2007-11-16 01:11:00
Vilson Nascimento
Policiais federais abordo de um veículo Gol e uma caminhonete S-10, segundo a vítima, totalmente descaracterizados, perseguiram um caminhoneiro por cerca de 40 quilômetros e acabaram alvejando o veículo de carga com vários disparos ao entrar na cidade em Tacuru.
O fato aconteceu na madrugada dessa quarta-feira (14). Segundo o motorista, Daniel Lazaro Viaro de 30 anos, residente em Paranhos, na fronteira com o Paraguai, ele e seu ajudante, Davi Ledesma Tavares de 34 anos, teriam saído de Paranhos por volta da meia de terça em direção a Mundo Novo para buscar uma carga de areia para uma empresa que está construindo casas populares em Paranhos e quando faltava aproximadamente 20 quilômetros para sair na rodovia MS 156, trecho que liga Tacuru a Amambai, eles teriam cruzado pela caminhonete e o veículo Gol que se deslocavam no sentido contrário.
*Veja fotos do caminhão e o depimento na íntegra do motirista à Polícia Federal no quadro "Holofote" ao lado*
Segundo Daniel, que é irmão do presidente da Câmara de Paranhos, vereador Donizete Viaro (PMDB), minutos depois os dois veículos retornaram e o veículo Gol, ao ultrapassá-lo, teria atravessado em sua frente, de onde teria descido um indivíduo sem nenhuma identificação e de arma em punho sinalizando para parar.
Temendo por um assalto, já que assaltos à mão armada estão acontecendo em quantidade assustadora em toda a região de fronteira com o Paraguai, no sul do Estado, o motorista, que é proprietário do caminhão, um Mercedes Benz 1113 de cor vermelha, placas KHG 0607 de Paranhos-MS, teria acelerado para escapar, momento que passou a ser perseguido e alvejado pelos “supostos assaltantes”.
Motorista pediu por socorro- Segundo a Polícia Militar de Tacuru que registrou ocorrência relatando os fatos, ao tentar escapar dos perseguidores, com o emprego de um telefone celular, o motorista teria ligado no Grupamento PM de Tacuru dizendo estar sendo perseguido e pedido socorro.
A PM informou, também, que no mesmo momento os policiais, que participavam da perseguição, teriam ligado do Grupamento PM informando que estavam em perseguição a um caminhão e pedido apoio, porém, por conta da falta de sinal de celular, os PMs não puderam informar Daniel que seus perseguidores eram policiais federais.
Orientado pela PM em seguir direto para a sede do Grupamento PM em Tacuru, o condutor ao chegar no trevo, a cerca de 2 quilômetros da cidade se deslocou para o perímetro urbano de Tacuru, foi quando, já em perímetro urbano, os ocupantes do Gol teriam aparelhado com a cabine do caminhão e começado a atirar em direção do motorista e seu ajudante.
Ferido com um tiro de raspão no peito, lado esquerdo, Daniel Viaro acabou perdendo o controle do caminhão que se chocou contra um ponto de táxi situado próximo a rodoviária da cidade e em uma árvore, vindo a parar.
Motorista e ajudante dizem ter sido humilhados- Segundo o motorista e seu ajudante, que somente após pararem o caminhão teriam tomado conhecimento que seus perseguidores eram policiais federais, eles foram humilhados, chutados e xingados pelos agentes federais.
As vítimas disseram também que ao relatarem que residiam em Paranhos um dos policiais teria dito que “em Paranhos mora traficantes e bandidos”. Segundo as vítimas, Daniel Viaro e Davi Tavares os policiais federais também teriam afirmado que “quem anda à uma hora dessas (por volta das 2h da madrugada) nessa região ou é polícia ou é bandido”.
Prejuízos- Daniel Viaro e Davi Tavares foram levados pelos policiais federais até a Delegacia de Polícia Federal em Naviraí onde foram ouvidos em declarações pelo delegado, Chang Fan e trazidos de volta pelos próprios policiais federais até Tacuru.
Segundo Daniel ter sofrido um prejuízo de cerca de 10 mil reais em seu caminhão, ele deverá ingressar com uma ação indenizatória por danos materiais e morais contra a União por conta da ação dos policiais. Tentamos contato com a Polícia Federal em Naviraí, Dourados e Campo Grande, mas o “Ciquinho”, que é o responsável pelo setor de imprensa não foi encontrado para nos atender.
Na Delegacia da Polícia Federal de Naviraí, para onde o motorista e o ajudante foram levados para ser ouvidos em declaração, a atendente disse que ninguém estava habilitado para falar sobre o assunto.