28/09/2007 17:05

Paraguai:Transgenia pode dobrar a produção de maconha

A tecnificação da produção chegou até os campos cultivados com maconha, no Paraguai, proximidades da fronteira do Brasil com o Paraguai. O resultado foi exposto hoje, com a queima de 24.644 quilos de maconha realizada ontem, nas fornalhas de um Frigorífico Bertin. A produção da droga transgênica dobra a capacidade produtiva, e acaba o lapso de tempo entre as safras, que ao invés de duas por ano, pode resultar em até quatro colheitas anuais.

Foi a maio incineração de droga de uma só delegacia da Polícia Federal (a de Naviraí, com 18,9 toneladas – o restante foi enviado pela DPF de Dourados), neste ano, em todo o Brasil. E este é resultado do trabalho aparecido em apreensões feitas apenas em quatro meses (abril/julho). No conjunto incinerado havia 20 quilos de haxixe e 72 quilos de cocaína.

O delegado titular da Polícia Federal de Naviraí, Chang Fun disse que o resultado de um trabalho de investigação e de apreensões que tem sido aumentado com a super-produção paraguaia da droga e aumenta o trabalho dos policiais que atuam na DPF que mais apreende drogas no Brasil. “Começa a faltar efetivo, porque a demanda tem sido aumentada nos grandes centros (Rio e São Paulo) e estimula a oferta e a produção”, explica.

A compra de mais viaturas e a contratação de mais agentes policiais deverão ser recomendados pedidos ao Ministério de Justiça, para aumentar a repressão ao narcotráfico. Com a possibilidade de dobrar a produção os narcotraficantes estão enxergando a forma de dobrar os ganhos ilegais. Um quilo de maconha é comprado na Paraguai por R$ 30 e chega para o receptador das bocas-de-fumo por R$ 250, que com a distribuição em papelotes, pode levar a conseguir R$ 2,5 mil. No caso da cocaína, comprada por U$ 2 mil (R$ 3,68 mil), chega na Europa, com o receptador pagando U$ 30 mil (R$ 56,4 mil).

A grande quantidade de entorpecentes, especialmente de maconha, se deve à proximidade com o Paraguai, que é o segundo maior produtor mundial de maconha e devido à extensão de mais de 400 quilômetros de fronteira seca. As apreensões tiveram a participação de outras instituições policiais, entre elas a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Departamento de Operações de Fronteira (Dof), a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e a Polícia Militar (PM).

Na queima de droga, que dura até o final da tarde de hoje, com a autorização judicial, a direção do frigorífico Bertin impediu a entrada da imprensa. Havia representantes do Ministério Público, com a presença de representantes do Ministério Público Federal (MPF) e Estadual (MPE), com acompanhamento de membros da à Vigilância Sanitária, juízes federais e estaduais, que também foram convidados para o evento.

Fonte: Sulnews