2008-03-28 13:19:00
O Crime Compensa?
O governo brasileiro está nas mãos de peculatários, embusteiros e simples ladrões. Deputados roubam e são eleitos, ministros roubam e acabam sendo deputados prestigiados no Palácio do Planalto, deputados são cassados por falta de ética e tornam-se lobistas ficando ricos.
A ética passou a ser uma lenda, uma história da Carochinha. Esses fatos são de domínio público sem que ninguém se envergonhe.
Os elementos do PT que estão juntos ao governo, ao que tudo indica, vêm agindo como chantagistas, extorsionários, e com certeza, com anuência do presidente da República. O Brasil desde 2003 foi transformado pelos petistas num covil. Com seus métodos, digamos, heterodoxos, o PT lançou-se mais uma vez no panorama da marginalidade. Cercado de pessoas sem escrúpulos no Palácio, o presidente está a ponto de colher mais frutos amargos da sua complacência com meliantes.
Ligado na tevê Senado nessa semana, ouvi o senador paranaense Álvaro Dias na tribuna afirmar curto e grosso que no atual governo “o crime compensa”. Citou como exemplo o deputado Antonio Palocci, tristemente conhecido por ter quebrado o sigilo bancário de um humilde caseiro, cujo crime foi dizer a verdade, agora escolhido pelo presidente da República para ser o relator da importante Comissão Especial da Câmara para a Reforma Tributária. Outro exemplo recente foi o do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que exercia simultaneamente a presidência do PDT. Instado pelo Conselho de Ética – vejam só – da Presidência da República, se recusou durante meses a deixar um dos cargos, sempre com o aval do sr. Lula da Silva. Resumo da ópera: boa parte dos integrantes do tal Conselho se demitiu por não concordar com omissão do “operário padrão”.
Desde que chegou ao poder, o PT já fez de tudo. Roubou, corrompeu e foi corrompido, criou o mensalão, carregou dólares na cueca, mandou “relaxar e gozar”, produziu dossiês fajutos, jurou amor eterno a escroques como Jader e Renan, e, segundo o Ministério Público paulista, é suspeito de envolvimento até em execuções como a do ex-prefeito Celso Daniel e Toninho do PT. É de dar inveja ao Fernandinho Beira-Mar.
Agora houve a revelação de que o Palácio do Planalto teria elaborado um dossiê sobre os gastos das contas tipo B do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foram publicadas na revista Veja. Segundo a revista, funcionários do Planalto investigaram gastos do ex-presidente e da ex-primeira dama Ruth Cardoso, a fim de intimidar os tucanos na CPI.
O Planalto se apressou em desmentir tal dossiê, embora tenha reconhecido o vazamento de dados sigilosos sob sua responsabilidade. Em nota, a Casa Civil informou que abrirá uma sindicância para apurar como as informações saíram do Sistema de Suprimento de Fundos. O primeiro aspecto relevante a se destacar sobre a reportagem que informa a existência de um dossiê preparado pelo governo para tentar chantagear as oposições na CPI dos Cartões, é o comportamento do governo. Como era de se esperar, negou a existência da tramóia, mas mandou investigar o “vazamento de informações”. Deu pra entender? O Planalto determinou que se apurasse um “fato” que ele nega existir. Incoerência total.
Infelizmente os exemplos que vêm de cima acabam configurando o caráter do povo brasileiro, e eu já fui um brasileiro orgulhoso da sua pátria e que se emocionava cantando o Hino Nacional. Não canto mais. Hoje tenho vergonha.
Em recente entrevista, o demissionário presidente do Conselho de Ética, o embaixador Marcílio Marques Moreira acerta na mosca. Diz ele, “Muitos de nós aprendemos a transgredir já no colégio, com a cola e certeza da impunidade. Ainda crianças, aprendemos como enganar e burlar a lei. Mas também aprendemos como nos desculpar quando pegos. E há uma frase que eu acho simbólica: “Se todos fazem, não só pode como tem de fazer. É idiota quem, podendo se aproveitar, não o faz”. É atual até hoje. Portanto, esse é um problema da própria sociedade. Se você estiver em uma estrada viajando na velocidade máxima e houver um sujeito atrás mais rápido, querendo ultrapassá-lo, você se sente um imbecil. Quem anda dentro da lei hoje é considerado um imbecil. Essa leniência com desvios, com transgressões, começando com as pequenas, como jogar papel na rua, furar o sinal vermelho, dar uma “cervejinha” ao guarda que quer multar, é algo que permeia a sociedade”.
É o legado das nossas autoridades.