“Arte não é pureza; é purificação, não é liberdade; é libertação.” A reflexão de Clarice Lispector sintetiza o papel transformador da arte na vida humana. Mais do que estética, a arte é experiência, expressão e caminho de compreensão do mundo e de si mesmo, atravessando gerações e culturas.
Celebrado em 15 de abril, o Dia Mundial da Arte foi instituído a partir de uma proposta apresentada na 17ª Assembleia Geral da Associação Internacional de Arte, com a primeira comemoração ocorrendo em 2012. A data reforça a importância das manifestações artísticas como patrimônio cultural e instrumento de desenvolvimento humano.
Desde os primórdios da humanidade, a arte se faz presente. Das pinturas rupestres às produções contemporâneas, o ser humano encontrou nas formas, cores, sons e movimentos uma maneira de registrar sua existência, comunicar emoções e narrar sua própria história.
Essa conexão entre arte e vida também se manifesta no cotidiano de artistas e educadores. Para a artista plástica e professora de Artes Nádia Gonçalves Rocha, o processo criativo nasce do sentir. “Muitas vezes, uma ideia não chega pronta, ela vem como um incômodo, uma lembrança ou uma emoção que pede forma. Eu não começo com respostas, começo com inquietações”, explica. Segundo ela, é no fazer que as formas se constroem e que a obra ganha sentido.

Nádia destaca ainda que a arte vai além da compreensão racional. “O que eu busco em quem observa não é necessariamente o entendimento, mas a conexão. Se alguém se reconhece, sente algo ou simplesmente para por alguns segundos, então a arte já cumpriu seu papel”, afirma. Para ela, cada obra é uma tentativa de traduzir aquilo que não cabe em palavras.

No ambiente escolar, essa visão ganha ainda mais força. Como professora, Nádia incentiva os alunos a explorarem sua própria forma de expressão. “Todo mundo é artista, só ainda não encontrou sua técnica, sua voz. Às vezes queremos muito ser um Michelangelo, mas somos um Van Gogh — e está tudo bem”, destaca, reforçando a importância da diversidade artística.

Ao propor um espaço de liberdade e experimentação, a educadora busca ir além do ensino técnico. “Mais do que ensinar técnicas, eu quero que eles entendam que a arte é um espaço seguro para expressar sentimentos, pensamentos e vivências”, explica. Segundo ela, quando o aluno se reconhece no que cria, a arte se transforma em uma ferramenta de autoconhecimento e comunicação com o mundo.

Por Patrícia Rocha
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