Foi muito bacana, fomos campeões junto com eles. É muito bom isso, porque nosso amor vai crescendo cada vez mais.”

Entre cortes e costuras

Bastidores do Carnaval: os trabalhadores que constroem a folia no Rio.Sapateiros, ferreiros, figurinistas, entre outros, são parte essencial da festa. Foto: Reprodução TV Brasil
Edmilson Lima finaliza uma de suas criaçõe – Reprodução TV Brasil

Para que tudo aconteça com sucesso na Sapucaí, milhares de trabalhadores ficam nos bastidores preparando a festa. Algumas dessas histórias são contadas na série Trabalhadores do Carnaval, produzida pela TV Brasil.

Além do sapateiro Pedro Alberto, existem outros profissionais que garantem a confecção das fantasias. É o caso de figurinistas como Edmilson Lima, que há 43 anos cria trajes e acessórios que se destacam na avenida. Para que isso acontecesse, ele precisou de coragem para abandonar o antigo emprego e se dedicar ao que sempre gostou de fazer.

“Com 18 ou 19 anos, eu trabalhava em uma empresa de aço. Não tinha nada a ver comigo, me sentia prisioneiro, sufocado ali. Venho de uma família de costureiros e já tinha o dom para isso. Um dia, recebi convite para um trabalho com figurino de carnaval. Lá, vi uma cabeça de fantasia que poderia ser mudada e transformada. No outro dia, uma pessoa responsável viu o que fiz e ficou encantada”, conta Edmilson.

O figurinista ressalta que o trabalho exige estudos constantes, principalmente com ampliação dos conhecimentos em história. Edmilson cita como exemplo o processo de construção de trajes indígenas e egípcios, em que precisou pesquisar detalhes culturais, estéticos e sociais do passado. E também há a preocupação de atualizar os saberes a cada ano, uma vez que carnavalescos e artistas precisam estar sempre inovando para sua escola se destacar na Sapucaí.

“Os carnavalescos expressam uma vontade. Aí, você sugere a escolha de materiais diferentes. Se a roupa é futurista, tem que procurar algo que que dê um brilho mais high-tech [alta tecnologia]. Se está muito complexo para fazer, procuramos um material mais lúdico, uma coisa mais maluca que ninguém nunca usou. Tipo vamos jogar em cima uma luz escondida para dar um efeito diferente”, explica Edmilson. “É uma profissão que eu consegui abraçar de um jeito que me preenchesse e me desse muita satisfação.”

Estruturas

Nildo Paris Ferreiro. Bastidores do Carnaval: os trabalhadores que constroem a folia no Rio.Sapateiros, ferreiros, figurinistas, entre outros, são parte essencial da festa. Foto: Reprodução TV Brasil
Nildo constrói estruturas que sustentam sambistas – Reprodução TV Brasil

A criatividade e o trabalho pesado estão presentes nos calçados, nas fantasias, mas também nos carros alegóricos que cruzam a Sapucaí. Nildo Paris é ferreiro e participa do processo de construção das estruturas e engenharias que sustentam os sambistas e a decoração nos veículos. O processo todo leva em média sete meses e envolve profissionais de diferentes áreas na linha de montagem.

A partir de um chassi de caminhão ou de ônibus, surgem os carros alegóricos. Trabalhada a estrutura mecânica, é feita a adaptação do chassi, para que consiga aguentar o peso das alegorias. E são os ferreiros que vão fazer o alongamento do chassi.

“Todo ano tem novidade. Não é só com a engenharia manual, mas fazendo a junção da engenharia manual com o motor e a parte robótica. É uma junção de ideias. O carnavalesco passa o projeto, a gente troca uma ideia, vê o que é melhor para a escola, o resultado do trabalho, da peça que ele quer. Até chegar no resultado positivo.”

Ao lado de Nildo, em média, 60 ferreiros que trabalham na produção das estruturas. É um grupo que acumula a experiência de participar de duas grandes festas do país: o carnaval carioca e o Festival de Parintins, município no interior do Amazonas. Enquanto, no Norte do país, são dois concorrentes, o Boi Garantido e o Boi Caprichoso, no Rio de Janeiro, 12 escolas entram na disputa. Destas, quatro vão desfilar neste ano com peças e material construídos pelo grupo de ferreiros.

Dessa forma, os ferreiros podem se sentir parte importante do intercâmbio tecnológico e cultural entre o Norte e o Sul do país. O trabalho deles se conecta com toda uma engrenagem coletiva que dá vida a duas das principais festas do país.

