Por Clesio Damasceno/A Gazeta
O jornal A Gazeta conversou na manhã deste sábado (14) com uma das figuras mais conhecidas da história empresarial de Amambai: o empresário Carlos Alberto Signori, o popular Chico do Ki-Carne.
Atualmente morando em Santa Catarina, ele mantém uma forte ligação com a cidade onde construiu grande parte de sua trajetória e costuma voltar com frequência para rever amigos e acompanhar o movimento da cidade.
“Meu trunfo aqui é que todo mundo me conhece. Sempre estou em Amambai. Agora fiquei três meses sem vir, mas normalmente a cada 60 dias estou por aqui”, contou durante o bate-papo.
Aos 74 anos, Chico fala com orgulho da família. Ele é casado com Marli Mathias Signori, com quem completa 50 anos de casamento em maio. O casal tem dois filhos, duas netas e dois netos, e aproveita a fase atual da vida também para viajar.
“Já fomos para Israel, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha. Sempre que dá a gente faz umas fugidas”, disse, sorrindo.
A CHEGADA A AMAMBAI
A história da família Signori em Amambai começou em 1974. Na época, Chico veio do Sul com a intenção de seguir para São Paulo, onde pretendia trabalhar com familiares. O plano, no entanto, não deu certo, e ele acabou permanecendo na cidade.
Sem experiência no ramo, ele e o irmão Jamir Signori (in memoriam) decidiram assumir um negócio que estava fechado: a Padaria Ki Pão.
“Eu só conhecia padaria de entrar e comprar pão. Mesmo assim encaramos o projeto, eu e meu irmão”, relembra.
Os primeiros desafios
Os primeiros anos não foram fáceis. A estrutura era precária e praticamente tudo precisava ser improvisado.
“Na época não tinha energia elétrica, nem água encanada e nem comunicação. O forno era aquecido a lenha. Mas isso tinha bastante por aqui por causa das serrarias”, recorda.
Com muito trabalho e persistência, o negócio começou a crescer. A dedicação era intensa.
“Eu sempre digo que o empresário vai bem quando trabalha. Tem que acreditar no que está fazendo. Teve época em que eu dormia quatro horas por noite e trabalhava 20 horas por dia”, conta.
Do Ki Pão ao Ki-Carne
Com o passar dos anos, a família ampliou as atividades. O pai de Chico, conhecido como Nono, vendeu parte dos bens que tinha no Sul e investiu em Amambai, ajudando na criação do Mercado Ki-Carne.
O primeiro mercado funcionou na esquina da Avenida Pedro Manvailer, onde ficava a antiga banca do Roberto. Posteriormente o estabelecimento foi transferido para a Rua da República, no prédio onde hoje funciona a loja Quase Tudo.
Ali o mercado permaneceu de 1989 até aproximadamente 2008, quando a empresa mudou para uma nova sede — o prédio que atualmente abriga o Mega Supermercado.
Muitas atividades e quilômetros rodados
Além do comércio, Chico sempre manteve outras atividades paralelas. Em determinado período, chegou a ser fornecedor do Exército, o que exigia muitas viagens para entregar mercadorias.
Ele também atuou no comércio de erva-mate, comprando o produto na região e levando para o Sul do país.
“Eu andava muito. Ia para o Sul buscar mercadoria e também levava erva-mate daqui para vender lá”, lembra.
Essa rotina intensa, segundo ele, sempre fez parte da vida de quem empreende.
“Empresário não pode dormir no ponto”, resume.
Vida comunitária e conselho aos empresários

Durante mais de cinco décadas em Amambai, Chico também participou ativamente da vida comunitária. Foi presidente da Associação Comercial, atuou na criação de gado e porcos e esteve envolvido em diversas atividades econômicas.
Apesar da forte presença na cidade, ele afirma que nunca teve interesse em entrar para a política.
“Quem trabalha com comércio não deveria entrar na política. Eu nunca me filiei a partido nenhum”, afirma.
Ao olhar para trás, Chico acredita que o segredo da trajetória construída em Amambai foi simples: trabalho, persistência e confiança na cidade.
“O empresário precisa trabalhar muito e acreditar no lugar onde vive”, aconselha.
Com mais de meio século de história ligada ao comércio local, ele também faz questão de lembrar o legado familiar.
“Mãe viveu até os 99 anos. Nossa família deixou um legado importante aqui em Amambai”, conclui.












