17/01/2019 22:01

Prevenção e tratamento a pacientes com doenças ateroscleróticas

Responsável por mais mortes do que acidentes e câncer, essas doenças concentram os maiores estudos dentro da medicina

O nome pode ser difícil, mas elas são mais comuns do que se imagina. Doenças ateroscleróticas são causadas pelo acúmulo de colesterol na parede das artérias e podem comprometer qualquer artéria do corpo. É uma doença sistêmica, que consiste na soma de vários fatores, mas com manifestação local. Em outras palavras, juntando um pouquinho do estresse aqui e do sedentarismo ali, caso esta enfermidade se manifeste no coração, provocará o infarto; no cérebro, o acidente vascular cerebral isquêmico; na perna, será a doença arterial obstrutiva periférica.

Especialista em cirurgia cardiovascular, o médico Amaury Mont'Serrat Dias explica que, somada a manifestação cardíaca mais a manifestação cerebral, as doenças ateroscleróticas são responsáveis pelo maior índice de morte na população, tanto no Brasil quanto no mundo. “Elas matam mais que acidente automobilístico, doenças infectocontagiosas e câncer”, destaca. A doença representa uma grande parcela do deficit previdenciário, por ocasionar aposentadorias e pensões, e por isso precisa ser vista como um problema de saúde pública.

Os caminhos para o tratamento começam, obviamente, na prevenção, a fim de evitar que a doença ocorra. “Alimentação saudável, atividades físicas concretas de no mínimo 1h de duração, três vezes na semana, e investigação de doenças presentes na pessoa, principalmente se há histórico familiar em idade abaixo de 50 anos”, enumera Amaury.

Além da prevenção, há tratamentos altamente eficazes, que vão desde medicamentos a cirurgias. “A gente sempre quer a prevenção, mas, uma vez presente a doença, aí vem o tratamento, que é complexo e se utiliza de diversos recursos – tanto o medicamentoso, que é um ótimo tratamento da doença coronariana obstrutiva, como também pode ser realizado o implante de dispositivos, como os stents e em nas situações mais graves, a cirurgia de revascularização”, exemplifica.

Com duas décadas de atuação na área de cirurgia cardiovascular, Amaury realiza cirurgias minimamente invasivas e também complexas. (Foto: Valdenir Rezende)
O tratamento, segundo o médico, ocorre de forma local, no órgão acometido. “Se for uma isquemia cerebral, trata-se as artérias que irrigam o cérebro”, explica Amaury. Quanto aos sintomas, os principais que fazem com que pacientes procurem pelo especialista são dor no peito e falta de ar. “No entanto, sabemos que metade dos infartos são sem dor, assim, às vezes passam despercebidas , e isto é muito mais presente na população de diabéticos, porque eles têm mais risco de ter infarto sem ter uma dor clínica”, afirma.

O primeiro passo a ser feito é sempre investigar o histórico familiar do paciente, observar hábitos de vida, idade, índices de colesterol bom e ruim, triglicérides e insulina. “Como a manifestação da doença é a soma de vários fatores, temos a criação de diversos escores com classificação de riscos, que fazem pequenas somas matemáticas. A depender do valor do resultado, aquele paciente tem maior ou menor chance de ter um infarto”, descreve o cirurgião.

Os escores tentam fazer uma projeção de quando a doença pode aparecer. “Já operei pacientes de 28 anos de idade, o que fazemos é orientar para o check-up cardiovascular, que, junto dos exames médicos, pode constatar se há alguma alteração clínica e, a partir disso, o médico prossegue a investigação”, ressalta.

Com quase duas décadas de atuação na área de cirurgia cardiovascular, Amaury Mont'Serrat Dias realiza desde as cirurgias minimamente invasivas até as complexas e a endovascular. “Em todo este tratamento de doenças cardíacas estruturais, é importante apresentar ao paciente as metas terapêuticas. Por exemplo, o paciente no campo da hipertensão precisa atingir a meta terapêutica de 12 por 8 mmHg para minimizar os riscos de doença cardíaca”, destaca.

Em Campo Grande, o cirurgião Amaury Mont'Serrat Dias atende na Rua Brasil, 487, no Bairro Monte Castelo.

Fonte: Correio do Estado