 “A mesma técnica afinada que usamos em Parintins, aplicamos aqui no Rio também. O acabamento, a parte de estrutura, a engenharia. Há um intercâmbio cultural e de engenharia entre as cidades de Parintins e do Rio de Janeiro”, diz Nildo. “O conhecimento vem dos dois lados. A gente traz do Amazonas e depois leva do Rio. É uma troca de artes, que dá um resultado maravilhoso na Avenida”, enfatiza.

Qual o melhor horário para se exercitar?

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Podemos treinar nosso corpo para atingir o pico do desempenho físico em diferentes horários do dia? - Foto: Pixabay

Em julho e agosto, os principais atletas do mundo irão se reunir em Paris, na França, em busca do maior prêmio esportivo do planeta: a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos.

As pessoas que esperam ter uma oportunidade de quebrar recordes e entrar nos anais da história do esporte talvez precisem dar uma olhada no relógio antes de tomar seu lugar na linha de partida. E um estudo científico indica que isso é especialmente válido para os nadadores.

Em pelo menos quatro Jogos Olímpicos recentes — Atenas (2004); Pequim (2008); Londres (2012) e no Rio de Janeiro (2016) —, os tempos registrados pelos 144 vencedores de medalhas na natação eram melhores quando a competição ocorria no final da tarde – especificamente, perto das 17h12.

O estudo faz parte das evidências cada vez maiores de que o desempenho físico do ser humano é afetado pela hora do dia.

E esse fenômeno não afeta apenas os medalhistas olímpicos. Ciclistas amadores também fazem seus melhores tempos em treinos no início da noite.

Os esportes de resistência são particularmente suscetíveis aos efeitos da hora do dia. Neles, o desempenho quase sempre atinge seu pico entre 16 e 20 horas. E a hora do dia também parece influenciar o exercício de homens e mulheres de forma diferente.

E se sua agenda indicar que você só tem tempo para se exercitar às sete da manhã? Bem, existem indicações que pode ser possível alterar o seu horário de pico de desempenho esportivo.

As diferenças na forma em que nossos corpos reagem à atividade física são causadas pelo ritmo circadiano – o relógio molecular do corpo, responsável por regular comportamentos como o sono e o apetite ao longo das 24 horas do dia.

Um relógio central cerebral, localizado no hipotálamo, reage à exposição à luz por meio de sinais do nervo óptico.

Esse marca-passo circadiano é conhecido como núcleo supraquiasmático. Ele envia sinais para os relógios periféricos de outros órgãos, do tecido muscular e do tecido adiposo, mantendo todo o corpo em sincronia.

Mas esses relógios periféricos podem ser ajustados por outras indicações, como ocorre quando comemos ou realizamos certas atividades.

É desta forma que o “relógio dos músculos esqueléticos” reage aos exercícios. Por isso, podemos sintonizá-lo, praticando exercícios regularmente em horários diferentes.

No entanto, da mesma forma que este procedimento pode afetar o desempenho, ele pode também alterar o efeito dos exercícios sobre a nossa saúde.

A professora de educação física Juleen Zierath, do Instituto Karolinska, na Suécia, pesquisa a interação entre os exercícios e o sistema circadiano. Ela e seus colegas descobriram que os camundongos que se exercitam pela manhã queimam mais gordura.

As descobertas de Zierath indicam que a atividade física realizada em um momento ideal do dia pode maximizar os benefícios à saúde de indivíduos com doenças metabólicas, como diabetes tipo 2 e obesidade.

“Todos concordam que é bom fazer exercícios, independentemente do horário do dia, mas talvez seja possível controlar os resultados metabólicos com base no horário em que você se exercita”, explica Zierath.

Suas descobertas refletem um estudo recente em seres humanos, que demonstrou que manter um regime de exercícios por uma hora, um dia por semana, incluindo musculação, treinamento intervalado de alta intensidade, alongamentos e resistência, pode reduzir a gordura abdominal e a pressão sanguínea das mulheres. Mas o interessante é que, quando as mulheres praticam os mesmos exercícios à noite, eles aumentam o seu desempenho muscular.

Para os homens, o exercício no início da noite ajuda a reduzir a pressão arterial e estimula a decomposição da gordura do corpo.

Mas as pesquisas nesta área ainda estão evoluindo. Análises recentes de estudos anteriores sugerem que estas evidências sobre as vantagens do efeito da hora do dia sobre o desempenho ou os benefícios à saúde dos exercícios são um tanto inconclusivas.

Um dos motivos, quase com certeza, reside nas diferenças existentes entre os indivíduos.

