22/09/2007 08:12

Mudança administrativa da Funai trouxe desvantagen

Suzana Cabral Machado               

A transferência da Administração Regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) para Dourados em maio deste ano não resultou em melhorias para as comunidades indígenas da região, pelo contrário, os problemas existentes se agravaram mais.

                A mudança diminuiu o número de funcionários, os recursos financeiros e gerou um desfalque nos contratos de prestação de serviços ao núcleo da Funai em Amambai.

                A unidade de Dourados, que já atendia a 18 mil índios, passou a ser responsável por aproximadamente 45 mil indígenas. Ao todo, somente do município de Amambaí são 25 mil índios.

                De acordo com funcionários da Funai, que preferem não se identificar, os indígenas não recebem o atendimento devido e o órgão não possui os recursos necessários para atender a demanda.

                Com o número de efetivos reduzidos as funções se acumulam e dificultam as condições de trabalho.

                “O governo federal e a presidência da Funai deram à Administração de Dourados 25 mil índios, deram o problema, mas não a solução, as condições humanas e financeiras para resolvê-lo”, afirma um funcionário da Funai que prefere não se identificar.

                Ainda segundo funcionários existe a possibilidade da administração retornar ao município no final deste ano, após a reestruturação da Funai, mas no entanto a informação não é oficial. “O que existe são apenas boatos, não há nenhum documento, nada firmado”, ressalta um dos funcionários.

                Os órgãos públicos de Amambaí se mobilizam junto com os indígenas, mas até o atual momento não obtiveram nenhum retorno por parte da Funai.

                Cerca de 50 índios são atendidos diariamente no núcleo da Funai de Amambai. “Tem dois chefes de postos indígenas que estão atendendo aos índios aqui no prédio. O Ailton de Oliveira é responsável pelas aldeias Limão Verde, Jaguari, Taquaperi (Coronel Sapucaia) e Guassuty (Aral Moreira) e o Arcênio Vasque, que atende a aldeia Amambai, Jacaré e Guaimbé (Laguna Caarapã), mas às vezes eles não conseguem atender a demanda. Assistimos também indígenas da região de Antonio João e Ponta Porã”.

                A Funai voltou a distribuir a partir de hoje (18) as cestas básicas aos indígenas, que tiveram também a liberação de 30% do recurso para a agricultura, que estava suspenso desde o início do ano. “A Funai forneceu o óleo diesel e através de convênio com a prefeitura, conseguiu o maquinário para os índios trabalharem”.

Expectativa sobre o retorno da administração - Os funcionários não perdem a esperança de que a administração regional retorne para Amambai, o que, segundo eles, seria a solução para amenizar os problemas que envolvem as comunidades indígenas da região. “Não nos deixamos abater, principalmente para não desanimar os índios, eles são os mais prejudicados e desejam muito que a administração volte para o município. Estamos lutando para isso, trabalhando com o que temos, atendendo a comunidade com os recursos que possuímos”.

                A dependência da Administração de Dourados aumenta a burocracia. “Dependendo do pedido, é encaminhado para Dourados, de lá eles mandam para Brasília, coisas que resolveríamos em uma semana, 15 dias, agora como núcleo demoramos três semanas, um mês para obter solução”.

                Alguns setores da Funai ficaram parados devido a falta de funcionários, prejudicando o atendimento aos indígenas.

Fonte: A Gazeta News