O uso de nanotecnologia no revestimento de sementes de soja tem demonstrado potencial para aumentar a eficiência da germinação e o desenvolvimento inicial das plantas, ao permitir a liberação controlada de compostos diretamente no início do ciclo produtivo.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, da USP, utilizou nanofibras curtas de acetato de celulose para incorporar substâncias de interesse agropecuário às sementes . A técnica consiste na dispersão dessas estruturas em água e na aplicação por pulverização, formando um sistema inovador em comparação aos métodos tradicionais.
As nanofibras são produzidas por eletrofiação, processo que transforma uma solução polimérica em estruturas em escala nanométrica. Durante essa etapa, foram inseridas nanopartículas de óxido de zinco e ácido giberélico, fitormônio relacionado ao crescimento vegetal. Após a formação, o material é fragmentado, gerando fibras curtas que podem ser aplicadas diretamente nos grãos.
Nos testes realizados em ambiente controlado, com aplicação diária ao longo de sete dias, foi observada melhora na germinação e no desenvolvimento das plântulas. O sistema possibilita que os compostos ativos sejam liberados de forma gradual, próximos às sementes, favorecendo o crescimento inicial.
A pesquisa também avaliou a toxicidade dos materiais, já que concentrações inadequadas podem prejudicar o desenvolvimento. Os resultados não indicaram efeitos relevantes, sugerindo compatibilidade entre os compostos e as sementes.
O desenvolvimento enfrentou desafios para equilibrar os parâmetros do processo e manter a eficiência das nanofibras. Ainda assim, os resultados levaram ao pedido de patente da tecnologia, que poderá avançar para novas etapas de validação, ajustes de aplicação e possível uso em outras culturas.