O horário do pico do desempenho esportivo, por exemplo, é diferente entre indivíduos com cronotipo matutino e vespertino – também conhecidos como madrugadores e notívagos.

“Existem variações de horário nos nossos relógios”, explica a fisiologista Karyn Esser, da Universidade da Flórida em Gainesville, nos Estados Unidos.

Segundo ela, “os madrugadores têm um relógio que provavelmente corre um pouco menos de 24 horas e os notívagos provavelmente têm um relógio que corre um pouco mais de 24 horas.”

Mas, se você achar que seu ritmo circadiano não permite que você tenha seu melhor desempenho nos horários em que você está disponível, os exercícios podem ajudar a “reajustar” o seu relógio muscular.

Um grupo de pesquisadores liderado por Esser concluiu que o treinamento sistemático de camundongos com corridas de resistência pela manhã pode fazer com que os corpos dos roedores se adaptem ao novo regime de exercícios.

A atividade física aparentemente adianta o horário dos relógios moleculares dos seus músculos esqueléticos e tecidos pulmonares.

O estudo mais recente da equipe aguarda publicação em revistas científicas analisadas por pares. Ele concluiu que a magnitude da adaptação do desempenho foi maior em camundongos treinados pela manhã, em comparação com os que se exercitaram à tarde.

E, após seis semanas de treinamento, os camundongos treinados de manhã e à tarde atingiram o mesmo desempenho máximo de resistência.

Os pesquisadores indicam que, se forem encontrados efeitos similares em seres humanos, os atletas talvez possam recalibrar seus “relógios musculares” internos com o treinamento correto.

Evidências preliminares demonstram que a atividade física pode alterar o ritmo circadiano dos seres humanos. Isso pode ajudar as pessoas a se ajustarem a turnos de trabalho específicos ou a diferentes fusos horários.

“A simples noção aqui é que os relógios dos nossos músculos, na verdade, estão prestando atenção no horário em que fazemos exercícios”, explica Esser.

A chave do processo parece ser a rotina. O nosso corpo se adapta melhor aos exercícios quando eles são praticados regularmente no mesmo horário do dia.

“Se você for um cidadão comum ou mesmo um atleta de elite e pretende competir, você deve tentar treinar especificamente para o dia da corrida”, orienta Zierath. “Programe os seus períodos de treino para que eles sejam consistentes com o horário em que você irá precisar competir ou apresentar seu melhor desempenho.”

A maioria dos pesquisadores certamente indica que a atividade física é benéfica em qualquer horário. Mas, se você encontrar um momento que funcione e passar a adotá-lo, o seu corpo pode simplesmente se adaptar para oferecer uma vantagem adicional.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

Proposta cria medidas para evitar evasão escolar de mães e pais adolescentes

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O projeto de Augusta Brito está em análise na CAS e tem Marcelo Castro como relator. Luiz Silveira/Agência CNJ

Proposta em análise no Senado determina medidas para prevenir o abandono escolar em casos de gravidez, maternidade ou parentalidade precoces. O PL 3.748/2023, da senadora Augusta Brito (PT-CE), estabelece como dever do Estado a garantia de condições de acesso e permanência na escola nesses casos.

Entre as mudanças previstas, o projeto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069, de 1990) para definir multa caso o responsável por estabelecimento educacional deixe de acolher a mãe ou o pai estudante quando precisarem permanecer com o filho. O valor da multa varia de R$ 1 mil a R$ 3 mil.

O projeto está em análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e tem como relator o senador Marcelo Castro (MDB-PI). O PL também altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394, de 1996) para estabelecer como dever do Estado na educação escolar pública a obrigação de garantir creche para os filhos dos estudantes.

Pela proposta, o Estado deverá assegurar a oferta de creches e espaços lúdicos adequados no próprio ambiente escolar. Em relação às universidades, as instituições deverão desenvolver condições para o acolhimento de filhos de mães e pais estudantes.

Além disso, o poder público, as instituições e os empregadores deverão garantir condições adequadas ao aleitamento materno para os filhos de mães estudantes.

“Ocorre que muitos adolescentes, com um peso maior para as meninas, se deparam cedo em suas vidas com as responsabilidades de uma gravidez e da maternidade”, afirmou a autora na justificativa do projeto. Segundo Augusta Brito, a capacidade de acolhimento pelo poder público, família e sociedade ainda é “precária” quando se trata da parentalidade precoce.

“A concepção precoce agrava situações de pobreza, compromete a saúde da mãe, provoca a interrupção dos estudos e dificulta a inserção dos jovens no mercado de trabalho”, disse a senadora no texto. Para Augusta Brito, as políticas públicas “precisam considerar esse fator na alocação de recursos financeiros, técnicos e de conhecimento aplicados no desenvolvimento educacional”.

