2007-07-23 05:34:37
Uma verdadeira multidão procura a casa onde está a imagem da Santa Nossa Senhora de Fátima. Depois da notícia de que a imagem transpira mel e seria milagrosa, vários fiéis e devotos da santa procuram o endereço, mantido em sigilo pela família. Aos poucos, no entanto, a localização vai sendo repassada entre os católicos. É tanta gente que a família começou a restringir as visitações.
Até o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, passou pela casa. Informações não confirmadas dão conta que o governador André Puccinelli também faria uma visita à casa.
“Acredito que tem um significado mandado por Deus, porque o povo está precisando muito de pureza, de muita fé e muita religião, seja ela qual for”, disse a auxiliar administrativa Rosângela Borges à reportagem da TV Morena.
A artesã Aline Albuquerque Braga, que fez a pintura da imagem, se diz espantada. "Fiquei muito surpresa porque não é uma coisa que a gente vê todo dia. Principalmente a gente que trabalha com pintura diariamente, eu não tinha visto nada parecido".
A família não quer aparecer, e impediu essa semana que uma equipe da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) coletasse amostras do líquido para descobrir a composição. O dono da imagem se justifica. "Eu não tenho obrigação nem nada de dar satisfação a ninguém. A santa é minha, eu comprei e paguei. Ela apareceu com esse milagre, que eu considero que é meu, e está na minha casa. Então eu tomei a decisão já definida de não fazer teste nenhum. Ela é minha e vai ficar como está".
A Arquidiocese de Campo Grande depende de uma autorização da família que é proprietária da imagem de Nossa Senhora de Fátima, para investigar o motivo da santa estar supostamente vertendo mel.
O fenômeno, segundo a Arquidiocese, começou a cerca de dois meses, e tem atraído todos os dias, dezenas de pessoas a casa da família, na Capital. A imagem de Nossa Senhora de Fátima é feita em gesso e tem 50 centímetros de altura.
Segundo o assessor de imprensa da Arquidiocese, padre Adailton Miorim, que já esteve no local para verificar in loco o ‘fenômeno’, a família, que já participa a quase 40 anos do movimento católico, a princípio, não aceita que a imagem seja retirada de sua casa para que a ‘manifestação’ seja investigada.
"Não foi conversado, se eles autorizariam que um grupo formado pela Arquidiocese investigasse o fenômeno na própria casa da família. Sem essa autorização não podemos ir até lá e investigar a manifestação, até porque a imagem é uma propriedade privada da família”, explicou.
Conforme o padre, não existe um prazo para que Arquidiocese faça o pedido dessa autorização a família. Ele explica que essa decisão, assim com a escolha dos possíveis membros desse grupo de trabalho depende do arcebispo de Campo Grande, Dom Vitório Pavanello.
“Não podemos nos antecipar, dizendo quem comporá esse grupo de trabalho, porque o primeiro passo é ter a autorização da família para investigar o fenômeno. Sem isso não adianta ter um grupo de trabalho, e isso está sendo decidido por Dom Vitório”, ressalta.
Em Brasília, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disse que em casos assim é preciso ter cautela. "A grande maioria de fenômenos, supostamente sobrenaturais, costumam ter causas perfeitamente explicáveis à luz da ciência. Então a juízo do próprio bispo diocesano, espera-se um tempo para ver a repercussão do fenômeno e se ele realmente se repete. E a partir daí o bispo deve montar uma comissão multidisciplinar, incluindo médicos, parapsicólogos e outros especialistas que conforme a situação vão analisar o fenômeno em si e procurar possíveis explicações", explicou o secretário nacional da CNBB, Dom Dimas Lara.
“Não podemos proibir as visitas, porque isso é uma decisão da família. Mas não sabemos ainda se é um milagre. Não estamos dizendo que não seja, mas agora, sem estudos também não podemos dizer que é”, concluiu Pe. Adaílton.