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terça-feira, 14 de julho de 2026

Periscópio “Um País de Castas” por Antonio Luiz

2009-09-18 17:38:00

Um País de Castas

Uma das coisas mais odiosas que pode acontecer com o gênero humano é a distinção de classes. Afinal, o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos é bem claro: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”.

Na Índia, por exemplo, eles usam o sistema de castas, que em sociologia significa que “são sistemas tradicionais, hereditários ou sociais de estratificação, ao abrigo da lei ou da prática comum, com base em classificações, tais como a raça, a cultura, a ocupação profissional, etc.Varna, a designação sânscrita original para “casta”, significa “cor””. Mesmo na atrasada India, esse conceito tem sido cada vez mais combatido e desprezado.

No entanto, na sociedade brasileira, teoricamente vivemos em uma cultura onde muitos acreditam que qualquer um pode ascender em termos sociais e econômicos por meio dos estudos e conhecimentos acumulados. Contudo, o trabalho, a educação e o conhecimento são parâmetros insuficientes para que possamos compreender a ordenação que configura a posição ocupada por cada indivíduo na sociedade. Atualmente, os brasileiros se utilizam de critérios de natureza política e econômica para formar suas castas. Segundo algumas pesquisas, o regime de castas vigora há aproximadamente sete anos e meio, e teve origem no processo eleitoral de 2002, quando um apedeuta assumiu a presidência do país.

A primeira distinção desse sistema aconteceu logo no início do primeiro mandato de Lula, quando os empresários, industriais e donos de agronegócios, foram diferenciados dos outros  habitantes, pelo termo “zelites”, que significava, de acordo com o presidente, a casta de brasileiros privilegiados e que deveriam ser combatidos e, se possível, eliminados.

Com o tempo, e após todos esses anos de governo, Lula, através de inúmeros atos chamados medidas provisórias, foi prejudicando as “zelites” e privilegiado uma outra casta, a chamada casta dos “cumpanhero”. Durante esses últimos sete anos, tivemos o dissabor de constatar essa vergonhosa discriminação. Recentemente, acompanhamos estupefatos a desgringolada do Senado, presidido por um escroque de primeira grandeza, mas que se salvou pela sua condição de “cumpanhero”. Exemplos não faltaram. A casta dos “cumpanhero” é subdividida em três sub-castas, a saber: a casta dos “cumpanhero sindicalista”, a casta dos “cumpanhero aliado” e a casta dos “cumpanhero que vota nimim”. Todos os cidadãos que formaram essa grande casta dos “cumpanhero”, o fizeram em busca de privilégios criados e oferecidos pelo presidente Lula. Os “cumpanhero sindicalista”, apesar de não possuírem nenhuma formação acadêmica ou nenhuma experiência mais ou menos bem  sucedida de administração empresarial, através da vontade corporativista do presidente, foram nomeados para os cargos mais bem remunerados das companhias estatais, das instituições e dos órgãos governamentais.

Os “cumpanhero aliado” eram políticos de outros partidos, que se tornaram aliados do governo, através da distribuição de somas em dinheiro, ilhas e castelos, pelo que depois veio a ser conhecido como sistema  “mensalão” de concordância política.

E a casta dos “cumpanhero que vota nimim” é composta dos cidadãos desempregados ou sem formação profissional, ou miseráveis, ou que não possuem escolaridade alguma, ou que possuem a pele mais escura, e cuja alma foi comprada pelo presidente através da promessa de distribuição de bolsas e cotas disso e daquilo.                 Enfim, mais uma casta compõe a fraturada sociedade brasileira, que é a casta dos cidadãos que torcem para que tudo isso seja um pesadelo passageiro e que o Brasil consiga atravessar esse período de vingança social sem que para isso tenha que passar por uma guerra civil.

A grande e única esperança do povo brasileiro são as eleições de 2010, em que teremos a oportunidade de defenestrar todos os “cumpanheros” de seus postos. Talvez muitos deles estejam ricos às custas do nosso dinheiro, mas foi o preço que pagamos por ser um povo infestado de imbecis analfabetos, oportunistas  e arrivistas.

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