2009-09-02 09:50:00
Antonio Luiz
A FIAMA apresentou na última sexta-feira, dia 28, no auditório da Câmara Municipal, o projeto de um Parque Temático desenvolvido por uma equipe de alunos, comandada pelo arquiteto Odilon Trindade Valençoela, que deverá contar com apoio irrestrito dos vereadores. Por estar em viagem, o prefeito municipal Dirceu Lanzarini não compareceu, mas teve conhecimento antecipado do projeto e se interessou bastante, assim como o senador Delcídio Amaral havia feito na véspera.
Representantes de vários segmentos da sociedade estiveram no auditório para ouvir a explanação do arquiteto Odilon, feita logo após os componentes da mesa, composta pelo presidente da FIAMA, Lauro Monteiro de Carvalho, a sra. Deise Bianchini, representando o prefeito, o presidente da Câmara de Amambai, Anderson Manzano e a diretora da FIAMA, Nanci Pissini, que enfatizou que o projeto era uma retribuição por tudo que a instituição que dirige recebeu da sociedade amambaiense.
O Parque Temático Nhu-Veráé uma proposta para revitalização de área urbana, nas confluências do Córrego Areão, nas proximidades da FIAMA e Vila Crepúsculo, objetivando a criação de uma área de lazer e entretenimento social, que visa o resgate histórico e cultural. O projeto foi idealizado após uma ampla pesquisa histórica a fim de trazer das raízes regionais a essência catalisadora daquela geração, e resgatar valores e acontecimentos históricos da epopeia dos pioneiros da região do município de Amambai, garantindo assim o conhecimento às futuras gerações dos bravos desbravadores.
A começar pelo primeiro nome concebido à região, ou seja, Nhu-verá (“mata que brilha” – expressão em guarani), a proposta do Parque Temático tem as diretrizes de indicar intervenções de espaços que, por si só, narrem a história da colonização, das primeiras caravanas gaúchas e correntinas, além de valorização dos costumes e hábitos peculiares da nossa região, associados a um programa de necessidade da população. Soluções como a Praça do Tereré, espaço projetado para agregar as cotidianas rodas de tereré, hábito de nossa gente, que está inserido em nosso cotidiano. A Praça do Tereré possui quiosques cobertos, delimitados por bancos ovais em torno de um sistema de abastecimento de água refrigerada, proporcionando as famosas rodas de tereré, com vistas à exuberância da vegetação ao entorno.
Outra proposta é a Praça Esportiva Patrimônio da União, homenagem ao primeiro nome do município de Amambai. Possui uma infraestrutura esportiva de campo de futebol suíço, vôlei e tênis, além de playground e uma praça de alimentação, com opção de ter um espaço de lazer para a comunidade.
Um atrativo com foco social deste projeto é o Haras Mitai MbovyÁ (criança alegre ou feliz). Trata-se de área verde reservada a cavalgadas, com uma arena para equitação, programa para atendimento de jovens, crianças especiais e melhor idade, podendo ser utilizado para fisioterapia e lazer, além de aproximar mais os jovens dos equinos, animais estes que muito contribuem para o desenvolvimento econômico da região.
O Parque Temático Nhu-verá conta com um projeto paisagístico, respeitando a topografia local e destacando o córrego, propondo espelhos d´água, na forma de lagos, tornando o ambiente fascinante e harmonioso, o qual possui varias pistas de caminhadas, como o Passeio dos Guaicurus (índios cavaleiros) que propõe um trajeto desenhado ao meio do reflorestamento das matas ciliares; deste modo, o usuário praticará caminhas, ao meio do verde e ar puro. Durante o percurso do rio, existem pontes de passeios, como a Ponte do Sonho Guarani, compondo o passeio dos guaicurus, as Pontes da Amizade, que interligam a Praça do Tereré ao Calçadão dos Namorados – este último espaço projetado com a finalidade de ser o centro atrativo da juventude amambaiense -, a Ponte Cunhatai-Porã (moça bonita, em guarani), que permite o acesso da praça Patrimônio da União à Orla da Harpa Paraguaia. Neste espaço é proposta a contemplação do parque, que além de servir de acesso ao prédio do Centro de Convenções, permite a acessibilidade ao Calçadão das Caravanas do Destino, nome sugerido às caravanas que alcançavam a cabeceira do Rio Destino (município de Paranhos) depois de atravessar o território paraguaio. Próximo a este calçadão, no acesso norte, está o Viveiro Amambai-Poti (broto verde de Amambai), com objetivo de, neste lugar, se produzir as mudas de espécies nativas, a fim de recompor as matas ciliares do parque.
O Centro de Convenções Ava-Kuemi (homem que viveu aqui), que conclui toda as influências culturais, das famílias sulinas, aos correntinos e paraguaios, do ciclo dos ervais às etnias indígenas, com o partido arquitetônico em forma de uma roda de “carreta de boi”, expõe um edifício com características arquitetônicas arrojadas e originais, com uma funcionalidade de distribuição de ambientes, pois, além do Salão de Eventos ao centro, possui na perimetria da circunferência e nos tentáculos, um Memorial Histórico, ambiente destinado a acervos fotográficos das famílias pioneiras, das caravanas gaúchas, do período do ciclo da erva-mate, além dos artesanatos das etnias indígenas. Tem também uma ampla biblioteca e o Centro de Múltiplo Uso, com oficinas de artefatos em madeira e couro, culinária típica e um conservatório musical. Possui ainda uma academia de ginástica e salas de danças regionais. Seguindo o programa de necessidades, além de um Centro de Atendimento ao Cidadão, com salas para atendimento à comunidade, com psicóloga, fonoaudióloga e assistente social, possui ainda o PAM (Posto de Atendimento Médico), com consultório médico e odontológico, farmácia básica e um pronto-socorro para eventuais emergências. E concluindo, como se fosse o eixo do rodado, no pavimento superior, um mirante, com instalações para chopperia e uma churrascaria.
O Parque Temático Nhu-Verá é totalmente cercado e possui quatro entradas, sendo ao sul pela Rua Duque de Caxias, o Portão dos Gaúchos, que permite acesso à praça de esportes e ao haras, ao leste, no final da Rua Marechal Floriano Peixoto, próximo à FIAMA, está o Portão dos Ervateiros, homenageando todos os que trabalharam nos ervais, pessoas que deram a vida e colonizaram nossa região, que permite acesso ao Calçadão dos Namorados, Praça do Tereré e ao Passeio dos Guaicurus e pela Rua Tiradentes, que permite o acesso ao Portão dos Mbaretes (valentes – expressão guarani), homenagem a todas as etnias indígenas, ligação direta ao estacionamento e calçadão das caravanas do destino e, consequentemente, ao Centro de Convenções e por último, o Passo dos Correntinos, homenagem às famílias correntinas que contribuíram significativamente para a formação do povoado, com acesso ao viveiro e à face oeste do parque, incluindo os lagos, servindo também como entrada de serviços.
Em resumo, o Parque Temático Nhu-Verá é um importante projeto que visa a ir de encontro a todas as expectativas socioculturais e necessidades urbanas da comunidade sul-fronteira, valorizando nossos costumes e resgatando nossa história, garantindo às futuras gerações um pouco do auge de ousadia dos colonizadores da região do Nhu-Verá.








