O comportamento de investimento no campo passa por um ajuste marcado por maior cautela e busca por previsibilidade. Em um ambiente de custos pressionados, crédito mais seletivo e maior variabilidade climática, o produtor segue disposto a investir, mas com exigência maior sobre retorno, risco e estabilidade ao longo da safra.
A mudança ficou evidente na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), onde decisões de investimento apareceram mais associadas à consistência dos resultados do que à simples expansão da produção. Na prática, projetos passaram a ser avaliados com mais profundidade, com prioridade para soluções capazes de gerar retorno no curto e médio prazo e reduzir a exposição a fatores externos.
Nesse cenário, tecnologias ligadas ao controle operacional ganharam espaço. A irrigação, antes analisada sobretudo pelo potencial de aumento de produtividade, passou a ser vista também como instrumento para diminuir os impactos da irregularidade das chuvas e dar mais estabilidade ao planejamento da fazenda.
A Netafim registrou avanço na geração de novos projetos durante o evento, especialmente em culturas nas quais a previsibilidade da produção tem peso direto na rentabilidade. Segundo Ricardo Almeida, CEO Mercosul da empresa, o momento tem levado a uma mudança mais estrutural na forma como o produtor avalia investimentos, com menor disposição para assumir riscos e maior foco em decisões que tragam estabilidade ao longo da safra.
“O produtor está menos disposto a assumir risco e mais focado em decisões que tragam estabilidade ao longo da safra. Isso tem encurtado o horizonte de avaliação e aumentado a exigência por retorno mais tangível”, afirma. “Antes, a irrigação era vista principalmente como uma alavanca de produtividade. Hoje, ela passa a ser considerada uma ferramenta de gestão de risco, porque permite reduzir a exposição a fatores que o produtor não controla, como o maior deles: o clima”, destaca.










