24/06/2007 07:24

São Paulo:Jovens são suspeitos de matar garçom

O delegado que apura a morte do jovem John Clayton Moreira Batista, de 19 anos, por uma gangue que atacou pessoas num bar dos Jardins, área nobre de São Paulo, descarta a hipótese de crime de intolerância e afirma que as investigações não serão transferidas para a Delegacia de Crimes Raciais e de Intolerância (Decrad). “A investigação vai continuar com a gente. Não vejo nada relacionado a crime de intolerância.”

Batista foi morto na noite de sexta-feira (22) em um bar na esquina da Rua da Consolação com a Alameda Lorena. Ele foi ao local para tomar cerveja com dois amigos após terminar seu trabalho em um café no mesmo bairro. Após uma confusão, o rapaz morreu esfaqueado.

Oito pessoas foram presas (quatro adultos e quatro menores, sendo seis homens e duas mulheres)e a polícia investiga a participação de outros dois rapazes, que estariam foragidos. John foi enterrado na tarde deste sábado (23) no Cemitério da Saudade, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

John estava numa mesa externa do bar, por volta das 21h30 de sexta-feira, quando um grupo teria começado a agredir clientes da casa e a atirar garrafas em sua direção. Perseguido por dois integrantes do bando, John se refugiou no bar e foi esfaqueado no peito. Morreu enquanto era socorrido no Hospital das Clínicas, na região central de São Paulo.

Isqueiro emprestado- Estavam na mesa com ele Tatiana Polacow Augusto, de 25 anos, e Rafael Rodrigues, também de 25. Tatiana contou que era comum ir àquele bar depois do trabalho, com os dois amigos. “Estávamos bebendo numa mesa da calçada, quando uma garota punk se aproximou e pediu isqueiro para o Rafael. Ele disse que não tinha e dei o meu a ela. Depois de acender o cigarro, ela se retirou fazendo gesto obsceno para o Rafael. Logo depois chegou o grupo agredindo todo mundo.”

Eles vestiam roupas pretas, rasgadas e coturnos, mas a polícia não confirma que o grupo era de punks. “Ainda não confirmamos se eles são dessa facção. Eles têm algumas características como as armas usadas, vestiam jaqueta, tinham cabelos arrepiados e dois com cabelo raspado”, disse o delegado que estava de plantão no momento da ocorrência, Rodrigo Fiacadori. “Eles negam que sejam de qualquer grupo.”

Tacos de beisebol- As testemunhas disseram à polícia que os agressores utilizaram como armas uma bola de bilhar envolta em uma meia, taco de beisebol, taco de beisebol com ponta de ferro e uma faca chamada butterfly. As armas não foram encontradas após a prisão dos envolvidos, que haviam fugido do bar depois da confusão.

As testemunhas afirmam que o grupo não tinha um alvo específico como pessoas negras ou homossexuais, e sim que estavam em busca de briga. “Eles queriam ferir quem estivesse pela frente. Eu corri e atravessei a Alameda Lorena. O John estava comigo. Dois caras vieram atrás de nós. O John mudou o rumo e correu para dentro do bar. Os punks saíram correndo atrás dele. Aí eu vi que ele estava caído no chão. Antes disso, vi um deles mostrar uma faca, mas não sei se foi ele que o agrediu”, contou Tatiana.

Ana Paula del Conte, outra testemunha, tem relato parecido. “Levei chute, soco na nuca e vi garrafas voando para todos os lados. Foi provocação, eles queriam briga de qualquer jeito.”

Punks- Para o delegado titular do 78º DP, Marcos Gomes de Moura, os acusados “são punks, mas o motivo do crime seria banal. São jovens de classe média que saem para fazer baderna.” O delegado afirmou ainda que na região acontece uma ocorrência por mês cometida por grupos de punks. “Eles freqüentam a região porque tem muitos bares de rock.” O delegado descarta que o crime tenha relação com o esfaqueamento do francês Grégor Erwan Landouar, de 35 anos, que ocorreu na mesma região durante a Parada Gay.

Os criminosos teriam afirmado ao delegado que haveria mais um integrante do grupo, e que ele estaria foragido. “Todos serão responsabilizados pelo crime. Apesar de se dizerem inocentes, as testemunhas foram enfáticas em dizer que foram eles”, diz Moura. Entre os crimes a que os infratores serão indiciados está o de homicídio doloso e lesão corporal dolosa. A princípio, nenhum deles tem passagem pela polícia.

Os detidos têm entre 15 e 21 anos. A pivô da confusão foi uma menor de 17 anos. 

Enterro- No enterro de John Clayton, que era de família humilde, o clima era de muita consternação e revolta. Um amigo de John chegou desesperado gritando “Vai, John, acorda” e teve de ser segurado pelo tio da vítima, Ronilson Silva Pereira. “O John era um menino alegre e muito bom. Ele sempre foi esforçado e trabalhava desde os 15 anos de idade. Tinha bastante amigos e as pessoas gostavam muito dele.” contou o tio.

Amigo e colega de trabalho de John Clayton, José Valmar Rocha também esteve presente ao enterro. “O John era um menino muito tranqüilo e amigável. As pessoas gostavam muito dele. Conheço o pai dele e até já trabalhei com ele. Foram uns vândalos que fizeram isso com John."


Fonte: G 1