Atuação dos Conselhos

A proposta prevê que os estabelecimentos de ensino promovam ações integradas com os Conselhos de Direitos das Crianças e Adolescentes para prevenir a evasão escolar causada pela gravidez na adolescência.

O Conselho Tutelar deverá elaborar, junto com a escola, um plano individual para adolescentes em caso de gravidez, maternidade ou parentalidade precoces. A busca ativa daqueles que tenham abandonado a escola por esses motivos também será realizada pelos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Tramitação

Depois da Comissão de Assuntos Sociais, a proposta também será debatida na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e na Comissão de Educação e Cultura.

A análise do projeto é em caráter terminativo, ou seja, depois da aprovação nos colegiados poderá ser enviado diretamente para a Câmara dos Deputados, sem passar pelo Plenário – exceto se houver recurso para isso.

Pioneira na física, professora lembra carreira de quase 70 anos na USP

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Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Quando era adolescente, Yvonne Mascarenhas gostava de escrever e pensava em se tornar jornalista. Porém, quando chegou a época do vestibular, acabou optando pela química. “Tive um excelente professor e, pensando bem, vi o quanto a química é útil para a sociedade”, diz Yvonne, ao lembrar da decisão que a levou a ser a primeira mulher a ocupar uma cadeira no Departamento de Física da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), em 1956.

Quase 70 anos depois, aos 92 anos de idade, Yvonne vê na docência uma de suas maiores realizações na carreira. “Eu sempre digo: ‘não foi nenhum trabalho especial que eu fiz, que eu considere assim tão importante’. O mais importante foi o número de pessoas que aprenderam comigo, aprenderam nos cursos que eu organizei.”

São Paulo (SP) 09/02/2024.  A química Yvonne Mascarenhas, primeira mulher a ocupar uma cadeira no Departamento de Física e Engenharia de S. Carlos da USP em 1956 .  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Yvonne Mascarenhas, primeira mulher a ocupar uma cadeira no Departamento de Física e Engenharia de S. Carlos da USP em 1956.Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Em 2001, aos 70 anos e com quase 50 anos como professora da USP, ela se aposentou compulsoriamente, mas não deixou a universidade. “Recebi primeiro o título de professora emérita, depois surgiu uma posição na USP, que se chama professor sênior, que tem até um contrato. Não é um contrato de trabalho, é uma permissão de uso dos espaços”, explica. “Posso ter uma sala, ter meu computador, ter o laboratório. Só não posso dar aula, nem ter atividade administrativa”, diz a pesquisadora, ao lembrar como continuou orientando alunos de mestrado e doutorado depois da aposentadoria.

Prêmios

São Paulo (SP) 09/02/2024.  A química Yvonne Mascarenhas, primeira mulher a ocupar uma cadeira no Departamento de Física e Engenharia de S. Carlos da USP em 1956 .  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Yvonne Mascarenhas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Yvonne, que estudou nos Estados Unidos e na Inglaterra, ganhou diversos prêmios especializando-se na cristalografia, ciência que estuda a composição dos materiais a partir da forma como as ondas os atravessam. “Como eu trabalhei em uma área muito interdisciplinar, tive prêmios de sociedades de química, de física”, relata, sem destacar nenhuma honraria em especial.

Em 2017, ela foi uma das 12 cientistas agraciadas com o prêmio Distinguished Women in Chemistry or Chemical Engineering Awards, da União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac).

Na última terça-feira (6), foi a vez de receber o Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). “Eu posso destacar como sendo um que engloba praticamente todos os outros de uma maneira como se fosse agora uma conclusão da minha vida”, resumiu a professora, logo após participar da cerimônia de entrega dos troféus no campus Maria Antônia da USP, no centro da capital paulista.

A professora conta que tem um carinho especial pela SBPC, por causa do papel que a instituição teve durante a ditadura militar. “Nos maiores momentos da vida nacional, em que vivíamos angustiados com os amigos sendo presos, torturados, durante a ditadura, a SBPC foi uma sociedade que teve comportamento ímpar de defesa da democracia, de defesa dos direitos humanos.”

Neste Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, lembrado anualmente no dia 11 de fevereiro, a Agência Brasil traz uma entrevista exclusiva com a pesquisadora que lembra os momentos mais marcantes de sua vida e sua carreira na ciência:

Agência Brasil – Como a senhora decidiu se tornar cientista?

