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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Das redes sociais à ciência: aos 13 anos, adolescente conhece por dentro a perícia oficial em MS

Estudante do 8º ano percorreu os quatro institutos da Polícia Científica e conversou com profissionais das diferentes carreiras que participam da produção da prova pericial

Laura Giovana Chaves dos Santos tem 13 anos e já sabe o que quer ser: perita. E na semana passada ela trocou as telas pela realidade.

Acompanhada pela mãe, Luciana Chaves da Cruz dos Santos, a estudante do 8º ano da rede municipal de Campo Grande percorreu os quatro institutos da PCi-MS (Polícia Científica de Mato Grosso do Sul). Conversou com peritos criminais, peritos papiloscopistas, peritos médico-legistas e agentes de polícia científica da corporação sobre como cada área contribui para a produção da prova pericial.

As perguntas foram além dos equipamentos e procedimentos. Laura quis saber por que os servidores escolheram suas profissões, como se prepararam para o concurso público, quais atividades realizam e quais desafios enfrentam na rotina.

Em uma demonstração técnica, observou pequenas marcas deixadas em elementos de munição. Acompanhou a explicação sobre como esses sinais podem ser comparados para verificar se foram produzidos por uma mesma arma,  a perícia que conhecia pelas telas, agora apresentada por quem realiza o trabalho diariamente.

O interesse pela área começou depois que Laura assistiu, em uma rede social, a um vídeo sobre perícia criminal. A publicação lembrou filmes e séries que já acompanhava.

“Eu vi um vídeo que falava sobre esse trabalho. Depois, pesquisei um pouco mais e achei muito legal. Esse foi o meu primeiro contato”, contou.

A visita foi pontual, organizada e acompanhada pela Assessoria de Comunicação da Polícia Científica. Tudo começou depois que uma tia da estudante encaminhou um e-mail à instituição relatando o interesse da adolescente pelas profissões da perícia.

Além das telas

No IC (Instituto de Criminalística ), Laura conheceu o trabalho realizado em locais de crime e em núcleos especializados. Na balística, observou como marcas deixadas em projéteis e estojos de munição são analisadas.

Na documentoscopia, recebeu explicações sobre os procedimentos utilizados para verificar a autenticidade de documentos e identificar possíveis alterações. Também passou pela informática forense, pelas perícias ambientais, pela engenharia legal e por exames realizados em diferentes tipos de locais, equipamentos e objetos.

Os peritos criminais explicaram que um mesmo caso pode exigir conhecimentos de física, química, biologia, engenharia e tecnologia. Os agentes de Polícia Científica detalharam sua atuação no apoio aos exames e nos procedimentos para receber, preservar e encaminhar os vestígios.

“Eu gostei de tudo. Vi como eles analisam documentos para saber se são verdadeiros, conheci a parte das armas e achei tudo muito interessante”, relatou Laura.

Sobre o caminho até a profissão, ela ouviu que o ingresso ocorre por concurso público, com requisitos que variam conforme o cargo.

Para Evandro Rodrigo Pedon, perito criminal do IALF (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses), a curiosidade demonstrada pela estudante precisa ser acompanhada de persistência.

“Ser curioso e persistente é fundamental. Quando não sabemos alguma coisa, precisamos pesquisar, perguntar, realizar testes e validar os resultados. A perícia está sempre evoluindo, por isso o profissional precisa continuar estudando durante toda a carreira”, afirmou.

Técnica, identidade e acolhimento

No IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), peritos médico-legistas e agentes de Polícia Científica apresentaram a Laura os exames realizados em pessoas vivas e mortas. Mostraram o cuidado com os materiais coletados e a responsabilidade envolvida em cada etapa.

A conversa com a perita médica-legista Juliane Chaia revelou uma dimensão da atividade que a estudante ainda não conhecia. Laura perguntou como ela havia escolhido a carreira, quais eram os desafios da rotina e o que seria necessário estudar para seguir o mesmo caminho.

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“A conversa dela foi muito profunda. Eu gostei bastante e comecei a me interessar também pela profissão e pela área da medicina”, contou.

Juliane explicou que a atuação médico-legal exige preparo técnico e emocional, especialmente nos atendimentos a pessoas que chegam à instituição depois de situações difíceis.

“Não é um trabalho fácil. Em muitos atendimentos, eu me vejo também no papel de acolher. Às vezes, o pouco tempo que temos com aquela pessoa permite oferecer uma palavra que possa fazer diferença”, afirmou.

No II (Instituto de Identificação), peritos papiloscopistas mostraram a Laura sua atuação na identificação civil e criminal e nos exames de impressões digitais. Um dos espaços que mais chamou sua atenção reunia documentos e registros que preservam parte da história da identificação em Mato Grosso do Sul.

“Eu achei muito interessante porque havia registros desde o começo. Era como se estivesse ali “, disse.

Os servidores mostraram como dados biográficos e impressões digitais são analisados e confrontados durante os procedimentos de identificação.

Laura também aprendeu que impressões encontradas em objetos ou locais podem ser reveladas, examinadas e comparadas com registros existentes, contribuindo para identificar pessoas e esclarecer crimes.

Quando tudo se conecta

A última etapa ocorreu no IALF, onde Laura acompanhou uma demonstração no Núcleo Especializado de Química e Toxicologia Forense. Entendeu como substâncias e outros materiais recebidos pelo instituto são preparados e submetidos a análises específicas.

Foi nesse momento que conseguiu organizar o que havia aprendido ao longo da manhã: conforme o tipo de vestígio, o material recolhido numa perícia segue caminhos diferentes, impressões digitais para o Instituto de Identificação, armas e munições para a balística, aparelhos eletrônicos para a informática forense, substâncias para análises laboratoriais, pessoas vivas ou mortas para o IMOL.

Cada instituto tem atribuições próprias, mas os resultados se complementam até a elaboração dos laudos que sustentam investigações e processos judiciais.

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Luciana acompanhou as perguntas e as reações da filha durante todo o percurso. Segundo ela, o interesse começou antes mesmo de Laura saber o nome exato da profissão.

“Ela dizia que queria ir ao local do crime, tirar as digitais e ver o que havia acontecido. Depois, falou: ‘Mãe, eu quero ser perita criminal.’ Eu disse que, no que ela quiser, vou apoiá-la”, relatou Luciana.

Com o tempo, a adolescente começou a pesquisar quais cursos poderia fazer e o que precisava estudar. Para a mãe, a visita ampliou esse conhecimento ao mostrar as diferentes possibilidades de atuação dentro da Polícia Científica.

Aos 13 anos, Laura ainda tem pela frente o ensino médio, a escolha de uma graduação e a oportunidade de conhecer outras profissões. A visita não definiu seu futuro, mas transformou uma referência construída pelas telas em uma compreensão mais concreta sobre ciência, serviço público e responsabilidade.

Depois de percorrer os quatro institutos e ouvir profissionais das diferentes carreiras, ela resumiu o principal aprendizado do dia: “Deu para entender por que tudo se conectou.”

Fonte: Maria Ester Jardim Rosoni, Comunicação PCi-MS

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