A conversa sobre saúde costuma passar pela alimentação e pela prática de exercícios, mas um fator ainda é frequentemente negligenciado: a qualidade do sono. Embora dormir seja uma necessidade básica, milhões de brasileiros convivem com noites curtas, sono fragmentado e dificuldade para descansar de verdade.
Na prática, isso significa acordar cansado, enfrentar dificuldade de concentração ao longo do dia e perceber alterações de humor cada vez mais frequentes. Além disso, o problema não se limita ao cansaço: dormir mal pode impactar diferentes áreas da saúde física e mental.
Um em cada cinco brasileiros dorme menos do que deveria — e os dados são do governo
Dados do Vigitel 2024, levantamento do Ministério da Saúde, mostram que 20,2% dos brasileiros dormem menos de seis horas por noite. Pela primeira vez, o Vigitel incluiu perguntas sobre a qualidade do sono dos brasileiros, revelando um cenário preocupante. O levantamento também aponta que 31,7% dos adultos relatam sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres.
Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), o Brasil está entre os países com maior déficit de sono no mundo. A média de descanso dos brasileiros é de 6,4 horas por noite, abaixo das 7h a 9h recomendadas para adultos.
As consequências dessa rotina podem aparecer de diferentes formas. Entre os sinais mais comuns estão:
- Irritabilidade e alterações de humor;
- Fadiga constante;
- Sonolência durante o dia;
- Dificuldade de memória e concentração;
- Queda no desempenho profissional ou acadêmico;
- Aumento do apetite sem causa aparente.
Além disso, a privação crônica de sono está associada a problemas metabólicos, cardiovasculares e hormonais. Distúrbios como insônia e apneia também podem afetar o ritmo circadiano, elevar os níveis de cortisol e manter o organismo em estado contínuo de alerta.
O problema raramente começa na cama
Embora muita gente associe a dificuldade para dormir apenas ao momento de deitar, o problema geralmente começa horas antes. Por exemplo, o excesso de estímulos, o estresse da rotina e a falta de horários consistentes interferem diretamente na qualidade do sono.
É justamente nesse contexto que entra a chamada higiene do sono, um conjunto de hábitos voltados para preparar corpo e mente para o descanso. Mais do que uma tendência, ela envolve práticas simples que ajudam o organismo a reconhecer o momento de desacelerar.
Entre as estratégias mais recomendadas estão:
- Manter horários regulares para dormir e acordar;
- Reduzir o uso de telas antes de deitar;
- Evitar cafeína no período da noite;
- Priorizar refeições leves no jantar;
- Praticar atividades relaxantes no fim do dia;
- Deixar o quarto escuro, silencioso e confortável;
- Evitar cochilos longos ao longo da tarde.
Além disso, a exposição à luz natural pela manhã e a prática regular de exercícios físicos também ajudam a regular o relógio biológico.
Entre os recursos que especialistas têm citado como apoio à rotina do sono, o suplemento de magnésio ganhou atenção crescente. Isso porque o mineral atua na regulação do sistema nervoso e do ritmo circadiano. Ainda assim, é importante ressaltar que a suplementação deve ser individualizada e acompanhada por profissionais de saúde, especialmente porque dificuldades relacionadas ao sono podem ter diferentes causas.
O descanso é resultado de uma combinação de hábitos, ambiente adequado e equilíbrio na rotina. E, diante do aumento dos casos de insônia, olhar para o sono com mais atenção deixou de ser apenas uma questão de bem-estar.
Fonte: Assessoria