Yvonne Mascarenhas – Eu fui, quando era adolescente, muito apaixonada por literatura, jornalismo, tudo que é de arte, tudo que é comunicação. O meu ideal era estudar no ensino superior na área de letras. Meu pai me estimulava muito, porque, como eu gostava muito de escrever, e ele tinha um amigo que tinha um jornal, de vez em quando, ele pegava uma das minhas redações, como se chamava naquele tempo, levava lá e publicava.

Mas quando eu cheguei no que antigamente chamava-se curso colegial, que era dividido em clássico e científico, eu fui para o clássico, mas tive professores muito bons em matemática, física e química, mesmo dentro do curso clássico. Então, eu me interessei muito por química. Tive um excelente professor e, pensando bem, eu vi que a química é tão útil para a sociedade, tem tantas vertentes em que ela é importante, tanto nas aplicações biológicas como nas aplicações industriais.

Eu me apaixonei pela química, principalmente a área de química orgânica. Aí, resolvi fazer vestibular para química. Consegui, passei, entrei na Faculdade de Filosofia, que antigamente era a Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, porque o Rio de Janeiro era a capital. E se transformou essa universidade em UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro].

No meu tempo – era um tempo muito mais ameno, digamos assim –, tudo acontecia, a faculdade de filosofia era ali perto da Cinelândia, do Rio, um lugar muito privilegiado. Tem o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional, todos os cinemas, que era uma das coisas principais daquela época, teatros, tudo por ali. Eu tive uma oportunidade maravilhosa de conviver com cientistas, com matemáticos, com biólogos, tudo desde a Faculdade de Filosofia, e ao mesmo tempo frequentar esse ambiente cultural riquíssimo que era no Rio de Janeiro. Eu tive muita sorte.

Agência Brasil – Qual foi o seu primeiro marco na carreira de cientista?

Yvonne Mascarenhas – Decidir eu mesma, dentro da química, o que achava interessante, foi quando fiz uma disciplina com um professor que tinha acabado de voltar dos Estados Unidos, tinha se doutorado no MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts], chamava-se Elysiário Távora [importante geólogo]. Ele tinha se doutorado junto com um orientador que era um dos grandes cristalógrafos da época, em que a cristalografia estava se formando mesmo, de difração de raio x. E ele nos deu um curso muito interessante.
Eu falei: “é isso que eu quero”. Porque as propriedades de todos os materiais dependem da estrutura molecular e da estrutura do empacotamento das moléculas dentro do cristal, dentro do material que vai ser usado.

Agência Brasil – O que é a cristalografia?

Yvonne Mascarenhas – É o estudo dos cristais. É um estudo, porque pode não ser cristal, começou como cristal, mas hoje em dia até com materiais amorfos a gente tem certas aplicações da difração e espalhamento de raios x. Então fiquei nessa área. [estudo da estrutura dos materiais a partir da maneira como as ondas, como os raios-x, se espalham ao atravessar a matéria].

Claro que essa área evoluiu muito. Hoje em dia, tem difração de nêutrons, aperfeiçoam-se muito as espectroscopias. A área de determinação de estruturas moleculares até hoje é muito importante. Quando era mais fácil, molécula pequena, depois passava para proteína, passava para moléculas muito maiores. Hoje em dia, complexos de proteína. Está indo assim num desenvolvimento extraordinário e muito vivo até hoje. Se você pensar bem, o Brasil se envolveu em ter um laboratório nacional de luz síncrotron, lá em Campinas, é do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico]. E aquilo se transformou no CNPEM [Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais], e agora nós temos um dos maiores aceleradores para essa finalidade lá no CNPEM.

É uma área que está muito viva até hoje. Tem muito aluno que está interessado nisso, tanto [de] departamentos químicos como físicos, muitas vezes bioquímicos, [que] acabam entrando nessa área para entender a estrutura das moléculas, para entender como que elas funcionam.

Agência Brasil – A senhora falou da importância que os professores tiveram na sua motivação. Vendo-se hoje, com muitos anos como professora, a senhora tem esse orgulho, essa felicidade de sentir que motivou muita gente também?

Yvonne Mascarenhas – Olha, esse é o principal produto do resultado do meu trabalho. Eu sempre digo: ‘não foi nenhum trabalho especial que eu fiz que eu considero assim tão importante’. O mais importante foi o número de pessoas que aprenderam comigo, aprenderam nos cursos que eu organizei. Não cursos na faculdade, na universidade. Cursos que podiam receber gente de qualquer lugar. Eu organizei muitos cursos fora de São Carlos, em Brasília, em Belo Horizonte, em vários lugares.

