Segundo a análise “Direto do Campo”, da Grão Direto, produzida pela Grainsights nesta segunda-feira (6), o mercado da soja inicia a semana em meio a forte volatilidade, impulsionado pelas condições climáticas nos Estados Unidos, pela expectativa em torno do próximo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e pelos desafios logísticos enfrentados no Brasil.
A semana começou movimentada nos Estados Unidos, desta vez não por questões esportivas, mas pelo desempenho da Bolsa de Chicago. No retorno das negociações, os contratos futuros da soja avançaram quase 3%, refletindo o agravamento das preocupações com o clima nas principais regiões produtoras do país.
Os investidores concentram a atenção no Meio-Oeste norte-americano, conhecido como Corn Belt, onde uma intensa onda de calor elevou as temperaturas para mais de 40°C em diversas áreas agrícolas. As previsões indicam que o calor acima da média e a baixa ocorrência de chuvas devem persistir nos próximos dias, aumentando o risco de estresse hídrico durante uma fase importante do desenvolvimento da cultura e adicionando um prêmio de risco às cotações da soja.
Além das condições climáticas, o mercado acompanha a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda (WASDE) do USDA, marcada para a próxima sexta-feira (10), às 13h. A expectativa é verificar se o órgão começará a refletir os impactos do clima nas estimativas de produtividade da safra norte-americana, após o relatório de área divulgado no fim de junho confirmar o aumento da área plantada de soja em relação ao ciclo anterior.
De acordo com a análise, qualquer sinalização de redução nos estoques globais poderá sustentar o movimento de alta observado na Bolsa de Chicago e manter a volatilidade dos preços ao longo da semana.
No Brasil, enquanto isso, os produtores acompanham a valorização internacional tentando transferir esse movimento para os preços praticados em reais. No entanto, o mercado doméstico enfrenta limitações provocadas pelo cenário logístico.
Segundo a análise, o avanço da colheita do milho safrinha intensificou a disputa por espaço de armazenagem, gerando gargalos que obrigam parte dos produtores a comercializar lotes de soja no mercado disponível. Esse cenário reduz a possibilidade de uma valorização mais intensa dos prêmios nos portos, mesmo diante do ritmo elevado dos embarques e da demanda internacional aquecida.









