21/09/2007 16:13

Demora para financiar safra aumentou custo do produtor

A demora em liberar os recursos para financiamento da safra 2007/08 implicou em aumento dos custos para os produtores que só agora conseguiram ter acesso ao dinheiro. A avaliação é do presidente da Aprosul (Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso do Sul) Carmélio Romano Ross. Ele explica que os produtores incluídos nos 35% de liberação do custeio até o momento pelo Banco do Brasil conseguiram aproveitar melhor os preços dos insumos e terão custo variável de R$ 1 mil a R$ 1,1 mil por hectare de soja. O valor sobe para R$ 1,4 mil (40%) aos produtores que só agora terão acesso aos recursos.

A demora na liberação do dinheiro para custear a safra aconteceu porque os produtores até o início desta semana precisavam provar a incapacidade de pagamento de dívidas. A exigência caiu, mas a preocupação dos produtores não. Conforme Ross, somente 10% dos agricultores sul-mato-grossenses conseguiram ter acesso aos 35% já liberados. O valor corresponde a R$ 140 milhões.

Quem chegou primeiro conseguiu melhores preços de insumos que vinham em uma tendência de queda da safra anterior, quando a queda brusca do dólar promoveu quebradeira no setor e forçou a redução tecnificação da lavoura. Os valores, porém, já estão em recuperação e há insumos como defensivo para dessecação de soja e controle de ervas daninhas no grão transgênico que não são encontrados, alerta Ross.

O presidente da Aprosul prevê que para a recuperação integral do valor aplicado na lavoura aos produtores que só vão conseguir o recurso agora vai acontecer se for conseguida a produtividade máxima da lavoura com venda de R$ 33 a saca. Ou seja, 45 sacas de 60 quilos por hectare. Hoje, ressaltou Ross, a saca está em R$ 35, mas como reflexo da entressafra. É natural nesta época do ano haver menor oferta de soja e, por conseqüência, preços melhores.

Os agricultores manifestam preocupação com a produtividade porque temem o clima. Com as chuvas abaixo da média durante todo o ano, há receio de que o início do plantio, previsto para 10 de outubro, precise ser adiado, como explicou o vice-presidente da Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul) Eduardo Riedel.

Conforme a federação, o produtor já amarga um estoque bruto de dívida em R$ 1 bilhão no montante de R$ 2,6 bilhões no valor total da produção. A maioria da dívida é do custeio de 2004 a 2006, cerca de R$ 507 milhões e outros R$ 300 mil correspondem a insumos.

Mesmo dispensando a exigência de provar a incapacidade de pagamento das dívidas, o Banco do Brasil está aconselhando o produtor a não prorrogar mais os débitos, cujos valores são cobrados em taxas de 8,75% a 16,5% ao ano. A atual taxa é de 6,75% anuais. A expectativa do banco é de que até o início da safra sejam contratados entre 80% e 90% do valor disponível ao custeio, de R$ 400 milhões.

Fonte: Campo Grande News