Essas pessoas que se formaram e que aprenderam, e que depois até foram fazer doutoramento fora do Brasil, até porque, esses cursos, em que a gente mostrava o panorama da cristalografia mundial e que levaram à formação de uma comunidade que absolutamente não existia quando eu voltei dos Estados Unidos, em 1960. Essa comunidade [que estuda cristalografia] é extremamente ativa. Eu fico muito feliz.

Agência Brasil – A senhora poderia contar um pouco mais das experiências internacionais que teve ao longo da carreira?

Yvonne Mascarenhas – A primeira foi na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, onde eu tive uma sorte incrível de encontrar o professor Ernesto Hamburger. Ele estava fazendo física nuclear, que era coisa da moda na época.

Eu estava muito desanimada porque a minha bolsa era para uma outra instituição lá de Pittsburgh, a Carnegie Tech. Aí, eu falei com ele que eu ia desistir, que eu ia fazer qualquer outra coisa, ia fazer uns cursos, umas disciplinas. Ele falou: ‘não, mas o melhor curso de cristalografia dos Estados Unidos é aqui, na Universidade de Pittsburgh’.

Eu fui lá e encontrei o chefe do laboratório, um inglês maravilhoso, o George Jeffrey, que relutou um pouquinho, mas depois me aceitou. Sem nenhuma burocracia, eu usei a minha bolsa da Fulbright e, em vez de ir no Carnegie Tech, eu usei trabalhando no laboratório do professor Jeffrey, lá na Universidade de Pittsburgh.

Foi uma maravilha, porque ali eu tive contato direto, havia um bom laboratório, com as técnicas daquela época, de 1960 – que era muito antes da automação, e tudo isso, mas com gente muito competente. Meu orientador era um cara muito bacana, Brian Craven, um cristalógrafo da Nova Zelândia radicado nos Estados Unidos, e que me botou para trabalhar, nem querendo saber quanto eu sabia de cristalografia nem de raio x.

Eu estava em um ambiente muito bom, com aquele monte de alunos ali, em que um ensinava o outro . Fui aprendendo e consegui trazer o conhecimento, que eu posso dizer que não era muito profundo, mas era razoável para começar. E aí comecei o laboratório de cristalografia lá em São Carlos [interior de São Paulo].

Agência Brasil – A senhora voltou dos Estados Unidos e já foi para São Carlos?

Yvonne Mascarenhas – Não, eu fui para São Carlos, passei lá uns quatro, cinco anos, aí fui para Pittsburgh. Depois que me graduei, conseguimos emprego, eu e o Sérgio [marido], para trabalhar na Universidade de São Paulo, no campus de São Carlos, onde tinha uma escola de engenharia. Então, eu e ele, depois que trabalhamos lá uns 4, 5 anos, conseguimos um afastamento, fomos passar um ano nos Estados Unidos com bolsa Fulbright, uma bolsa americana [organização internacional vinculada aos governos do Brasil e dos Estados Unidos].

Com isso, passamos lá quase dois anos. Quando acabou a bolsa Fulbright, o próprio cara do meu laboratório, o Jeffrey, me ofereceu uma bolsa de um contrato dele. E a mesma coisa aconteceu com o Sérgio, lá do Carnegie Tech. E criamos ótimos amigos nessa época, foi maravilhoso. Aí ficamos lá de meados de 59 até o fim de 60 e voltamos para São Carlos.

A cada quatro anos na USP você tinha direito ao que se chamava uma licença-prêmio, que era equivalente a um ano letivo fora do Brasil. Fomos para a Universidade de Princeton, depois eu fui para Boston, para a Universidade de Harvard, e depois, finalmente, a quarta saída, fui para a Universidade de Londres, onde passei um tempo muito bom, tendo um bom contato com cristalografia de proteínas, que era uma coisa que me interessava, difícil, muito difícil, mas que me deu um banho de cristalografia de proteínas.
Voltei para o Brasil, comecei a tentar fazer coisas com proteínas.

Agência Brasil – Qual a importância para a senhora de ter recebido Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência?

Yvonne Mascarenhas – Eu acho que foi uma ideia brilhante da Carolina [Bori, que foi presidente da SBPC], fazer essa premiação, porque as mulheres estão tendo um acesso, mas ainda falta muito para elas realmente terem disposição de entrar nessas carreiras mais difíceis, lutar pelos seus direitos e, principalmente, visar os postos mais elevados da função.Por exemplo, quando chegam à universidade, elas muitas vezes fazem mestrado, doutorado, às vezes, fazem postdoc, mas, depois, na hora da competição, para entrar como professoras, não é muito fácil. Algumas conseguem. Agora, galgar dentro da carreira docente vai ficando mais difícil.

