2007-08-23 16:50:00
Vilson Nascimento
A jovem amambaiense de 19 anos que ganhou destaque em toda a imprensa nacional essa semana por praticar diversos tipos de golpes no estado de São Paulo é mais uma das centenas de vítimas da falta de estrutura familiar que ocorre hoje em dia nos quatro cantos do País.
A equipe de reportagem do jornal A Gazeta e do site A Gazetanews, entrou em contato com os avós de Kelly Samara Carvalho dos Santos que residem em Amambai e levantou a conturbara história da jovem, sua infância em um sítio próximo a cidade, sua adolescência problemática, até seu envolvimento com o mundo do crime e dos vícios que culminou com a prisão, na última terça-feira (21) no Itaim Bibi em São Paulo.
Em entrevista exclusiva para nossa reportagem os avós de Kelly, Epitácio Carvalho Neto de 82 anos e Alzira Ricardo de Carvalho de 74, bastante emocionados, contaram toda a história da jovem, filha de mãe solteira e abandonada pela própria mãe aos 3 meses de idade.
A História- Segundo os avós a mãe de Kelly, Celina Ricardo de Carvalho de 40 anos, que hoje tem mais dois filhos e reside em Pedro Juan Caballero no Paraguai, teria mantido um relacionamento amoroso passageiro com Paulo Sérgio dos Santos na época morador em Amambai, hoje residente na cidade de Nova Xavantina no Mato Grosso, do qual teria engravidado e dado à luz a menina.
Quando a menina tinha apenas 3 meses de vida a mãe de Kelly teria visitado seus pais na chácara onde residiam, deixado a criança e não teria mais retornado. “Tivemos que pegar uma vaca emprestada de uma chácara vizinha para tirar o leite e alimentar a criança”, disse o avô.
Segundo Epitácio durante toda a infância e menina permaneceu aos cuidados dos avós. “Ela sempre foi muito esperta, uma menina linda e adiantada”, disse o avô ao não conseguir se conter e entrar em prantos ao lembrar que quando criança, a neta que tratavam como “filha” o ajudava e brincava enquanto ele trabalhava na roça.
“Quando Kelly tinha 6 anos de idade nos mudamos para cidade em Amambai. Ela entrou na escola, mas só foi bem nos estudos até os 9 anos” disse o avô ao relatar que daí em diante a menina começou a ser influenciada por amigos. De acordo com o avô aos 13 anos a jovem começou a pender para o caminho errado. Em companhia de “amigas” foi flagrada praticando furto em uma loja na cidade de Tacuru, acabou detida pela polícia e encaminhada ao Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente, daí para adiante foram várias pelo Conselho Tutelar, pela polícia e pelo Juizado da Infância e da Juventude em Amambai.
Jovem bonita, espontânea e atraente, ao completar 14 anos, segundo o avô, sem conhecimento dos familiares, Kelly Samara teria se amasiado com um cirurgião dentista residente em Dourados mentindo a idade, afirmando ter 18 anos.Ela chegou a viver um certo tempo com o rapaz, mas acabou dando um golpe, furtando cheques, causando grandes prejuízos ao ex-parceiro e retornou para a casa dos avós em Amambai onde teria continuado “aprontando”.
Em Amambai, já aos 17 anos, Kelly Samara Carvalho dos Santos teria se apresentado como “medica veterinária”. Antes disso ela já havia respondido a “atos inflacionais” e chegou a ser internada em uma UNEI (Unidade Educacional de Internação), mas não se recuperou.
Na suas última passagem pela polícia na região ela teria se apresentado como “dermatologista” na cidade de Tacuru dizendo que pretendia montar uma clínica no município, porém, durante conversa com o prefeito da cidade, que é médico clinico geral, ela acabou sendo desmascarada.
Falta dos pais- Ao ser presa em São Paulo Kelly Samara relatou que a falta dos pais e de uma família sólida foi a principal causa que a levou a pender para o mundo da marginalidade. Os avós da jovem, Epitácio Carvalho e Alzira Carvalho afirmaram, durante a entrevista, que a falta da figura materna e paterna, ou seja, a presença da mãe e do pai era uma “cruz” que atormentada a menina desde a infância.
Segundo os avós durante a adolescência Kelly teria procurado o pai, que segundo eles nunca prestou qualquer assistência à menina, e teria chegado a conviver algum tempo na casa de seu genitor em Nova Xavantina no Mato Grosso, mas acabou voltando para Amambai após se desentender com a avó paterna.
“Tentamos fazer o que foi possível para suprir a falta dos pais. Todos os anos, desde o primeiro ano de vida, fizemos festinhas para comemorar os aniversários dela e procuramos tratá-la como nossa filha. Falhamos”, desabafou o avô com os olhos lacrimejando e segurando fotos da infância na neta, hoje classificada como uma “grande estelionatária”, e título de manchete em toda a mídia no País. Os avós de Kelly moram em uma residência humilde na Vila Xavier em Amambai e sobrevivem de aposentadoria.