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domingo, 12 de julho de 2026

17º RC Mec é essencial para o progresso de Amambai

2009-08-26 09:49:00

Antonio Luiz

Na semana passada, a reportagem do A Gazeta ouviu de um importante empresário da cidade que se  algum dia o “quartel”, como é chamado o 17° RC Mec, deixar a cidade, a região do entorno de Amambai sofreria um baque monumental, sobretudo na economia, já que os recursos gerados pela instituição são vitais para o comércio, pois são centenas de pessoas que consomem produtos comercializados na região. Quase todos os estabelecimentos comerciais de Amambai têm clientes no quartel e muitas empresas foram criadas com a finalidade precípua de fazer o atendimento ao militares, principalmente nos arredores da base.

O 17º RC Mec está comemorando o 121º aniversário do Regimento Solon Ribeiro e, para isso, organizou alguns eventos sociais, além de patrocinar a 4ª etapa da Copa Guaicurus de Salto Hípico. Foram cinco dias de comemoração,  que reuniu competidores de toda a região.

Atualmente, o 17º RC Mec tem em suas fileiras 631 militares, sendo 35 oficiais, 173 subtenentes e sargentos e mais 423 pessoas, entre cabos, soldados, recrutas e da reserva.

A folha de pagamento do quartel é de R$1,310 milhão, sendo que noventa por cento desses recursos, acredita o comandante, coronel Carlos Roberto Martins, ficam no município, contribuindo significantemente para a movimentação financeira da cidade e criação de inúmeros empregos paralelos.

Por ser um batalhão especial, de fronteira, os recrutas dessas regiões recebem, em média, R$600,00, valor acima do que recebem soldados de guarnições menos perigosas, que auferem cerca de um salário mínimo. 

Até alguns anos atrás, os rapazes em idade de alistamento obrigatório tentavam de qualquer maneira escapar do serviço militar. Atualmente, acontece o inverso. O número de vagas em quartéis não consegue contemplar uma grande parte dos jovens que não apenas querem se alistar, mas seguir a carreira, ainda que relativamente curta, já que os cabos e soldados ‘servem’ até no máximo sete anos. 

A Gazeta perguntou ao comandante, coronel Carlos Roberto, o que havia mudado para que a situação se invertesse: se o Exército ou a sociedade. O coronel não titubeou e afirmou que ambos. O Exército passou a ser mais transparente e com isso mais simpático à população, e a sociedade também interagiu de forma favorável aos militares. Com um fator a mais: a população cresceu e servir passou a ser profissionalmente atraente. 

 Uma breve História do 17o RcMec

O início da trajetória histórica do 17º Regimento de Cavalaria Mecanizado remonta ao tempo do Império. O Decreto nº 10.015, de 18 de agosto de 1888, assinado pela Princesa Izabel, reorganizou as unidades de Cavalaria, criando 10 (dez) regimentos, que foram desdobrados em várias regiões do país. Entre eles estava o 9º Regimento de Cavalaria Ligeira (9º RCL), a Unidade de origem do 17º RC Mec.

O 9º RCL recebeu como primeira parada a cidade de Ouro Preto-MG, incorporando os meios do Esquadrão de Cavalaria de Minas Gerais, extinto naquela ocasião. A conjuntura da época, marcada pelo ocaso da Monarquia e pelo crescimento dos ideais republicanos, provocou, em 1889, o deslocamento de parte do 9º RCL para o Rio de Janeiro-RJ, onde, juntando-se a outras unidades da Corte, desempenhou papel relevante na Proclamação da República.

Sob o comando do major Frederico Solon Sampaio Ribeiro, o 9º RCL exerceu papel de destaque em 15 de novembro de 1889, no Campo de Santana, sendo uma das primeiras unidades a se juntar ao Marechal Deodoro da Fonseca. Fruto disso, Deodoro atribuiu a Solon Ribeiro, com seu Regimento, a missão de entregar ao Imperador deposto a mensagem de que ele e a Família Imperial deveriam deixar imediatamente o País, escoltando-os até o embarque no navio que os conduziu para o exílio na Europa.

No alvorecer da jovem República, o 9º RCL, por intermédio do Decreto nº 56, de 14 de dezembro de 1889, teve modificada a sua denominação, passando a ser o 9º Regimento de Cavalaria (9º RC), com parte dos meios permanecendo em Ouro Preto e parte no Rio de Janeiro. Em 1903, o 9º RC teve participação ativa na Revolta da Armada.

O Decreto nº 6.971, de 04 de junho de 1908, determinou uma reorganização de diversas organizações militares. Os 1º e 2º Esquadrões do 9º RC, aquartelados no Rio de Janeiro, deram origem ao 13º Regimento de Cavalaria (13º RC), que permaneceu na então Capital da República. Em 23 de fevereiro de 1915, por meio do Decreto nº 11.499, o 13º RC absorveu o extinto 17º RC, que havia sido criado naquele mesmo ano de 1908 e que teve como parada a cidade de Ponta Porã-MS.

Em 1919, por meio do Decreto nº 13.916, de 11 de dezembro, o 13º RC recebeu a denominação de 2º Regimento de Cavalaria Divisionário (2º RCD), sendo transferido para a cidade de Pirassununga-SP. A Unidade chegou à sua morada, em Pirassununga, no ano seguinte (1920).

Em terras paulistas, o 2º RCD atuou intensamente nas epopeias revolucionárias de 1924, de 1930 e de 1932. Em 1929, por meio de Aviso assinado em 17 de junho, cedeu parte de seus meios para a organização do IV Esquadrão de Cavalaria, em São Paulo-SP. O Decreto Reservado nº 21.134-A, de 15 de maio de 1946, mudou a denominação do 2º RCD para 17º Regimento de Cavalaria (17º RC), permanecendo em Pirassununga. Em 1964, tomou parte na Revolução Democrática de 31 de março.

Fruto da necessidade de aumentar a presença militar na Fronteira Oeste, em 10 de dezembro de 1965, por meio de Decreto-Lei nº 57.405, foi ordenada a transferência do 17º RC para Amambai-MS. Os primeiros militares da Unidade partiram de Pirassununga, com destino a Amambai, em 05 de janeiro de 1967. Após a conclusão das obras do novo aquartelamento e uma longa e difícil viagem do restante dos meios, a Unidade iniciou suas atividades, na nova morada, em 01 de dezembro de 1970, onde permanece até os dias atuais. Com sua chegada a Amambai, incorporou os Destacamentos Militares de Coronel Sapucaia, Paranhos, Iguatemi e Mundo Novo, até então subordinados ao 11º RC.

Encerrando o processo de mecanização das unidades de Cavalaria, a Portaria Reservada nº 045, de 16 de outubro de 1986, alterou a denominação do 17º RC para a sua atual denominação: 17º Regimento de Cavalaria Mecanizado (17º RC Mec).

Como última unidade hipomóvel do Exército Brasileiro, o Regimento realizou a derradeira “carga de cavalaria”, em 1987, durante a inauguração do Parque Histórico Colônia Militar dos Dourados (PHCMD), em Antonio João-MS.

Em 1988, por meio da Portaria nº 467, de 16 de maio, o 17º RC Mec recebeu a denominação histórica de “Regimento Solon Ribeiro”, em homenagem àquele antigo comandante que, com seu Regimento, desempenhou um papel relevante na Proclamação da República.

A mesma Portaria também criou o estandarte e o distintivo histórico da Unidade, que carregam, em seus traços e cores, a origem no centenário 9º RCL, a lembrança dos ideais republicanos e a participação direta no surgimento do Brasil República.

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