Eu tenho a impressão de que tem algumas que até já nem competem, porque acham que é muito árduo, muito difícil vencer a barreira. Mas eu acredito que muitas já estão conseguindo ser professoras titulares. Então, precisa estimular para que elas não desistam de fazer uma carreira dentro da sua profissão, seja ela qual for, visando o progresso que elas merecem pela experiência, pelo conhecimento, pelo trabalho. Não precisa nem ser em ciência.

Em qualquer empresa, a mulher tem que entrar pensando: ‘eu vou poder ser chefe de sessão, eu vou poder ser gerente de não sei o quê’. Eu tenho visto muitos que estão conseguindo fazer isso. Acho que estamos no caminho certo. Ainda não é o ideal, não é, mas estamos no caminho certo. O foco está lá longe, mas estamos caminhando na direção dele. Estou muito otimista quanto a isso.

Agência Brasil – A senhora teria algo a dizer para as mulheres que pensam em seguir carreira na ciência?

Yvonne Mascarenhas – Que as mulheres novas agora sigam o exemplo das que já usaram os direitos e se estimulem mais ainda para exercer esses direitos de educação, de busca de uma vida econômica independente, sem ser dependente nem de marido, nem de pai, nem de ninguém, e que sejam felizes com uma vida em que elas se sintam mais bem realizadas, e sem desistir da vida familiar, se elas quiserem ser mães. Ficar frustrada porque não tem um filho também não é muito bom. Ficar frustrada porque não tem família também não é muito bom. O isolamento às vezes é penoso para mulheres. Para algumas mulheres, é a solução, para outras, não é.

Então, quando elas optarem por terem uma vida familiar, que saibam escolher um bom cara de cabeça aberta. Hoje em dia, já existem muitos, graças a Deus. Quando a gente fala da liberação das mulheres, eu acho que é também dos homens, de deixar de ser o preconceito contra a atividade da mulher. Já temos muitos homens de boas famílias, que têm essa cabeça aberta. Encontrar um bom marido com cabeça aberta, que os dois façam uma vida profissional de muito sucesso e que eduquem bem seus filhos.

E que ela, na hora mais difícil, que é quando tem filho, não perca o foco do seu ideal profissional. Continue trabalhando firme e mantendo o foco na profissão bem aceso, bem vivo, para poderem se realizar e se realizarem também como mães, como mães de família, como papel social. Quando a mulher tem filhos, começa a ter um papel social muito maior. Tem que se preocupar com a educação das crianças e tudo mais.

Agência Brasil – A senhora teve quantos filhos?

Yvonne Mascarenhas – Eu tive quatro. Quatro filhos. Quando eu fui para Pittsburgh, aquela senhora que está comigo [aponta para a filha do outro lado da sala], a Ivoninha, ela tinha 3 anos e o irmão dela, 4. Levei, coloquei no jardim de infância, no kindergarten [jardim de infância], eles ficavam quase o tempo todo lá, eu tinha que sair correndo, às 4h, para pegar eles. Nem precisava porque tinha uma condução que levava eles para casa.

Eu ia trabalhando o que dava para trabalhar, chegava em casa, fazia jantar, cuidava um pouco da casa. No fim de semana, cuidava da roupa, da limpeza, mas isso daí eu fiz sem nunca deixar de fazer a coisa que me interessava, que era a cristalografia. E todas as vezes foi assim. Sempre levamos nossos filhos junto [dois dos filhos de Yvonne são falecidos]

Cidadania vai às ruas mostrar que folia também é falar sobre acessibilidade e garantia de direitos 

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Fotos: Divulgação/SEC

“Não tem nada que me impeça de ser feliz”. É essa a frase que Ana Lúcia Serpa, 49 anos, solta em meio à folia. No primeiro dia de bloquinho, o “Nada sobre nós sem nós” foi o momento dela de mostrar que toda pessoa com deficiência tem sua fala e espaço no Carnaval.

“Nosso grupo carnavalesco vem mostrar que ninguém vai falar por nós. Quem falar pela gente, tem que estar com a gente. Carnaval é para todos, e pular é só mais um degrau”, completa a aposentada.

Cidadania vai às ruas mostrar que folia também é falar sobre acessibilidade e garantia de direitos 
Para Ana Lúcia, não tem barreira para ser feliz e pular Carnaval

Na sexta-feira (9), o teatro de arena do Horto Florestal foi palco para uma festa na qual o protagonismo era a acessibilidade. Para a subsecretária de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência, Telma Nantes de Matos, no Carnaval a marchinha deve ser acessibilidade, inclusão e igualdade. 

“Isso é cidadania, é sair e foliar como as demais pessoas. Eu gosto de curtir, apoiar e precisamos proporcionar esse momento às pessoas. Cultura é inclusão, Carnaval é inclusão e as pessoas com deficiência merecem ter essas possibilidades”, ressalta.

Cidadania vai às ruas mostrar que folia também é falar sobre acessibilidade e garantia de direitos 
Subsecretária de Políticas Públicas para Pessoa com Deficiência, Telma Nantes, ressalta que Carnaval é inclusão, acessibilidade e respeito

Criador do bloco, Damião Zacarias da Silva, de 48 anos, é corumbaense de nascença e tem o Carnaval no coração. “Sou folião desde pequeno”, brinca. A ideia do bloco surgiu em 2018, e o primeiro cortejo foi realizado no Carnaval do ano seguinte. “Pensamos no bloco pra gente se reunir e mostrar para as pessoas, para a sociedade e para nós mesmos que a gente é capaz de ir e vir e ter nosso direito de brincar o Carnaval também”, acrescenta. 

Ainda na sexta, durante o bloco Farofolia, que abriu a programação da Esplanada Ferroviária, o Centro Estadual de Cidadania LGBTQIA+ levou conscientização e informação para o Carnaval. Foram 300 pessoas orientadas e que receberam o kit contendo preservativo, além de testes rápidos de HIV. A ação teve apoio da Subsecretaria de Políticas Públicas para a População LGBTQIA+, Secretaria de Estado de Saúde e ONG Águia Morena.

Cidadania vai às ruas mostrar que folia também é falar sobre acessibilidade e garantia de direitos 
Damião Zacarias é o criador do bloco “Nada sobre nós sem nós” que traz, desde 2019, a acessibilidade para a folia

“A festa mais popular do País também é a oportunidade de levar ações de promoção de saúde e prevenção de doenças às ruas, além de reforçar a necessidade de não negligenciar certos comportamentos que podem oferecer risco à saúde individual e coletiva da população”, explica a coordenadora do Centro, Gaby Antonietta.

Colaborador da ONG Águia Morena, Kedney Araújo esteve na ação ao lado do CEC LGBTQIA+ falando exatamente sobre redução de danos no Carnaval. “Este é um dos momentos onde existe maior concentração do uso de substância, principalmente de álcool, então estamos aqui levando informação, prevenção e orientação”, completa. 

Boas atitudes fazem um bom Carnaval

A campanha do Governo do Estado para o Carnaval 2024 bate na tecla de que “boas atitudes fazem um bom Carnaval”, e reforçando as regrinhas do rolê, entre elas o “não é não” para combater o assédio contra as mulheres.

Os materiais foram entregues aos municípios do interior do Estado e, na Capital, a subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, foi às ruas junto ao Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, presidido pela secretária-adjunta do Governo, Ana Nardes, a DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher), Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Só no sábado (10), pelo menos mil cartazes e folders foram distribuídos.

Cidadania vai às ruas mostrar que folia também é falar sobre acessibilidade e garantia de direitos 
No sábado, cartazes alertando que “boas atitudes fazem um bom Carnaval” foram entregues em ação do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher e da Subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres

“Viemos lembrar que boas atitudes, importantes comportamentos e principalmente consciência, responsabilidade e acima de tudo respeito, são fundamentais para que o Carnaval seja divertido e fraterno. Vamos brincar, nos divertir e, acima de tudo, respeitar as nossas diferenças”, enfatizou Manuela..

Preservativos e testes rápidos foram entregues pelo Centro Estadual de Cidadania LGBTQIA+ no 1º dia de bloquinho na Esplanada

Como denunciar

Tanto a Polícia Civil quanto a Militar estarão atuando com suas equipes nas festividades de Carnaval. Reforçando que a DEAM, que já funciona 24h, estará com todos os integrantes da rede de proteção à mulher, da Casa da Mulher Brasileira, preparada para atender e fazer o acolhimento dessas mulheres.

Para denunciar qualquer tipo de assédio ou importunação sexual ligue para a Central de Atendimento à Mulher 180. A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul também está à disposição da população por meio do número 190, que deverá ser acionado quando a violência estiver acontecendo.

As vítimas também podem procurar diretamente as demais Delegacias, para registro do Boletim de Ocorrência.

Vale ressaltar que no site www.naosecale.ms.gov.br estão disponíveis todos os canais de denúncia.